Basquete

O “galático” e experiente Mogi amassa a juventude do Pinheiros por 93 a 68

Estatística sem contexto é apenas número estático, e o placar final de 93 a 68 no Ginásio do Pinheiros diz exatamente o que foi a partida: praticamente um monólogo tático e físico.

O Mogi Basquete atropelou o Pinheiros na rodada de abertura do Campeonato Paulista impondo um volume de jogo sufocante desde o primeiro segundo. A diferença de 25 pontos reflete exatamente o abismo entre um Mogi que montou um elenco estrelado pronto para disputar no topo e um Pinheiros radicalmente reformulado, que colocou em quadra a garotada da LDB para enfrentar adultos no ápice físico e técnico.

Como foi o jogo:
1º Quarto:

O Mogi começou a partida com uma intensidade defensiva que desmantelou qualquer sistema tático que o Pinheiros tentou executar. A formação inicial mogiana com Felipe Ruivo, Georginho, Daniel Von Haydin, Rafael Paulichi e André Dikembe estabeleceu um bloqueio sufocante no perímetro.

O Pinheiros, com um time extremamente jovem escalado pelo quinteto Lucca Boracina, Gabriel Caldeira ( destaque com 22 pontos), Anthony Soares, Lucas Thor e Grigor Vieira (além dos reservas Josué Alves, Murilo Souza, Vitor Meili, Danilo Fortunato e Gustavo Dieger), sentiu o peso do ambiente e errou sucessivas bolas de três pontos, praticamente zerando o fundamento nos primeiros minutos.

Fora das quatro linhas, o show ficou por conta da torcida do Mogi, a “Fanáticos”. Em um clima digno de ginásios argentinos, a arquibancada ditou o ritmo com cantos ininterruptos, provocações bem-humoradas e alfinetadas direcionadas não apenas ao Pinheiros, mas a rivais históricos como Brasília, Flamengo e Corinthians. Embalado pelo ritmo das arquibancadas, o Mogi fechou a parcial com um sonoro 26 a 11.

Torcida Fanáticos presente – Foto: Fernando Silveira

2º Quarto:

O segundo período começou com o mesmo script: gatilho afiado no perímetro. Daniel Von Haydin converteu uma cesta de três pontos magistral, abrindo caminho para o momento do jogo. Pouco depois, Georginho serviu André Dikembe com uma assistência no melhor estilo NBA, passe no tempo perfeito para o pivô cravar com autoridade. O técnico do Pinheiros parou o jogo quando o placar marcava 37 a 16, assistindo a sua equipe ser engolida pela precisão mogiana nas dobras de marcação.

Foto: Ricardo Bufolin/ECP

O time de garotos do Pinheiros ensaiou uma reação no minuto final do primeiro tempo, mas esbarrou no teto defensivo do Mogi. Protegendo a pintura com maestria e dominando os rebotes defensivos, o Mogi foi para o intervalo vencendo por 48 a 28.

BASTIDORES DA PARTIDA — SETORISTA FERNANDO SILVEIRA

Lucas Dias em Recuperação & Entrevista com o Presidente Victor Sarro

Fora de quadra, o grande astro Lucas Dias não atuou por estar se recuperando de uma cirurgia. Em papo rápido com o nosso setorista Fernando Silveira, o ala/pivô garantiu que a recuperação está em excelente ritmo e que sua volta está muito próxima. Além disso, Silveira entrevistou o presidente do Mogi, Victor Sarro, que projetou o ano da equipe e salientou da importância do Campeonato Paulista.

3º Quarto:

Se havia alguma dúvida de que o Mogi manteria a pegada, o terceiro quarto tratou de dissipá-la. O camisa 9 do Pinheiros, Lucca Boracina, até abriu o quarto com uma cesta de três esboçando reação, mas Georginho respondeu imediatamente com duas bolas do perímetro em sequência, elevando a vantagem para 61 a 34. A sintonia entre Georginho e Rafael Paulichi foi o destaque técnico do período, trocando passes rápidos e desmantelando a transição defensiva da equipe da capital.

A torcida Fanáticos transformou o ginásio em um ambiente hostil para a garotada pinheirense: a cada lance livre do adversário, urros em coro de “burro, burro!” ecoavam na tentativa de desestabilizar os jovens atletas. O pivô Murilo Souza ainda lutou nos rebotes ofensivos para pontuar pelo Pinheiros, mas o Mogi respondeu com o retorno aplaudido de Felipe Ruivo, que já na primeira posse guardou mais três pontos. Mesmo com erros bobos de lance livre de lado a lado nos segundos finais, o Mogi fechou o terceiro quarto vencendo por 77 a 48 (parcial de 29 a 20).

Lucas Dias e Georginho conversando no Banco de Reservas – Foto: Fernando Silveira

4º Quarto:

Com a vitória consolidada, o técnico mogiano rodou o banco de reservas no último período. O ritmo caiu drasticamente: foram mais de dois minutos sem que nenhuma equipe pontuasse, recheados de turnovers e erros de passe. A primeira cesta do quarto só saiu com quase três minutos decorridos, em tiro de longa distância do Pinheiros.

Com 5 minutos para o fim e o placar em 82 a 58 (parcial favorável ao Pinheiros por 10 a 5 no quarto), até a torcida na arquibancada deu sinais de cansaço. O americano Dontell Brite deu uma fagulha de brilho ao ataque mogiano com uma bela bola de três. Faltando dois minutos (90 a 62), a Fanáticos voltou a cantar “Aí, aí, aí, aí, está chegando a hora…”, obrigando o som interno do ginásio a subir o volume durante o pedido de tempo do Pinheiros. Fim de papo: 93 a 68 para o Mogi.

Placar por Quartos

Equipe1º Q2º Q3º Q4º QFinal
Mogi Basquete2622291693
E.C. Pinheiros1117202068

Panorama da 1ª Rodada do Campeonato Paulista e Próximos Confrontos

Resultados da 1ª Rodada:

  • Sesi Franca 61 x 51 Bauru Basket
  • Mogi Basquete 93 x 68 E.C. Pinheiros
  • 06/08 – 19:30: Basket Osasco x Corinthians
  • 06/08 – 19:30: São José Basquete x Paulistano

Próximos Jogos das Equipes:

  • Bauru Basket x E.C. Pinheiros — 08/08/2026 (Sábado) às 18:00
  • Mogi Basquete x Paulistano — 09/08/2026 (Domingo) às 17:00

Só o começo?

A vitória estrondosa do Mogi não deve servir para alardes triunfalistas prematuros, nem a derrota do Pinheiros para desespero.

O jogo expôs a realidade nua e crua das escolhas de gestão. O Mogi acelerou o processo montando um super elenco com ambição imediata de título, e atropelou porque tinha individualidades maduras para resolver o jogo em transição rápida.

O Pinheiros optou por pagar o preço da rodagem de seus garotos da LDB contra a elite adulta , será um processo doloroso no placar, mas necessário no longo prazo. A tabela colocará à prova se o Mogi sustentará essa intensidade quando enfrentar defesas mais físicas, e se o Pinheiros terá estômago para absorver surras táticas até que sua molecada ganhe casca.

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