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Flamengo vence o Bragantino, supera sustos e abre vantagem na liderança do Brasileirão

Varela e Pedro marcam no triunfo por 2 a 1 no Maracanã; Rubro-Negro domina boa parte da partida, volta a desperdiçar oportunidades e chega aos 60 pontos antes da Data Fifa

O Flamengo aproveitou a oportunidade que recebeu na rodada e abriu vantagem na liderança do Campeonato Brasileiro. Na noite deste domingo (20), o Rubro-Negro venceu o Red Bull Bragantino por 2 a 1, no Maracanã, pela 28ª rodada. Varela e Pedro marcaram para os donos da casa, enquanto o gol paulista saiu após finalização de Ignacio Sosa desviada por Bruno Henrique. Com o resultado e o empate do Palmeiras com o Grêmio, o time de Leonardo Jardim chegou aos 60 pontos, três a mais que o vice-líder, além de possuir duas vitórias a mais.

Mais do que os três pontos, a partida voltou a apresentar algumas das virtudes e dos problemas recentes do Flamengo. A equipe criou o suficiente para construir uma vitória confortável, controlou longos períodos do confronto, mas pecou novamente na definição e permitiu que um jogo praticamente resolvido ganhasse tensão nos minutos finais.

Susto imediato e resposta rápida

O jogo começou de maneira preocupante para o Flamengo. Logo nos primeiros minutos, o Bragantino encontrou espaço em uma transição rápida e teve a primeira grande oportunidade. Na jogada, Ayrton Lucas sentiu a parte posterior da coxa esquerda após uma disputa com Fernando e precisou deixar o campo chorando, sendo substituído por Alex Sandro.

Passado o susto, o Flamengo assumiu o controle.

A primeira demonstração clara do que seria o primeiro tempo rubro-negro aconteceu aos nove minutos. Alex Sandro avançou pela esquerda e encontrou Arrascaeta, que acertou a trave. No rebote, Plata finalizou à queima-roupa e parou em Tiago Volpi.

Três minutos depois, saiu o gol.

Carrascal recebeu pela esquerda, levantou a cabeça e cruzou para a área. Varela apareceu em posição de centroavante, atacou o espaço deixado pela defesa e completou para fazer 1 a 0 aos 12 minutos.

O lance também sintetizou uma característica importante da atuação: a capacidade do Flamengo de ocupar a área com jogadores diferentes. Não foi Pedro, Arrascaeta ou um dos pontas quem apareceu para finalizar, mas o lateral-direito.

Flamengo controla, mas novamente deixa o adversário vivo

Depois do gol, a equipe de Leonardo Jardim continuou superior. O Bragantino teve dificuldades para sustentar a posse diante da pressão rubro-negra, enquanto o Flamengo encontrava principalmente pelo lado esquerdo os caminhos para chegar à área.

Carrascal foi um dos protagonistas desse funcionamento. Além da assistência, o colombiano conseguiu acelerar jogadas e aparecer por dentro, exatamente dentro da proposta explicada posteriormente por Jardim: utilizar pontas de pés invertidos, trazendo-os para zonas interiores e de finalização.

O problema foi conhecido. O Flamengo criou, mas não matou.

Volpi acumulou intervenções importantes e manteve o Bragantino no jogo. E, perto do intervalo, veio o aviso: Lucas Barbosa acertou a trave de Rossi em uma finalização de fora da área aos 45 minutos.

Foi uma chance isolada dentro de um primeiro tempo predominantemente rubro-negro, mas suficiente para mostrar o risco de transformar domínio sem eficiência em um jogo perigoso.

Queda de intensidade no segundo tempo

A superioridade permaneceu depois do intervalo, mas não com a mesma intensidade.

Logo no início, Carrascal recebeu em contra-ataque e ficou frente a frente com Volpi, mas o goleiro novamente levou a melhor. No rebote de outra oportunidade, Arrascaeta teve o gol à disposição e mandou para fora.

A partir daí, a partida ficou menos controlada territorialmente pelo Flamengo. O Bragantino conseguiu respirar mais e o ritmo rubro-negro caiu.

Não chegou a existir uma pressão paulista consistente naquele momento, mas a vantagem mínima mantinha qualquer erro capaz de mudar completamente o confronto.

Foi justamente nesse cenário que apareceu Pedro.

Pedro encerra o jejum

Aos 25 minutos da segunda etapa, Arrascaeta cobrou escanteio, Jorginho desviou e Pedro apareceu para completar e fazer 2 a 0.

O gol teve peso particular para o camisa 9: encerrou uma sequência de cinco partidas sem marcar.

Segundos depois, porém, uma situação chamou atenção. A substituição do atacante por Bruno Henrique já estava preparada e Pedro demonstrou insatisfação ao deixar o gramado, questionando a decisão do treinador. Jardim foi até o jogador e o abraçou.

Na entrevista coletiva, o português tratou o episódio como algo natural de um atleta que gostaria de permanecer em campo. Segundo Jardim, a alteração já estava programada porque ele entendia que o Flamengo precisava ganhar força nos duelos naquele momento. O treinador também comemorou o fim do jejum do atacante.

Um gol transforma tranquilidade em tensão

O 2 a 0 parecia encaminhar uma reta final tranquila.

Não foi assim.

Aos 40 minutos, Ignacio Sosa finalizou da esquerda, a bola desviou em Bruno Henrique e tirou Rossi da jogada. O gol foi registrado como contra do atacante rubro-negro e recolocou o Bragantino na partida.

O time paulista passou a pressionar, e o Flamengo precisou abandonar a postura confortável dos minutos anteriores para proteger o resultado. Jardim colocou De la Cruz e o jovem Freitas nas vagas de Arrascaeta e Plata, respectivamente, e o jogo ainda teve oito minutos de acréscimos.

O placar, porém, não mudou.

Na avaliação do treinador, a partida poderia ter sido resolvida antes caso o Flamengo tivesse marcado o terceiro gol. Jardim considerou o resultado justo e relacionou a queda na parte final também à sequência de quatro partidas em dez dias.

Saúl aproveita oportunidade

Individualmente, uma das respostas importantes da noite veio de Saúl Ñíguez.

Titular diante das ausências no meio-campo, o espanhol teve sua atuação elogiada publicamente por Jardim. O treinador afirmou que Saúl trabalhou bem e destacou a evolução física do jogador depois dos problemas que enfrentou na primeira metade da temporada.

Alex Sandro também entregou boa resposta depois de ser obrigado a entrar praticamente sem aquecimento. Jardim utilizou justamente os dois casos para defender a profundidade do grupo e reforçar a ideia de que o Flamengo possui mais de 11 jogadores capazes de assumir a titularidade.

A vitória é importante, mas o alerta permanece

O Flamengo encerra este bloco do Campeonato Brasileiro na posição que desejava: líder e agora com alguma margem sobre o principal perseguidor.

Mas o 2 a 1 também oferece material para Jardim trabalhar durante a pausa.

Pela segunda rodada consecutiva do Brasileirão, o Flamengo teve oportunidades para transformar uma vitória apertada em um resultado muito mais confortável. Contra o Corinthians, havia produzido 18 finalizações somente no primeiro tempo e precisou de um gol de Bruno Henrique na reta final para vencer por 2 a 1. Contra o Bragantino, o roteiro mudou nos detalhes, mas repetiu a questão central: o volume ofensivo ainda não se traduz em gols na mesma proporção.

Jardim reconheceu que todo treinador deseja uma equipe mais eficiente, mas ressaltou que sua prioridade está na capacidade de produzir oportunidades. Para ele, o fato de o Flamengo continuar chegando com frequência é mais importante do que uma partida em que a equipe marque sem conseguir criar.

É um argumento válido e os números recentes sustentam a capacidade de criação. Mas existe também um risco evidente: enquanto a vantagem permanece mínima, qualquer desvio, bola parada ou erro individual mantém o adversário vivo.

Foi exatamente o que aconteceu neste domingo.

O Flamengo foi superior, teve as melhores oportunidades, acertou a trave, encontrou um Volpi inspirado e poderia ter decidido a partida muito antes. Não decidiu. Aos 40 do segundo tempo, um desvio recolocou o Bragantino no confronto e transformou os acréscimos em minutos de tensão.

Desta vez, não houve punição.

Houve, sobretudo, uma vitória importante para um time que entra na Data Fifa com 60 pontos, três de vantagem na liderança e dez rodadas para disputar.

O Flamengo volta a campo pelo Brasileirão no dia 8 de outubro, contra o Santos, na Vila Belmiro. Até lá, Jardim afirmou que pretende utilizar a pausa para recuperar jogadores desgastados, dar minutos em jogos-treino a atletas menos utilizados e, posteriormente, preparar o grupo para a reta final da temporada.

A liderança ganhou gordura. O desempenho mostrou novamente que há repertório e profundidade. A eficiência, porém, continua sendo um dos pontos que podem separar jogos controlados de finais desnecessariamente dramáticos.

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