Fórmula 1

Russell vence no Azerbaijão em corrida apertada; Bortoleto fica em 13º

O britânico George Russell fez uma corrida brilhante neste sábado (26), mas precisou esperar até a última curva para respirar aliviado no GP do Azerbaijão de F1. Depois de liderar a prova toda em Baku, o piloto da Mercedes viu Max Verstappen se aproximar nas voltas finais e ameaçar sua vitória de ponta-a-ponta, mas conseguiu cruzar a linha de chegada a apenas 0s.196 à frente do rival. Essa minúscula margem colocou a chegada entre as dez vitórias mais apertadas da história da Fórmula 1 em corridas encerradas sob bandeira verde. O brasileiro Gabriel Bortoleto, por sua vez, terminou em 13º.

A vitória foi a terceira de Russell nesta temporada e a oitava da carreira. O britânico largou da pole, liderou todas as voltas e ainda registrou a volta mais rápida, estabelecendo o primeiro grand chelem de sua carreira. O resultado também reduziu de 81 para 66 pontos a vantagem de Kimi Antonelli na liderança do Campeonato Mundial de Pilotos.

Russell conquistou sua primeira vitória na F1 desde o GP da Áustria, em junho. (foto: Jakub Porzycki/Reuters)

Verstappen transformou 8º lugar em ‘quase vitória’

A corrida parecia totalmente sob controle para Russell até a parte final. Max Verstappen largou em oitavo depois de enfrentar problemas com o motor durante a classificação de sexta-feira (25). Contudo, antes da corrida, a Red Bull trocou componentes da unidade de potência do holandês (incluindo motor e turbo) sem punição no grid, já que Verstappen ainda estava dentro do limite de troca de componentes permitido para a temporada. Graças a isso, o piloto conseguiu avançar rapidamente pelo pelotão.

O tetracampeão ultrapassou Hamilton, Norris, Leclerc e Piastri ao longo da prova e assumiu a segunda colocação após a segunda relargada. A partir daí, passou a descontar a diferença para Russell de maneira contínua.

Mas a situação ficou dramática de verdade na última volta: Valtteri Bottas bateu na curva 15 com sua Cadillac e provocou uma bandeira amarela. Daí, Verstappen aproveitou a redução de ritmo para se aproximar de vez do líder e chegar à reta principal praticamente colado na Mercedes, mas Russell sustentou a posição até a bandeirada final.

Verstappen se mostrou frustrado após oitavo lugar em classificação: “não é bom o suficiente”. (foto: Divulgação/F1)

A diferença de 0s.196 fez da chegada em Baku a décima mais apertada da história da F1, considerando apenas corridas terminadas sob bandeira verde. Esta margem fica ainda mais impressionante quando comparada ao histórico recente da categoria: essa foi a chegada mais apertada desde a vitória de Ayrton Senna sobre Nigel Mansell no GP da Espanha de 1986, por apenas 0s.014.

Hadjar volta ao pódio e Piastri decepciona

Em seu retorno à Fórmula 1 depois de três corridas afastado por uma lesão no punho, Isack Hadjar completou o pódio em terceiro lugar. O francês aproveitou a queda de rendimento de Oscar Piastri, que passou reto na curva 1 após a segunda relargada e despencou para o fundo do pelotão.

O australiano, que chegou a ocupar a segunda posição durante boa parte da prova, terminou a corrida em 14º. Com isso, Hadjar completou, ao lado de Max Verstappen, o primeiro pódio duplo da Red Bull desde o GP da China de 2024.

A corrida também teve uma sequência de incidentes: Alexander Albon bateu na volta 30 e provocou a entrada do Safety Car. Na relargada, Franco Colapinto perdeu o controle na curva 1, acertou Pierre Gasly e acabou provocando o abandono de Lando Norris. Os três não completaram a prova.

Isack Hadjar (à esquerda), Oscar Piastri (ao centro) e Pierre Gasly (à direita). (Reprodução: Sky Sports)

Bortoleto termina em 13º, mas Audi dá sinais positivos

O brasileiro Gabriel Bortoleto largou em 17º e passou boa parte da corrida tentando recuperar posições. Ele chegou a aparecer em 13º após as primeiras movimentações e terminou exatamente nessa colocação, mais de 34s atrás de Russell. Seu companheiro de equipe, Nico Hülkenberg, foi o 11º colocado, colocando a Audi novamente perto da zona de pontuação.

Durante entrevista na zona de imprensa, o brasileiro explicou que perdeu uma posição durante o Safety Car após permanecer em um modo de motor voltado para economia de combustível. Bortoleto afirmou ainda que, inicialmente, a equipe informou que o piloto à sua frente não faria uma parada. Porém, a estratégia mudou posteriormente, quando já era tarde para que ele voltasse ao modo de corrida e recuperasse o tempo perdido.

Analisando de maneira isolada, o resultado não empolga, já que Bortoleto não pontuou e ainda viu sua Audi terminar atrás de carros que estavam ao alcance durante diferentes momentos da prova. Ainda assim, é possível fazer uma leitura positiva do comportamento do carro ao longo da corrida.

Apesar do resultado, Gabriel Bortoleto destaca progresso da Audi em Baku. (foto: Divulgação/F1)

A equipe alemã levou para Baku um pacote de 14 atualizações, com mudanças em componentes como assoalho, asas, suspensão, difusor e partes do chassi. O desempenho na classificação foi decepcionante, com Bortoleto e Hülkenberg eliminados no Q1, mas o ritmo durante a corrida mostrou que o carro tinha mais competitividade do que o resultado de sexta-feira sugeriu.

“A gente trouxe algumas atualizações no carro e acho que a maioria funcionou. Acho que não é uma pista que encaixou o que a gente trouxe, mas eu pretendo sim ver as atualizações positivas na semana que vem ou nas próximas etapas”, explicou Gabriel.

Bortoleto chegou a escalar posições durante a prova, terminou próximo de Hülkenberg e a Audi conseguiu se manter na disputa com carros de equipes que apresentam desempenho semelhante no meio do grid. Para um time que está no primeiro ano e ainda tenta entender o comportamento do novo pacote aerodinâmico, a corrida de Baku serviu mais como laboratório do que como resultado definitivo.

Resultado do GP do Azerbaijão

1. George Russell (Mercedes)  
2. Max Verstappen (Red Bull), +0s.196  
3. Isack Hadjar (Red Bull), +10s.704  
4. Charles Leclerc (Ferrari), +14s.136  
5. Kimi Antonelli (Mercedes), +14s.512  
6. Lewis Hamilton (Ferrari), +22s.382  
7. Arvid Lindblad (Racing Bulls), +31s.159  
8. Esteban Ocon (Haas), +31s.189  
9. Oliver Bearman (Haas), +31s.929  
10. Carlos Sainz (Williams), +32s.416  
11. Nico Hülkenberg (Audi), +33s.231  
12. Liam Lawson (Racing Bulls), +34s.013  
13. Gabriel Bortoleto (Audi), +34s.230
14. Oscar Piastri (McLaren), +36s.401
15. Sergio Pérez (Cadillac), +41s.400

Abandonos: Valtteri Bottas (Cadillac), Franco Colapinto (Alpine), Pierre Gasly (Alpine), Lando Norris (McLaren), Alexander Albon (Williams), Fernando Alonso (Aston Martin) e Lance Stroll (Aston Martin).

Diagnóstico do GP do Azerbaijão

George Russell sai de Baku com a vitória e o grand chelem (pole position, vitória, liderou todas as voltas e fez a volta mais rápida), além de diminuir a diferença para Antonelli na tabela do Mundial.

Mesmo sem vencer, Verstappen mostrou mais uma vez sua capacidade inigualável de transformar uma situação complicada em uma disputa pela vitória. Já Bortoleto deixa o Azerbaijão sem pontos, mas com elementos interessantes para serem analisados na evolução da Audi.

George Russell e Isack Hadjar comemoram pódio no GP do Azerbaijão de F1 2026. (foto: Jakub Porzycki/Reuters)

A F1 agora segue para o Oriente Médio, onde acontece o GP do Bahrein na próxima semana, entre os dias 2 e 4 de outubro.

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