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A noite de estreia na cabine e o fim de linha para o Tricolor

Peço perdão aos torcedores são-paulinos por esse texo e a razão é: não sou setorista e tampouco torcedor do clube, mas preciso relatar a experiência e a perspectiva da noite mágica (ao menos para mim ) que vivenciei no Morumbis na última terça-feira (15/09), pela Copa Sul-Americana.

Vivi um momento muito especial na minha recente trajetória como jornalista e cronista esportivo. Foi minha primeira transmissão ao vivo direto de uma cabine de imprensa do Morumbis, ao lado davequipe do Gol de Placa, parceira aqui do Portal da Liga. E não poderia ter havido um jogo com maior peso histórico: em campo, uma combinação de 9 títulos de Libertadores e 3 de Sul-Americanas.

A atmosfera do Morumbis estava diferente; respirava-se um puro clima de Libertadores. Era impossível não se lembrar do famoso meme: “A melhor quarta-feira de Libertadores é a do São Paulo… Mas hoje não é quarta? Tanto faz!”. De fato, não era quarta-feira e nem Libertadores, mas o clima era digno das noites continentais mais épicas. Havia uma festa que há tempos eu não presenciava no Cícero Pompeu de Toledo.

Conversando com amigos e torcedores antes de acessar o estádio, percebia-se que todos depositavam ali as suas últimas fichas da temporada , até porque o ano do São Paulo vem sendo duríssimo (e muito!).

A torcida fez a sua parte: reunião nas imediações duas horas antes de a bola rolar, recepção com corredor de fogo e muitos fogos de artifício. Pisara pela primeira vez em uma cabine de imprensa para transmitir uma partida me deu uma emoção indescritível (o Fernando de 10 anos certamente estava em êxtase com tudo aquilo).

Antes de falar do jogo em si, vale destacar a torcida Xeneize (e os infiltrados), que lotou o setor visitante e fez a sua parte.

Quando a bola rolou, o São Paulo parecia mais nervoso do que eu na minha estreia no rádio. O time jogava de forma afobada e sem calma, enquanto o Boca Juniors impunha o seu estilo tradicional: sem grande brilho, mas com muita catimba, desacelerando a partida a cada cobrança.

Os primeiros 45 minutos foram truncados. A melhor chance do Tricolor veio com Luciano, mas ficou nisso. O momento mais curioso da etapa inicial foi a contagem de segundos da arbitragem uruguaia com o goleiro, parecendo mãe dando bronca em filho: “1… 1 e um quarto… 1 e meio… 2…”.

Apesar do primeiro tempo apático, os mais de 55 mil são-paulinos não deixaram o ritmo cair. Cantaram e apoiaram durante todo o intervalo, promovendo uma festa espetacular que arrepiou a todos nós na cabine.

Na volta para a segunda etapa, Dorival Júnior (alvo de fortes críticas de parte da torcida) fez apenas uma alteração contida, mantendo o esquema com três zagueiros e trocando um volante por outro. Conforme o tempo passava, o nervosismo aumentava. O São Paulo errava cada vez mais e o caldeirão virou uma panela de pressão. Em uma falha coletiva do sistema defensivo (Arboleda, Domingos Duarte e Lucas Ramón), a zaga bateu cabeça e o lateral Leandro Lozano finalizou fraco. O goleiro Rafael acabou aceitando um chute defensável. Foi um balde de água fria.

A partir dali, o São Paulo foi para o abafa. As alterações de Dorival surtiram efeito imediato e o time chegou ao gol de empate, mas o lance foi anulado pelo VAR. Deixando qualquer clubismo de lado, a decisão foi surreal: traçaram uma linha extremamente duvidosa e tendenciosa a favor do Boca Juniors , nada muito diferente do histórico de decisões da Conmebol envolvendo argentinos. Um verdadeiro absurdo.

Reprodução: Sou Jason

A torcida foi à loucura, o ambiente ficou extremamente intenso e tentar transmitir toda aquela carga emocional para o ouvinte foi um desafio alucinante.

Ainda no desespero do ataque, Domingos Duarte conseguiu empurrar a bola para as redes e empatar a partida, acendendo uma última chama de esperança nas arquibancadas. O torcedor gritou e apoiou até o apito final, mas o São Paulo, desorganizado e afobado, não conseguiu a virada e acabou eliminado em pleno Morumbis pulsante. Agora, restam ao Soberano os sonhados 45 pontos no Brasileirão para afastar qualquer risco de um ano ainda mais trágico.

E quanto a mim? Saí de lá imensamente feliz e emocionado por todas as oportunidades que o Portal da Liga tem me proporcionado. Digo com todo o entusiasmo do mundo: este é apenas o começo da minha jornada! Para mim, um início inesquecível; para o São Paulo, infelizmente, o fim da linha na temporada continental.

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