Copa do BrasilFutebolSantos

Santos 0 x 0 Remo : o volume sem eficiência que travou o Peixe na Vila

Quem olhou a escalação do Santos minutos antes da bola rolar na Vila Belmiro sentiu aquela ponta de otimismo. Cuca mandou a campo tudo o que tinha de mais pesado na frente: Rollheiser, Barreal, Gabigol e Neymar. No papel, um quarteto para amassar qualquer adversário e resolver a eliminatória ainda no jogo de ida das oitavas da Copa do Brasil. Na prática, o torcedor santista viveu 90 minutos daquela incômoda sensação de “eu já vi esse filme antes” , um volume absurdo de jogo, mais de 60% de posse de bola, 19 finalizações e absolutamente nenhum poder de decisão.

O empate em 0 a 0 com o Remo não foi mero azar das três bolas na trave da partida. Foi o retrato de um time que confunde ter peças ofensivas com ter um ataque funcional. E o preço disso pode ser altíssimo para a sequência da temporada.

Muita gente na frente, pouca ideia no meio

A estratégia de Cuca ficou clara desde o apito inicial: abafar o Remo, povoar o campo de ataque e resolver o confronto dentro de casa. Mas amontoar atacantes sacrificando a criação pelo meio cobrou o seu preço. O Santos dominou o campo, mas viveu de lampejos individuais e do corredor esquerdo.

Neymar teve bons momentos quando caiu pela ponta, criando espaços e puxando a marcação. Contudo, quando foi deslocado para o centro, sucumbiu à forte marcação paraense e perdeu a fluidez. Rollheiser esteve tão apagado que nem voltou do intervalo. Já Gabigol viveu mais uma noite para esquecer: movimentou-se, combateu, mas pecou no que sempre foi sua especialidade.

Sem um meio-campo capaz de ditar o ritmo e filtrar as jogadas, o Peixe empilhou chances desperdiçadas, deixou o jogo arriscado nos contra-ataques do Remo (que também carimbou o poste de Gabriel Brazão) e viu o relógio jogar contra.

Foto: Marcello Zambrana/AGIF

O risco da acomodação e os problemas para a volta

Um placar em branco na Vila Belmiro diante de 12.820 torcedores já seria incômodo por si só. Torna-se ainda pior quando olhamos o cenário para a partida de volta, na próxima terça-feira.

O Santos viaja para Belém carregando dúvidas físicas e táticas. Lucas Veríssimo sentiu a panturrilha e virou preocupação real para a zaga. Para piorar, o próprio Cuca colocou em dúvida a presença de Neymar no Mangueirão. Ou seja: a gordura que o Peixe deveria ter construído em casa virou uma pressão desnecessária para um ambiente pulsante no Pará.

A Vila protestou com razão

O torcedor que deixou mais de R$ 800 mil na bilheteria da Vila saiu frustrado e com total razão. Dessa vez, não se cobrou falta de empenho, mas sim a falta de lucidez tática e a falta de pontaria de nomes que recebem para resolver jogos desse porte.

O Remo fez exatamente o que veio fazer: fechou a casinha, suportou a pressão, contou com a sorte da trave e levou a decisão para o Mangueirão, onde jogará com o estádio lotado a seu favor.

Para a terça-feira, Cuca precisa entender que escalação ofensiva não é sinônimo de time produtivo. O Santos precisará de mais equilíbrio no meio-campo e, acima de tudo, de frio na barriga para converter o que produz.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *