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Sem Neymar, sem rumo? A Várzea defensiva e o amadorismo na Vila empurram o Santos de Volta ao Z-4

Quem esteve na Vila Belmiro no domingo chuvoso de dia dos pais, não assistiu a um jogo de Campeonato Brasileiro de Série A. O que se viu na derrota por 2 a 0 para o Athletico-PR foi um ensaio de desastre, uma apresentação patética de um time sem alma, sem esquema e, acima de tudo, sem vontade.

Se alguém ainda alimentava a ilusão de que o Santos poderia andar com as próprias pernas sem ter Neymar como muleta, a realidade veio como um soco no estômago. O Peixe voltou ao Z-4, estacionado nos 22 pontos na 17ª colocação, e a sensação nas arquibancadas é uma só: a história de 2023 está se repetindo diante dos nossos olhos, e ninguém na diretoria parece disposto a puxar o freio de mão.

A torcida cansou de aceitar desculpas. Ver o clube ser dominado dentro da própria casa pelo Furacão , com a Vila cantando sob vaias e protestos contra o presidente Marcelo Teixeira, não é um ponto fora da curva. É o retrato fiel de um planejamento amador que selou o destino do clube antes mesmo de a bola rolar no segundo turno.

A várzea defensiva e o vexame em Campo

Dentro das quatro linhas, o Santos fez uma das suas piores apresentações no ano. O placar de 2 a 0 foi até lucro. No primeiro gol do Athletico-PR, aos 13 minutos, assistimos a uma cena digna de futebol de fim de semana entre amigos: bate-cabeça, jogadores chutando a bola uns nos outros na área, João Schmidt tentando desarmar e carimbando a bola em Adonis Frías, até que Viveros apenas empurrou para a rede. Um pastelão indefensável.

Foto: Divulgação/Athletico-PR

Pouco depois, aos 25, o segundo golpe. Uma entregada na saída de bola no meio-campo deixou Viveros nas costas de Adonis Frías. O zagueiro argentino viveu uma noite pavorosa , levou amarelo infantil e tomou um baile do atacante colombiano em todos os duelos físicos. Viveros ganhou na corrida com extrema facilidade, invadiu a área e bateu cruzado, sem chances para Gabriel Brazão, que em minha opinião foi mal nesse lance.

Coletivamente, o time de Cuca foi um deserto de ideias. No primeiro tempo, ostentou 59% de uma posse de bola inútil, sem qualquer criatividade. No ataque, Caballero e Gabigol pareceram dois estranhos. A entrada de Rollheiser no intervalo até deu uma leve oxigenada nos primeiros dez minutos da etapa final, mas a pressão durou pouco. Logo o Athletico-PR retomou o controle do jogo, trocou passes sob os gritos de “olé” da torcida visitante e ainda teve gol anulado. O Santos, afobado e desorganizado, aceitou a derrota passivamente.

O amadorismo nos bastidores: Transfer Ban e ‘Queimada’ da Base

Fora de campo, o cenário consegue ser ainda mais revoltante. Cuca desabafou na coletiva e cobrou a diretoria publicamente por reforços, alegando que o elenco é curto demais para disputar Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana. Mas como reforçar se o clube amarga um transfer ban por uma dívida de R$ 12 milhões com o Monaco por conta da contratação de Jean Lucas em 2023? É a gestão do improviso. A diretoria sequer consegue quitar os direitos de imagem atrasados do atual elenco e joga a responsabilidade nas costas do treinador, que agora se vê obrigado a “escolher prioridades”.

Foto: Mauricio De Souza/AGIF

E a covardia não para por aí. Há algo grave e profundamente incômodo acontecendo na Vila Belmiro: a falta de hombridade dos “cascudos”. Em vez de vermos jogadores de peso e alto salário, como Gabriel Barbosa ou outros atletas de rodagem e calibre, assumindo o microfone para dar satisfação à torcida após uma derrota vergonhosa dentro de casa, quem é colocado na fogueira na entrevista pós-jogo? O garoto Gabriel Bontempo.

Colocar um menino da base para responder pelo fiasco do time principal enquanto os medalhões se escondem no vestiário é o ápice da falta de liderança e do mau caratismo institucional. Jogam os “Meninos da Vila” aos leões para proteger quem ganha milhas para resolver. Tem muita coisa errada nos bastidores da Vila, e essa blindagem covarde é só uma das ponta de um iceberg que parece infinito.

Esqueçam a Sul-Americana: O único objetivo é não Cair

Na próxima quinta-feira, o Santos recebe o Macará, do Equador, pelas oitavas de final da Sul-Americana. Sendo bem direto e sem meias palavras: é hora de largar essa competição de mão. Colocar o time titular para correr contra time equatoriano no meio da semana é assinar o atestado de burrice para o duelo de domingo contra o Vasco, em São Januário, pelo Brasileirão.

O torcedor santista já viveu esse filme em 2023. Tentar abraçar o mundo com um elenco esfacelado, sem peças de reposição e afundado no Z-4 é o caminho mais rápido para o abismo. A prioridade absoluta, única e innegociável do Santos até o fim do ano precisa ser a permanência na Série A. Focar na Sul-Americana para vender uma ilusão de título continental enquanto o time afunda na tabela do Brasileiro é uma irresponsabilidade que a instituição não aguenta pela segunda vez.

O Santos precisa parar de se enganar. Sem Neymar, sem planejamento e sem vergonha na cara, o fantasma da Série B não é um fantasma do passado , e sim, é o pesadelo do presente. Se a diretoria e os jogadores veteranos não acordarem agora para assumir as rédeas do clube, a queda não será um acidente, mas sim uma tragédia anunciada.

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