Mais do que vaga: o Santos precisa provar no Mangueirão que não depende apenas da história
O zero a zero na Vila Belmiro no sábado passado escancarou uma verdade incômoda para o torcedor santista: nomes no papel e tradição não ganham jogo.
O Remo fez exatamente o que se esperava de um visitante inteligente: fechou as linhas, reduziu os espaços e frustrou as ações alvinegras. Nesta terça-feira, às 21h30, no Estádio Mangueirão, o contexto muda drasticamente. Com o apoio de uma torcida que vai lotar as arquibancadas em Belém, o time paraense tentará fazer da pressão física e territorial o motor da sua classificação.

Para o Santos, não se trata apenas de buscar um prêmio financeiro ou avançar de fase. O clube carrega o incômodo jejum de cinco anos sem alcançar as quartas de final da Copa do Brasil. A classificação exige maturidade tática e personalidade que faltaram no jogo de ida. Avançar no tempo normal ou encarar a roleta russa dos pênaltis dirá muito sobre a capacidade do elenco sob o comando de Cuca nas partidas decisivas desta temporada.
O retorno de Neymar e as escolhas táticas de Cuca
A principal novidade para a decisão é o reforço de peso no setor ofensivo. Confirmado para a partida após mistério nos últimos dias, o camisa 10 se junta à delegação nesta terça-feira para liderar a linha de frente. O momento do craque também vem acompanhado de especulações e reflexões sobre os próximos passos da carreira, tema que repercutiu após Neymar abordar abertamente o futuro de sua trajetória no futebol.
Por outro lado, o sistema defensivo alvinegro sofreu um golpe considerável. A lesão na panturrilha esquerda de Lucas Veríssimo no jogo de ida tira o pilar da zaga santista. Diante dessa baixa e da lista extensa de desfalques (que inclui Moisés, Igor Vinicius, Vinícius Lira, Gustavo Henrique e Pepê Fermino), Cuca deve postar a equipe com Gabriel Menino na lateral direita e uma dupla de zaga inédita com Adonis Frías e João Ananias.
Essa é a provavél escalação do Santos do Técnico Cuca: Gabriel Brazão; Gabriel Menino, Adonis Frías, João Ananias e Escobar; Willian Arão (ou João Schmidt), Christian Oliva, Gabriel Bontempo e Barreal; Neymar e Gabigol.

Opinião do setorista: Eu não iria com a provável escalação do Cuca. O Santos não vem funcionando com Neymar e Gabigol na frente. Gabriel Barbosa vive má fase e, para mim, não deveria ser titular no momento. Colocaria Miguelito na vaga dele para dar amplitude em uma ponta e Barreal na outra, deixando Neymar no papel de falso nove , alternativa que já funcionou sob o comando de Cuca.
Minha escalação ideal: Gabriel Brazão; Gabriel Menino, Adonis Frías, João Ananias e Escobar; Willian Arão, Christian Oliva e Gabriel Bontempo; Barreal, Miguelito e Neymar.
Retrospecto amplamente favorável e a lembrança de 2010
Se o momento atual pede cautela, o histórico do confronto oferece confiança ao torcedor do Peixe. Em nove jogos oficiais disputados entre as duas equipes, o Santos ostenta uma soberania quase perfeita: são sete vitórias e dois empates, sem nenhuma derrota para o Leão.
A última vez que o Alvinegro enfrentou o Remo no Pará pela Copa do Brasil traz memórias afetivas marcantes. Em 18 de março de 2010, pela primeira fase do torneio nacional, o Santos aplicou um contundente 4 a 0 dentro do próprio Mangueirão, demonstrando a eficiência ofensiva que marcou aquela geração. E sabe quem fez dois gols naquela partida? Neymar Jr.
Histórico recente com a arbitragem de Anderson Daronco
O comando da apitação no Mangueirão estará a cargo do gaúcho Anderson Daronco, figura constante em compromissos do Peixe. A escolha traz à tona o retrospecto santista sob seu apito nas últimas três partidas em que esteve presente:
- 04/02/2026 (Brasileirão): Santos 1 x 1 São Paulo (Vila Belmiro)
- 05/04/2026 (Brasileirão): Flamengo 3 x 1 Santos (Maracanã)
- 25/05/2025 (Brasileirão): Vitória 0 x 1 Santos (Barradão)
Obrigação?
O Santos entra em campo com a obrigação moral e técnica de se impor, mas não pode cair na armadilha da afobação. O Remo provou na Vila que sabe jogar no erro do adversário. Para o Peixe avançar sem necessidade de penalidades, precisará de algo que faltou no jogo de ida: intensidade no meio-campo para alimentar Gabigol(por favor calibre sua pontaria) e Neymar, além de atenção dobrada em uma linha defensiva remendada pelas lesões. Se entrar esperando a camisa vencer sozinha, a noite em Belém será amarga; se impuser o ritmo desde os primeiros minutos, carimba a vaga com autoridade.
