No jogo do ano, Charlotte Hornets vence o Miami Heat e avança para a próxima fase do play-in
Talvez a grande surpresa da temporada 2025-26 da NBA, os Hornets eliminaram o Miami Heat na noite de ontem (14), após venceram a equipe a Flórida por 127 a 126 na prorrogação. Em uma partida que provavelmente se tornou o maior jogo da história do play-in, e quem sabe da história de Charlotte.
O jogo contou com tudo que você espera de uma partida de playoffs, apesar de não se tratar dessa fase do mata-mata ainda, algumas polêmicas, muito drama e um final de cinema.
O jogo dos coadjuvantes
Apesar das duas equipes contarem com estrelas conhecidas, não foi nem LaMelo Ball e nem Tyler Herro que comandaram o show. Miles Bridges, que não merece elogios pela pessoa que é, anotou 15 dos seus 28 pontos ainda no intervalo e manteve Charlotte colado no Heat, enquanto Lamelo e Kon, esse merece um parágrafo à parte, não conseguiam acertar uma bola de três nem se as vidas deles dependesse disso, e elas dependiam.
Por Miami o cestinha foi Davion Mitchell, o “off-night”, conhecido pela sua defesa, terminou a partida com 28 pontos, 4 rebotes e 6 assistências e manteve o Heat na jogo, enquanto Herro esquentava na partida, já sem Bam Adebayo, já falaremos disso.
Enquanto Bridges e Mitchell comandavam o ataque, Kel´el Ware e Moussa Diabaté empilhavam tocos e rebotes, os dois pivôs terminaram o jogo com 33 rebotes combinados além de 6 tocos.
O primeiro tempo foi isso, um show de heróis improváveis que jogavam à maneira que a partida pedia, intensos e eficientes, enquanto as estrelas iam aquecendo, para um final que por falta de outra palavra foi: Quente.
A lesão do Bam Adebayo
Lembra que eu falei que o jogo teve polêmicas ? Então, o plural foi exagerado, mas não o tamanho da situação. No primeiro minuto do segundo quarto, LaMelo puxou a perna de Bam enquanto ele caia, o pivô acabou caindo de mal jeito e teve que sair da partida por conta de uma lesão ocasionada pela queda.
Adebayo terminou a partida com 11 minutos e 6 pontos, com 100% de aproveitamento de quadra, e com certeza o que mais está doendo no pivô agora não é as costas, mas sim imaginar se teria sido diferente o jogo com ele ou não. Não sou nenhum vidente, tenho certeza de duas coisas, com certeza o jogo teria sido diferente e no fim isso não importa.
Ball pediu desculpas na entrevista pós jogo, e tenho certeza que Adebayo não está nem aí para isso. Não acho que o armador tenha tido a maldade de machucar um companheiro de profissão, mas com certeza fez o que fez de propósito, a liga já informou que está investigando a situação e deve dar uma posição em breve. Na minha opinião acho difícil não rolar uma punição mais pesada, e se fosse para tentar adivinhar, acredito que o armador vai ser suspenso pelo menos do próximo jogo, que vale a vaga na pós-temporada.
Uma palavra resume o segundo tempo: Caos !

O terceiro quarto foi uma espécie de aquecimento para o que aconteceria nos últimos dois quartos de jogo e principalmente para os protagonistas da partida.
No terceiro quarto Ball e Herro tiveram suas melhores parciais, com 9 e 5 pontos no quarto respectivamente, mas quem comandou o show a partir dali não foram os dois all-star, mas sim Coby White.
O ex-Bulls anotou 14 dos seus 19 pontos em apenas 5 minutos no terceiro quarto, e deu uma prévia do que ele iria fazer nos minutos finais da partida.
O último quarto foi exatamente a palavra que está no subtítulo, caos. Charlotte entrou o quarto ganhando por 6 pontos, mas sem conseguir matar suas bolas de fora, acabou tomando a virada e faltando cerca de 1 minuto para o fim da partida, o Heat chegou a liderar por 6 pontos.
Mas aí, o caos entrou em quadra, faltando 10 segundos para o fim do jogo, Charlotte perdia por 3 pontos e Coby White numa reposição de bola rápida, acertou um fade away da zona morta para empatar a partida e mandar para a prorrogação, caos, puro caos.
O LaMelo Ball é o Charlotte Hornets
Nada nesta liga é de graça, e não seria diferente em um partida como essa. Os Hornets começaram a prorrogação lideraram toda a prorrogação, trocaram as bolas de três desesperadas por arremessos trabalhados e infiltrações inteligentes, na reta final, em uma and-one de LaMelo, Charlotte abriu 5 pontos de vantagem com menos de 20 segundos para acabar o jogo.
Herro rapidamente anotou uma bola de três para cortar a diferença para dois, na sequência forçou um turnover em cima de Ball, e sofreu uma falta dos três justamente do armador do time da Carolina do Norte.
De repente tudo virou de cabeça para baixo, “Melo” passou a ser o vilão que tinha entregado a vitória em uma bandeja e Herro tinha assumido seu nome e levado Miami para a próxima fase do play-in. Mas, LaMelo devia aquela classificação a cidade, e com 4.7 segundos no relógio, virou o jogo e garantiu a vitória para os Hornets.
Nem tudo são flores, Charlotte quase cai tentando provar um ponto
Claro que a identidade do time é uma chuva de bolas de fora, não à toa tem os dois líderes nesse quesito na temporada, mas na pós-temporada você precisa se adaptar.
LaMelo chutou 2/16 do perímetro e Kon Knueppel ficou 0/6 no quesito, a falta de mudança na atitude da equipe durante o jogo quase custou a partida. Não que eles deviam ter parado de arremessar, mas saber escolher os arremessos também é uma virtude. Por agora escaparam, mas essa indisplicência cobra mais para frente.
Falando em Knueppel, o candidato a calouro do ano fez apenas 6 pontos, atuação desastrosa, mas que também mostra a profundidade do elenco do Hornets. E claro, Kon não é uma fraude, ele vai melhorar.
O roteiro dos playoffs
Na última live do Portal da Liga, eu e os outros setoristas discutimos alguns pontos importantes para uma equipe na pós temporada e a maioria desses pontos apareceu nessa vitória, e eu gostaria de ressaltar três.
Primeiro a torcida, talvez um dos esportes em que a presença da torcida é mais subestimada, os fãs dos Hornets estavam tão sedentos pela classificação quanto seus jogadores, até mais. Isso fez com que a arena se tornasse um verdadeiro caldeirão e com certeza impulsionou o time para a vitória.
Depois, o elenco, Charlotte não tem o time mais impressionante da liga, mas tem um elenco completo. Os reservas sustentaram um começo ruim dos titulares e deixaram o time vivo para as estrelas resolverem mais tarde.
E por fim, o fator mais subestimado de todos, a sorte. Charlotte com certeza tem méritos, isso não vou tirar deles, mas a sorte acompanha os competentes. E ela apareceu quando precisou, no arremesso da zona morta, virando de Coby White para mandar o jogo para a prorrogação, Miami teve um arremesso muito mais fácil para virar o jogo, mas a bola simplesmente não caiu, sem explicações mirabolantes, somente a mais pura e inexplicável sorte.
E agora ?
Pela parte de Miami o destino é Cancun, o time da Flórida está eliminado da atual temporada e começa agora a pensar no draft.
O grande feito do Heat no ano foram os 83 pontos de Bam Adebayo contra os Wizards e no fim, a derrota deixa mais pontos positivos que negativos e mostra esperança para o próximo ano da liga.
Já Charlotte espera o vencedor entre Philadelphia 76ers e Orlando Magic, para descobrir quem eles enfrentarão na última fase do play-in.
