Do sonho ao pesadelo: a incompetência defensiva custa caro ao Santos no Nilton Santos
O torcedor santista, que acompanhou o time dominar grande parte do confronto contra o Botafogo, no Rio de Janeiro, hoje não consegue dormir. Não pela força do adversário, mas pela forma como o Santos entregou a paçoca. Em uma partida onde a equipe de Cuca mostrou organização e volume de jogo, o que definiu o resultado final não foi o mérito do Glorioso, mas a crônica de um desastre anunciado protagonizado pelo sistema defensivo alvinegro.
Perder faz parte do futebol, mas perder como o Santos perdeu nesta noite é inaceitável para um clube que precisa somar pontos contra um adversário direto nessa luta para sair da Zona Perigosa.
A equipe criou, chegou ao empate, mas provou que, enquanto não houver seriedade no setor defensivo, qualquer esforço ofensivo será em vão.
O ataque desperdiçou o que não podia
O primeiro tempo do Santos foi um lembrete do que esse time pode produzir. Com Rollheiser e Barreal jogando bem, o Peixe dominou as ações. No entanto, o futebol pune quem não mata o jogo. Miguelito, cara a cara com o goleiro, desperdiçou uma oportunidade de ouro.
Na segunda etapa, o cenário se repetiu. Thaciano, em uma chance inacreditável na pequena área, mandou para fora. Quando o Santos teve a chance de virar e controlar o jogo, a falta de precisão falou mais alto. Não se ganha jogos de peso desperdiçando quatro ou cinco oportunidades claras de gol. A incompetência ofensiva deu sobrevida ao Botafogo, que, precisando de pouco, fez o que se precisava para vencer.

A defesa foi um capítulo à parte (do horror)
Se o ataque pecou, a defesa foi, simplesmente, trágica. Luan Peres teve uma atuação para se esquecer: foi o responsável por entregar o primeiro gol ao errar um passe na “fogueira” na frente da área e ainda esteve envolvido na bizarrice que selou o resultado.
O lance final é a síntese do momento santista. Gabriel Brazão, que vinha fazendo uma partida segura e salvando o time, resolveu protagonizar um lance digno de “Trapalhões”. Ao tentar cortar uma bola, chutou em cima do próprio companheiro de zaga, entregando o gol da vitória adversária de bandeja. Não dá para culpar a sorte quando o erro técnico é tão grosseiro.

E agora?
O Santos de Cuca tem, sim, um desenho tático promissor e jogadores criativos que podem decidir jogos. Porém, a falta de concentração e a fragilidade emocional sob pressão continuam sendo o “Calcanhar de Aquiles” da equipe.
Cuca até que montou um time competitivo, mas é impossível obter resultados constantes quando a zaga parece jogar contra o próprio patrimônio.
O torcedor não quer saber de “aposta” ou “nova posição” quando o básico (como não chutar a bola contra o próprio colega) deixa de ser feito. O Santos precisa de um choque de realidade urgente. Se a intenção é não sofrer esse ano, erros individuais infantis precisam ser punidos internamente. Hoje, o Peixe perdeu para si mesmo, e isso dói muito mais do que qualquer mérito do adversário.
