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As incriveis semelhanças entre Palmeiras de Abel e Arsenal de Arteta

Em cenários diferentes, mas com ideias que se cruzam, Palmeiras e Arsenal vêm chamando atenção não apenas pelos resultados, mas pelo modelo de jogo. As equipes comandadas por Abel Ferreira e Mikel Arteta carregam características muito semelhantes: organização tática, eficiência e um estilo que prioriza o controle — mesmo que, muitas vezes, sem o brilho estético que parte do público espera.

Alguns números ajudam a explicar melhor essa semelhança. Nas ligas nacionais, as duas equipes apresentam médias de gols muito próximas: 2,1 para o Palmeiras e 2,0 para o time inglês. Outro ponto em comum é a força no jogo aéreo: cerca de 20% dos gols do time paulista saem de cabeça, enquanto o Arsenal chega a 22%, evidenciando mais uma convergência entre os modelos de jogo.

Outro ponto relevante está na utilização dos jogadores de lado. Ambas as equipes contam com pontas/meias abertos que atuam de fora para dentro, buscando finalização e superioridade numérica por dentro. No Palmeiras, nomes como Arias e Allan cumprem essa função, enquanto no Arsenal jogadores como Saka e Trossard exercem papel semelhante, abrindo espaço para as ultrapassagens dos laterais e aumentando as opções ofensivas.

Defensivamente, a igualdade se repete. O time inglês sofre, em média, 0,7 gol por partida, enquanto a equipe brasileira gira em torno de 1 gol sofrido — número que, pelo contexto de desempenho, tende a cair ao longo da temporada. Além disso, a taxa de desarmes certos é praticamente idêntica: 51,9 para o Verdão e 52,4 para os Gunners, reforçando a ideia de duas equipes extremamente ajustadas sem a bola.

Muito além dos números, os clubes compartilham uma postura semelhante em campo. São times que pressionam o portador da bola, disputam cada espaço com intensidade e mantêm um nível competitivo elevado durante toda a partida.

Diferenças entre os estilos

Taticamente, ambas as equipes se destacam pela compactação. São times bem postados, que reduzem espaços e dificultam a criação adversária. A principal diferença está na forma de controlar os jogos. O Arsenal aposta na posse de bola como mecanismo de defesa, com cerca de 56% de posse e média próxima de 400 passes por jogo. A lógica é clara: manter a bola para limitar as ações do adversário.

Já o Palmeiras segue um caminho diferente. Com cerca de 46% de posse, a equipe de Abel Ferreira se sente confortável sem a bola. O time brasileiro costuma atuar em bloco médio, reduzindo espaços e apostando em transições rápidas para atacar. São dois modelos distintos de controle: um baseado na posse, outro na organização e na reatividade.

Além disso, as equipes utilizam formações diferentes para executar essas estratégias. O Palmeiras normalmente atua em um 4-4-2, que às vezes varia para um 4-5-1, enquanto o clube londrino se organiza em um clássico 4-3-3.

Resultado sem espetáculo?

Mesmo com essas diferenças, o debate em torno das duas equipes é semelhante. Tanto no Brasil quanto na Inglaterra, há críticas recorrentes sobre um futebol “pouco vistoso”. No entanto, os resultados contam outra história. O Arsenal faz grande campanha na Premier League, enquanto o Palmeiras mantém um início sólido no Campeonato Brasileiro.

No fim das contas, o paralelo entre os dois times reforça uma ideia cada vez mais presente no futebol atual: mais do que encantar, é preciso competir. E, nesse aspecto, tanto o Palmeiras de Abel quanto o Arsenal de Arteta são exemplos claros de equipes que transformam organização e eficiência em resultados — mesmo que isso não venha, necessariamente, acompanhado de espetáculo.

Observações – as estatísticas utilizadas consideram apenas competições de pontos corridos: Campeonato Brasileiro e Premier League, tendo em vista que o Palmeiras ainda não disputou copas no recorte analisado. Os dados também levam em conta partidas realizadas até a data desta publicação.

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