A República Democrática do Congo começou sua caminhada na Copa do Mundo de 2026 com um resultado histórico. Nesta quarta-feira (17), os Leopardos empataram por 1 a 1 com Portugal, em Houston, conquistando o primeiro ponto de sua história em Mundiais e mostrando que podem ser uma das surpresas da competição.
O início da partida foi complicado. Portugal abriu o placar logo nos primeiros minutos com João Neves e parecia ter o controle das ações. A seleção congolesa demonstrava certo nervosismo natural pela estreia, principalmente por retornar à Copa do Mundo após mais de cinco décadas de ausência.
Mas a equipe comandada por Sébastien Desabre não se abalou. Aos poucos, passou a encaixar melhor a marcação, fechou os espaços entre as linhas e começou a encontrar caminhos para atacar em velocidade. A recompensa veio nos acréscimos da primeira etapa, quando Yoane Wissa apareceu livre na área para marcar de cabeça após jogada ensaiada em cobrança de escanteio. O gol entrou para a história por ser o primeiro da RD Congo em Copas do Mundo.
Na segunda etapa, o roteiro foi praticamente o mesmo. Portugal teve mais posse de bola, mas encontrou enormes dificuldades para transformar esse domínio em chances claras. A defesa congolesa fez uma partida muito segura e obrigou os portugueses a apostarem em finalizações de média distância ou cruzamentos para a área.
O que deu certo para a RD Congo?
O principal mérito da seleção africana foi sua organização defensiva. A linha formada por Chancel Mbemba, Axel Tuanzebe, Steve Kapuadi e Aaron Wan-Bissaka conseguiu neutralizar boa parte das ações ofensivas portuguesas, especialmente após os primeiros minutos de pressão.
Outro ponto positivo foi a força mental da equipe. Sofrer um gol cedo contra uma seleção recheada de estrelas poderia ter abalado qualquer adversário, mas a RD Congo manteve seu plano de jogo e cresceu ao longo da partida. O próprio técnico Sébastien Desabre destacou a maturidade e a disciplina tática de seus jogadores após o empate.
No ataque, Yoane Wissa mostrou mais uma vez por que é uma das grandes referências técnicas da equipe. Além do gol histórico, participou das principais transições ofensivas e incomodou constantemente a defesa portuguesa. Cedric Bakambu também teve papel importante segurando a bola e ajudando a equipe a respirar nos momentos de pressão.
O que ainda precisa melhorar?
Apesar do ótimo resultado, a partida também mostrou pontos que precisam ser corrigidos para a sequência da Copa.
A RD Congo encontrou dificuldades para transformar recuperações de bola em ataques mais perigosos. Em diversos momentos, a equipe recuperava a posse em boas zonas do campo, mas errava o último passe ou acelerava demais as jogadas. O próprio Desabre reconheceu que os contra-ataques poderiam ter sido melhor executados.
Outro aspecto que pode evoluir é a manutenção da posse em alguns momentos do jogo. Contra seleções de maior qualidade técnica, ficar muito tempo defendendo aumenta o desgaste físico e o risco de sofrer pressão constante.
Resultado aumenta confiança para a sequência
Antes da bola rolar, Portugal era apontada como ampla favorita ao confronto. Muitos analistas esperavam uma vitória tranquila dos europeus, mas a RD Congo mostrou que não está na Copa apenas para participar.
O empate deixa os Leopardos em uma posição interessante no Grupo K e, principalmente, aumenta muito a confiança para os confrontos contra Colômbia e Uzbequistão. Mais do que o ponto conquistado, o desempenho mostrou uma equipe competitiva, organizada e capaz de enfrentar seleções de alto nível sem se intimidar.
Se conseguir manter essa intensidade defensiva e melhorar a qualidade das transições ofensivas, a RD Congo tem tudo para seguir surpreendendo e sonhar com uma classificação histórica para a fase mata-mata.