Fórmula 1

Mercedes abre o jogo e explica pedido de troca de posições entre os pilotos em Zandvoort

O piloto britânico George Russell explicou o motivo de ter cedido o segundo lugar para Andrea Kimi Antonelli no GP da Holanda, após questionar pelo rádio a ordem da Mercedes durante a corrida. Segundo Russell, a equipe já havia estabelecido uma regra para evitar disputas entre seus pilotos quando eles estiverem em estratégias diferentes. 

“Como equipe, sempre dissemos que, quando estamos com estratégias diferentes, nunca vamos disputar posição entre nós e vamos sempre inverter as posições. Essas sempre foram as regras”, contou Russell.

“O fato é que Kimi estava à frente de mim antes do Virtual Safety Car e tentou algo diferente para nos proteger como equipe. Poderia tê-lo deixado atrás de mim? Talvez. Mas isso também poderia ter resultado em um quinto lugar”, acrescentou o piloto.

George Russell foi o terceiro colocado no GP da Holanda de 2026, em Zandvoort. (Reprodução: Divulgação/F1)

Antonelli assumiu a liderança no reinício da corrida após a bandeira vermelha, mas perdeu rendimento com o segundo jogo de pneus duros e acabou ultrapassado por Norris. Até então, ele e Russell estavam na mesma estratégia.

Mas a situação mudou na volta 55, quando o abandono de Esteban Ocon provocou um Virtual Safety Car e Antonelli aproveitou a paralisação para fazer um pit stop. O italiano retornou à pista atrás de Russell, que havia assumido a segunda posição. A diferença é que Antonelli voltou com pneus mais novos e, por isso, a Mercedes decidiu inverter novamente as posições entre os companheiros.

Apesar de ter questionado a ordem pelo rádio, Russell reconheceu depois da corrida que a decisão fazia sentido diante da estratégia de Antonelli. “No fim das contas, ele mereceu o segundo lugar. Acho que o terceiro foi justo para mim”, concluiu George Russell ao fim do GP da Holanda.

A decisão beneficiou diretamente o líder do campeonato: Antonelli chegou aos 242 pontos, abrindo 59 de vantagem para Russell, que está empatado com Lewis Hamilton na segunda colocação, ambos com 183.

Toto Wolff defende ordem da Mercedes em Zandvoort

A decisão da Mercedes continuou repercutindo após o GP da Holanda. Toto Wolff, chefe da equipe, defendeu a ordem para que George Russell devolvesse a segunda posição a Kimi Antonelli e explicou que a prioridade era evitar uma disputa interna que poderia custar pontos à equipe.

Toto Wolff, chefe de equipe da Mercedes na F1. (Reprodução: Guido De Bortoli/Getty Images)

“Ordens de equipe são sempre difíceis, porque não podemos esperar que o piloto seja um ‘leão’ dentro do carro e, ao mesmo tempo, aceite simplesmente ceder uma posição para outro piloto (…). Mas também não queremos perder tempo um com o outro se houver concorrentes pressionando. Podemos acabar perdendo mais pontos ainda, por isso tentamos ser proativos e evitar isso”, explicou Wolff.

Na prática, a Mercedes entendeu que manter Russell e Antonelli brigando pela posição seria mais arriscado do que permitir a inversão de posições. Isso porque Hamilton e Leclerc estavam próximos, e uma disputa entre os companheiros poderia colocar o pódio em risco diante das Ferraris.

Toto Wolff também reforçou que a decisão não teve relação direta com a liderança de Antonelli no campeonato. Segundo o chefe da Mercedes, a equipe teria adotado a mesma postura em favor de Russell caso o britânico estivesse à frente de Antonelli antes do Virtual Safety Car. “Foi algo completamente normal, e teríamos feito o mesmo se fosse ao contrário”, afirmou.

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