Fórmula 1

Norris vence na despedida do GP da Holanda em corrida caótica; Bortoleto é apenas 13º

A Fórmula 1 voltou neste domingo (23) das férias de verão com uma corrida digna da despedida de Zandvoort. No último GP da Holanda no calendário da categoria, já que não será mais realizada a partir de 2027, Lando Norris venceu uma prova definida por chuva antes da largada, bandeira vermelha, ultrapassagens decisivas e uma briga estratégica intensa nas voltas finais.

O piloto da McLaren conseguiu sua segunda vitória consecutiva na temporada 2026 após uma corrida marcada por disputas metro a metro com Andrea Kimi Antonelli e George Russell, que completaram o pódio.

No pódio: Norris ao centro, Antonelli à esquerda e Russell à direita. Foto: Jakub Porzycki/Reuters

As emoções começaram logo na primeira volta, quando uma forte batida do piloto da casa, Max Verstappen, provocou uma bandeira vermelha e a corrida foi interrompida por mais de 30 minutos. Isso porque uma chuva moderada atingiu a região da pista cerca de uma hora antes da largada, deixando alguns pontos da pista molhados. Ao entrar em alta velocidade na última curva do circuito, Max se deparou com um desses pontos úmidos e perdeu o controle do seu Red Bull, colidindo forte contra o muro.

Já Gabriel Bortoleto largou em 9º e rodou no mesmo ponto da pista que Max Verstappen, quando vinha logo atrás do piloto holandês, mas conseguiu controlar o giro e evitar uma batida. Ainda assim, o piloto da Audi perdeu muitas posições e chegou a cair para 18º antes dos comissários de prova acionarem a paralisação. Mesmo conseguindo recuperar posições ao longo da prova, o brasileiro não teve ritmo suficiente para entrar na zona de pontuação e terminou em 13º.

Após o reinício da prova, Antonelli foi para cima de Norris e conseguiu a ultrapassagem já na saída da primeira curva. Nas últimas voltas do GP, Lewis Hamilton também entrou forte na briga e chegou a liderar a corrida, mas a falha de estratégia da Ferrari deixou o heptacampeão sem condições de disputa. A batalha pela vitória mudou de vez naquele momento: quando Antonelli atacou Hamilton, Norris aproveitou a aproximação para ultrapassar os dois na mesma volta e reassumir a liderança. A partir daí, o britânico controlou a vantagem até a bandeirada e confirmou a segunda vitória consecutiva na temporada.

Faltando 14 voltas para o fim da corrida, Norris liderava, seguido por Russell, Antonelli e Hamilton, respectivamente. A Mercedes então decidiu inverter as posições entre Russell e Antonelli. O italiano havia parado durante um Virtual Safety Car e retornou à pista atrás do companheiro britânico, mas com pneus mais novos. A equipe entendeu que a inversão aumentaria as chances de Antonelli se defender da aproximação de Hamilton e preservar pontos importantes para o campeonato. A decisão se mostrou acertada, já que ambos os pilotos da equipe alemã não foram alcançados e subiram ao pódio. 

Além de Max Verstappen, também abandonaram a prova: Oliver Bearman (Haas), Lance Stroll (Aston Martin), Esteban Ocon (Haas), Valtteri Bottas (Cadillac) e Alexander Albon (Williams).

Embora não tenha vencido, Kimi Antonelli ampliou sua liderança no campeonato de pilotos. O italiano de 19 anos chegou aos 242 pontos e abriu 59 de vantagem para George Russell e Lewis Hamilton, que estão empatados com 183 cada, após 12 ‌etapas.

Hamilton critica estratégia da Ferrari ao final da corrida

A estratégia da Ferrari de manter Lewis Hamilton atrás de Charles Leclerc em um momento crucial da prova, mesmo com os pilotos utilizando uma estratégia diferente de pneus, desagradou bastante o veterano, que na hora chegou a solicitar uma ordem de troca de posições.

Após o fim da corrida, Hamilton cedeu entrevista na área dos jornalistas e mostrou sua frustração com a equipe, tecendo críticas duríssimas à escuderia. “Eu QUERO vencer, e estou aqui pra vencer. Mas é difícil quando você vê os dois pilotos da Mercedes recebendo a chamada (no rádio) e resolvendo na hora, executando as ordens imediatamente. Deixaram o Kimi passar e conseguiram continuar com a corrida deles. Aqui na Ferrari não acontece a mesma coisa. É um pouco difícil, mas vamos lidar com isso fora das pistas. Vou falar com eles sobre isso”, desabafou o heptacampeão da categoria.

Além de demorar para tomar a decisão, a Ferrari optou por chamar Leclerc aos boxes para uma estratégia, no mínimo, duvidosa. Por isso, Hamilton perdeu bastante tempo enquanto aguardava a definição da Ferrari. Leclerc só entrou nos boxes 3 voltas depois da solicitação, o que fez com que Hamilton perdesse a alça de mira dos pilotos das Mercedes. Revoltado, o britânico disparou contra a equipe pelo rádio: “Bela maneira de perder tempo, pessoal. Bom trabalho!”, ironizou.

Estratégia da Ferrari desagradou ambos os pilotos, Lewis Hamilton e Charles Leclerc. Foto: Jakub Porzycki/Reuters

A escolha de estratégia da Ferrari, bem como o desenrolar da prova, desagradaram bastante Hamilton. Para ele, uma estratégia diferente poderia ter mudado o cenário final da prova. 

“Definitivamente, hoje foi frustrante para mim (…). Não conseguimos vencer essa corrida, mas se queremos ganhar campeonatos, temos que conquistar cada ponto. As últimas corridas foram muito difíceis, com penalidades e tudo mais, e hoje perdi muito tempo atrás do Charles. Acho que uma escolha melhor teria feito a diferença no final”, analisou Hamilton em entrevista à emissora britânica Sky Sports.

Já Charles Leclerc não entendeu por que a equipe decidiu chamá-lo para os boxes tão perto da parada de George Russell, já que, teoricamente, ele poderia aproveitar a parada do piloto da Mercedes para permanecer na pista e ganhar a posição. Segundo o piloto monegasco, essa escolha praticamente determinou a confusão.

“Eu realmente não entendi por que tivemos de parar tão perto do pit stop de George, porque isso realmente significava terminar atrás dele. Com uma diferença de duas ou três voltas, não havia muito que eu pudesse fazer”, declarou Leclerc à Sky Sports.

Leclerc conta ainda que acreditava que poderia permanecer por mais tempo na pista, já que  sentia que os pneus ainda apresentavam uma boa performance.

“Senti que havia um pouco mais (de durabilidade) nos meus pneus. Obviamente, Lewis e eu estávamos em estratégias diferentes naquele momento (…). Senti que o certo era permanecer um pouco mais na pista, mas no fim das contas, as coisas são como são”, concluiu Leclerc.

A Fórmula 1 agora deixa a Holanda com três narrativas para o fã de automobilismo ficar de olho: Norris chega embalado após duas vitórias consecutivas, Antonelli amplia a liderança do campeonato e a Ferrari terá de lidar com as cobranças de Hamilton antes da etapa de Monza, enquanto tenta gerir também a situação de Leclerc, que há anos é considerado o piloto principal da equipe. O GP da Itália acontece daqui a duas semanas, entre os dias 4 e 6 de setembro.

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