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Zé Rafael (Ex-Santos) vai jogar a primeira divisão portuguesa pelo modesto Alverca

A transferência de Zé Rafael para o Alverca, de Portugal, marca o encerramento definitivo de um ciclo vibrante (e vitorioso) do meio-campista no futebol brasileiro.

O jogador, que construiu uma trajetória sólida no Bahia e viveu o auge da carreira com a camisa do Palmeiras, arruma as malas para o futebol europeu depois de duas temporadas sem tanto brilho pelo Santos. Aos 33 anos, Zé Rafael troca o protagonismo em grandes palcos nacionais por um projeto de reconstrução no futebol português.

Para o torcedor que acompanhou os últimos anos do atleta, a impressão final é nítida: o motor que ditava o ritmo de meio-campos no Brasil perdeu a rotação máxima,muito por causa das lesões, mas ainda carrega a bagagem tática e a bagagem de títulos necessárias para ditar o tom em mercados periféricos da Europa.

Do protagonismo e multicampeão ao ostracismo no Santos

A leitura da carreira de Zé Rafael exige divisão clara de fases. Entre 2019 e 2024, no Palmeiras, ele deixou de ser um meia de criação para se reinventar como um dos volantes mais táticos e dominantes do país. Foram 275 partidas e 11 taças erguidas pelo Verdão, com picos de atuação memoráveis, como na temporada 2022: quando atuou em 61 jogos, marcou 7 gols e serviu de pilar para o esquema de Abel Ferreira.

No entanto, a mudança para o Santos não entregou o mesmo nível de desempenho. Em duas temporadas na Vila Belmiro, o volante somou apenas 40 partidas, balançou as redes duas vezes e deu uma única assistência. A queda brusca na minutagem e o impacto quase nulo na criação ofensiva evidenciaram um atleta com dificuldades de se impor fisicamente e reencontrar o ritmo de jogo em um ambiente em constante instabilidade. A rescisão de contrato amigável em julho deste ano foi o desfecho natural de uma parceria que nunca engrenou.

Foto: Mauricio De Souza/AGIF

O destino: tradição, reestruturação e o “modelo Deco”

O destino escolhido por Zé Rafael pode surpreender à primeira vista, mas faz total sentido do ponto de vista estratégico. O Alverca é um clube tradicional de Vila Franca de Xira que vive momento de ascensão rápida após a transformação em Sociedade Anónima Desportiva (SAD). Famoso por ter servido de vitrine europeia para nomes do quilate de Deco, Ricardo Carvalho e Maniche no fim dos anos 1990, o clube retorna à elite da Liga Portugal sustentado por investimentos privados.

Foto – créditos: Lusa

Atuando em um estádio modesto para 7.700 torcedores, a SAD do Alverca adota o modelo clássico de mesclar promessas sul-americanas a cascudos calejados no futebol brasileiro. A chegada do brasileiro não é por acaso: o clube lusitano ganha uma liderança de vestiário e um jogador habituado com alta exigência para ajudar a consolidar a permanência do time na primeira divisão.

O futebol brasileiro agradece seus serviços Zé!

A ida para Portugal é benéfica para os dois lados, mas exige realismo. O Alverca não está contratando o dinâmico meio-campista de 2021 ou 2022, mas sim um volante experiente, de leitura de espaço apurada e forte ocupação zonal. Se o ritmo do futebol brasileiro já cobrava um preço alto da parte física do atleta, a cadência tática da Liga Portugal pode favorecer suas características de distribuição e combate.

Para Zé Rafael, o contrato de um ano representa a oportunidade perfeita de respirar novos ares, ter minutagem sem a pressão estrondosa dos grandes centros do Brasil e provar que ainda tem combustível para entregar no alto nível europeu. Para o Alverca, é a adição de uma casca vitoriosa indispensável para quem quer se firmar de vez no mapa principal do futebol português.

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