Prazer, Macará! Conheça o time equatoriano que vai enfrentar o Santos
Quem olha o peso do escudo e a tradição dos dois clubes pode cair na tentação do salto alto. Afinal, do lado paulista estão camisas de peso global como Neymar e Gabigol; do outro, o modesto Club Social y Deportivo Macará.
Mas o futebol pune a soberba com um rigor implacável. O torcedor do Santos que espera um passeio no jogo de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana precisa urgentemente abrir os olhos para o momento do adversário.
O Peixe amarga a 17ª colocação no Brasileirão, convivendo com a pressão sufocante do rebaixamento e escancarando a frágil transição de comando técnico de Cuca. Já o Macará atravessa uma das fases mais consolidadas de seus 86 anos de história: vice-líder absoluto da Liga Equatoriana, vem embalado por quatro vitórias seguidas no campeonato local (com direito a vitórias maiúsculas sobre gigantes como LDU e Barcelona de Guayaquil) e chega à Vila ostentando uma invencibilidade continental de sete jogos. Se há um favorito no papel, o campo conta uma história bem diferente.
Se você não conhecia o time Equatoriano, vai conhecer agora:
Do vulcão às Américas: A mística do “Jardim do Equador”
Fundado em 1939 por estudantes do Colegio Nacional Bolívar e batizado em homenagem ao bastião militar do sul equatoriano, o Macará carrega a alma da cidade de Ambato. Conhecida como a “Terra das Flores e das Frutas” ou o “Jardim do Equador”, a próspera cidade incrustada a 2.600 metros de altitude e sob a sombra do vulcão Tungurahua aprendeu a se reconstruir após o trágico terremoto de 1949. Essa mesma resiliência moldou o clube conhecido como El Ídolo de Ambato.
Historicamente um “time io-iô” no futebol local, acumulando cinco títulos da Serie B equatoriana, o Macará mudou seu patamar institucional a partir do fim dos anos 2010. Mandante no reformado e histórico Estádio Bellavista (com capacidade para 16.467 torcedores), o clube conquistou suas primeiras vagas na Libertadores e fincou raízes na elite. O que era um orgulho estritamente regional agora ganha contornos de pesadelo para os gigantes do continente.

Muralha de Ambato: Como joga o time de Sanguinetti
Esqueça a imagem do time equatoriano ingênuo e exposto (como vemos LDU, Independente Dell Vale).
O técnico uruguaio Guillermo Sanguinetti montou um time sólido que está moldado no pragmatismo. Postado em um rígido 4-2-3-1, o Macará pratica a arte de saber sofrer: concede a posse de bola, fecha os espaços entre as linhas com a dupla de contenção formada por Jean Estacio e o experiente José Cazares, e castiga nas transições rápidas.

Na fase de grupos da Sul-Americana, o Macará simplesmente sobrou taticamente em um grupo complicado com América de Cali, Tigre e Alianza Atlético. Passou invicto (3 vitórias e 4 empates), anotando triunfos marcantes fora de casa na Argentina e no Peru, e terminou com a segunda melhor defesa de toda a competição, sofrendo meros 3 gols em 7 partidas. O sistema defensivo é respaldado pela grande fase do goleiro uruguaio Rodrigo Rodríguez ( um verdadeiro paredão que ostenta 8 jogos sem sofrer gols na temporada ) e pela liderança do capitão José Marrufo na zaga.
No setor ofensivo, o camisa 10 argentino Matías Miranda é a mente pensante. Com visão de jogo apurada e chute perigoso de fora da área, é ele quem alimenta o centroavante Franco Posse. O atacante uruguaio vive temporada iluminada: são 11 gols na liga nacional e participação direta decisiva na campanha continental. Posse não é apenas um finalizador de área; é um atacante físico, que sabe reter a bola no ataque, cavar faltas e desgastar zagueiros.

Sem nenhum desfalque confirmado por lesão ou suspensão, o técnico Guillermo Sanguinetti terá o privilégio de contar com todo o elenco à disposição para o confronto mais importante da temporada. A tendência é que o comandante uruguaio mantenha a estrutura tática no 4-2-3-1, sustentada por uma espinha dorsal sólida com Rodrigo Rodríguez no gol, a proteção dos volantes Jean Estacio e José Cazares, e a presença física do artilheiro Franco Posse como referência no ataque. Com ajustes pontuais para reforçar a marcação e a velocidade nas transições (promovendo as entradas de Mohor na linha defensiva, além de Matías Miranda e José Klinger ao lado de Agustín Campana no setor de criação ) o provável time base do Macará está escalado com: Rodrigo Rodríguez; Denilson Bolaños, Santiago Etchebarne, Marrufo e Jordán Mohor; Jean Estacio e José Cazares; Agustín Campana, Matías Miranda e José Klinger; Franco Posse.

A retrospectiva recente do “Celeste”
Para entender o momento iluminado do time equatoriano que o Peixe tem pela frente, basta olhar a sequência recente dos comandados de Sanguinetti em 2026. O time acumula 41 pontos na Liga Pro equatoriana e empilha resultados expressivos:
- 08/08/26 – Barcelona SC 1 x 2 Macará (Liga Pro)
- 02/08/26 – Macará 2 x 1 Guayaquil City (Liga Pro)
- 29/07/26 – Gualaceo 1 x 1 (4-3 pen) Macará (Copa Ecuador)
- 26/07/26 – Aucas 1 x 4 Macará (Liga Pro)
- 22/07/26 – Macará 3 x 0 Deportivo Cuenca (Liga Pro)
- 05/07/26 – Macará 1 x 0 LDU Quito (Liga Pro)
O desempenho do time na Fase de Grupos da Sulamericana (Grupo A)
- 09/04/2026 – Macará 1 x 1 América de Cali (Gols: Josen Escobar [contra] | Daniel Valencia)
- 16/04/2026 – Tigre 0 x 1 Macará (Gol: Federico Paz)
- 30/04/2026 – Alianza Atlético 0 x 2 Macará (Gols: Franco Posse e Matías Miranda)
- 06/05/2026 – Macará 2 x 2 Tigre (Gols: Zenobio [contra] e Franco Posse | David Romero 2x)
- 21/05/2026 – Macará 0 x 0 Alianza Atlético
- 28/05/2026 – América de Cali 0 x 0 Macará
Campanha geral na Sul-Americana 2026:
- Jogos: 7
- Vitórias: 3
- Empates: 4
- Derrotas: 0
- Gols marcados: 7
- Gols sofridos: 3 (2ª melhor defesa do torneio)
A leitura do Portal da Liga
O Santos entra em campo com a obrigação histórica da vitória, impulsionado pelo talento individual de Neymar e Gabigol e pela força da Vila Belmiro.
Porém e infelzmente, futebol se joga com organização e momento.
Se o Santos entrar em campo acelerado demais, cedendo aos nervos da arquibancada e cedendo os espaços que costuma largar no Brasileirão, o Macará tem todas as ferramentas para aprontar na Vila. Sanguinetti vai armar uma teia no meio-campo para travar a criação santista.
O Peixe precisa ter paciência de alfinete, girar a bola com rapidez e não ceder os contra-ataques que Franco Posse e Matías Miranda adoram explorar.
Este não é um confronto resolvido na camisa: o Macará é, hoje, um time muito mais coletivo e pronto do que a oscilante equipe de Cuca.
Respeitar o “Ídolo de Ambato” não é covardia; é o único caminho inteligente para evitar um vexame histórico na Vila.
