Desastre em Belo Horizonte: Santos entrega a vaga para o Atlético Mineiro pela Sul-Americana
Quem foi à Arena MRV nesta quarta-feira (16) assistir às quartas de final da Copa Sul-Americana testemunhou o retrato de um time desalinhado e sem intensidade para disputar uma decisão.
O Santos entrou em campo ostentando uma confortável vantagem de 2 a 0 construída na Vila Belmiro, mas jogou tudo no lixo em apenas 45 minutos de pura desatenção e apatia tática. O placar de 4 a 2 no tempo normal e a queda por 3 a 1 na disputa de pênaltis selaram a eliminação santista.
Com menos de 20 segundos de jogo, o sistema defensivo alvinegro cometeu o primeiro erro crasso, culminando no gol de Bernard. Pouco depois, em nova desatenção coletiva, Reinier apareceu completamente livre dentro da área para ampliar. Nem mesmo o gol achado por Lyanco (contra) serviu para acordar o Santos, que voltou a falhar miseravelmente com Luan Peres e Gustavo Henrique no segundo gol de Reinier, terceiro do galo.
O gargalo do meio-campo: João Schmidt não pode ser titular do Santos. Nunca.
Se a linha de zaga foi desastrosa, o meio-campo teve na figura de João Schmidt o seu maior ponto de vulnerabilidade. O volante expôs todas as suas limitações físicas e táticas: sem cão de guarda na cabeça da área, o setor defensivo ficou completamente exposto às infiltrações do Atlético-MG. É inaceitável que um jogador com tamanha lentidão de recomposição e pouca capacidade de combate continue vestindo a camisa titular do Peixe em partidas decisivas. João Schmidt não pode ser titular do Santos. Nunca.
Sua atuação apática ficou ainda mais evidente no segundo tempo, quando Cuca colocou Arthur em campo. O meia organizou o setor, prendeu a bola, deu ritmo ao time e deu a assistência perfeita para o gol de Gabigol. Quando o jogo exigiu lucidez, Arthur entregou. Quando exigiu proteção e combate na etapa inicial, João Schmidt foi uma nulidade.
Apagão no fim e colapso psicológico nos pênaltis
Quando a vaga parecia assegurada com o placar de 3 a 2 no agregado, a fragilidade emocional do Peixe voltou a dar as caras. Nos acréscimos da partida, Tomás Cuello aproveitou nova bobeira da defesa para fazer o quarto gol do Galo e levar a decisão para as penalidades.
Na marca da cal, o colapso do elenco experiente foi definitivo. Gabriel Barbosa, Arthur e o próprio João Schmidt desperdiçaram suas cobranças diante do goleiro Gabriel Delfim. João Schmidt coroou sua péssima exibição com um chute telegrafado, sacramentando a trágica noite santista em Belo Horizonte.
O caminho longo e a cobrança que fica
Ao jogar fora a classificação na Sul-Americana, o Santos jogou fora também o atalho mais curto para voltar à CONMEBOL Libertadores. Agora, resta encarar a tabela do Campeonato Brasileiro em uma arrastada corrida de pontos corridos.
A eliminação deixa uma lição clara que Cuca precisa assimilar imediatamente: para ter uma reta final de temporada digna no Brasileirão, o treinador precisa parar de insistir com peças que não entregam o mínimo exigido pelo tamanho do Santos. João Schmidt no time titular é um erro que não pode se repetir. Nunca mais.
