Não é só perder o clássico. É a sensação de que o São Paulo não tem time
O São Paulo perdeu o Santos por 2 a 1, de virada, no Morumbis, em uma noite que novamente expôs as limitações de um elenco que há algum tempo não convence o torcedor. Luciano abriu o placar, mas o Santos respondeu rapidamente e ainda marcou o gol da virada no segundo tempo. E talvez seja justamente aí que esteja a maior diferença entre os dois times. Quando o Santos precisou de alguém para chamar a responsabilidade, teve seu principal atacante marcando duas vezes, seu goleiro fechando o gol e jogadores chaves participando ativamente do jogo e das jogadas de gol.
Quando o São Paulo precisou de alguém para fazer o mesmo, sempre sobra só para o Luciano (e para o Calleri, que não estava em campo). O camisa 10 colocou o Tricolor na frente e, mais uma vez, mostrou que ainda é um dos dois jogadores desse elenco capazes de assumir protagonismo. O problema é que um time do tamanho do São Paulo não pode depender praticamente de um único jogador para criar esperança dentro de campo.
E aqui entra uma questão que precisa ser feita: Quem, no atual elenco do São Paulo, realmente tem nível para vestir essa camisa? Tirando a dupla Luciano e Calleri, é muito difícil encontrar alguém que hoje possa dizer que está à altura da exigência de jogar no São Paulo.
Estou dizendo que faltam jogadores que façam a diferença. Faltam aqueles caras que recebem a bola e fazem o torcedor levantar da cadeira. Que aparecem quando o jogo fica difícil. Que conseguem transformar uma oportunidade em gol. Que entram em um clássico sem parecer intimidados pelo tamanho do confronto.
Já são vários jogos com a mesma sensação: o São Paulo chega perto, mas não encontra quem transforme a pressão em resultado. E isso começa a ser preocupante. Porque estamos falando de um clube que deveria entrar em um clássico acreditando que tem condições de vencer. Mas dúvido que algum são paulino em sã consciência apostaria dinheiro que a equipe venceria o jogo de hoje.
O São Paulo terminou a partida com 36 pontos e estacionado na parte intermediária da tabela. Sinceramente não sei como esse time vai conseguir arrumar 9 pontos e se livrar de vez do rebaixamento.
Não adianta esperar que Luciano resolva todos os jogos. Não adianta apostar que uma atuação individual vai esconder as deficiências coletivas. E muito menos acreditar que simplesmente trocar uma ou outra peça vai transformar esse grupo em um time competitivo.
O São Paulo precisa de jogadores que cheguem para assumir responsabilidade. Jogadores que tenham personalidade. Porque a impressão que fica para o torcedor depois de uma derrota como essa é extremamente incômoda. O torcedor são-paulino pode aceitar perder um clássico. Futebol é assim.
O que começa a ficar difícil de aceitar é olhar para o elenco e não conseguir identificar quem será o próximo jogador capaz de carregar o time nas costas quando Luciano não estiver em campo (e para piorar, ele se machucou na reta final do segundo tempo, teve que ficar em campo no sacríficio e deve ser desfalque para os próximos jogos). A derrota para o Santos não é um problema isolado. Ela é mais um capítulo de uma temporada em que o São Paulo insiste em mostrar as mesmas limitações. Falta qualidade. Falta protagonismo. Falta jogador decisivo. E, principalmente, falta a sensação de que existe um grupo capaz de representar dentro de campo a grandeza que o São Paulo tem fora dele. Logicamente tudo isso causado pela bagunça política e financeira que o clube vive. O problema não é apenas perder o San-São. É olhar para esse elenco e não saber quem pode mudar o próximo.
