Santos cai para o Red Bull Bragantino em noite de falhas velhas e arbitragem desastrosa
O torcedor do Santos que acompanhou a derrota por 2 a 1 para o Red Bull Bragantino, no Cícero de Souza Marques, terminou a noite de segunda-feira com um sentimento amargo, porém extremamente familiar.
Quem olhasse apenas as estatísticas frias (mais de 60% de posse de bola e 17 finalizações ) poderia fantasiar um Peixe dominante e injustiçado. A realidade, no entanto, é que a posse do time de Cuca foi em grande parte estéril e arame liso. O Santos rodou a bola frente a um adversário bem fechado, mas faltou a objetividade que diferencia um time maduro de uma equipe que oscila perigosamente nesta reta final de Campeonato Brasileiro.
Para piorar o cenário do confronto direto na briga por vaga na Libertadores, o jogo começou de forma surreal. Logo nos primeiros minutos, o lateral Rodinei cometeu um gol contra bizarro, alegando posteriormente ter sido atrapalhado pela iluminação do estádio. Quando o Santos finalmente achou o caminho da rede na genialidade da dupla Coutinho e Gabigol, a ilusão de reação durou exatos três minutos: a defesa santista voltou a dormir na cobertura e permitiu que Wallace Yan recolocasse o Massa Bruta em vantagem. A derrota por 2 a 1 faz o Bragantino ultrapassar o Alvinegro na tabela ( ambos somam 47 pontos, mas o time de Bragança leva vantagem no número de vitórias), deixando o Peixe estacionado na 9ª posição e cada vez mais distante do sonho de classificação direta para o torneio continental.
Atuações do jogadores do Santos:
Se no setor ofensivo houve lampejos de lucidez, a estrutura defensiva santista viveu uma jornada para esquecer. O grande destaque positivo ficou por conta de Philippe Coutinho e Gabigol. O meia demonstrou a classe de costume, articulou as poucas jogadas perigosas e anotou um belo gol. Ao seu lado, Gabigol voltou a ser a principal referência, vestindo a faixa de garçom com extrema inteligência ao servir o camisa 10. Rony também batalhou e criou boas oportunidades na frente.

Do meio para trás, porém, o diagnóstico é severo. Rodinei teve uma noite desastrosa: além do gol contra que desestabilizou o planejamento inicial, esteve inseguro nas coberturas. Pela outra ponta, Barreal foi o ponto fraco da defesa, permitindo o cruzamento fácil e falhando feio ao não antecipar Wallace Yan no gol decisivo do Bragantino , atuação tão ruim que culminou em sua substituição por Rafael Gonzaga. A dupla de zaga formada por João Alencar e Luan Peres sofreu excessivamente com as ligações diretas e bolas longas de Tiago Volpi, ficando pendurada com cartões amarelos ainda no primeiro tempo. Salva-se o goleiro Diógenes, que não teve culpa nos tentos sofridos e ainda evitou um prejuízo maior no segundo tempo.
Veja a análise em vídeo do nosso setorista Fernando Silveira
E foi Pênalti em Rony?
É preciso ter o posicionamento direto: o desempenho defensivo do Santos foi falho, mas a arbitragem de Edina Alves Batista e a omissão do VAR comandado por Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral interferiram diretamente no resultado do jogo. No segundo tempo, quando o Peixe pressionava na base do abafa, Rony foi claramente atingido por Ryan Augusto dentro da área. Um “trança-pé” cristalino, imprudente e incontestável, ignorado em campo pela árbitra e vergonhosamente empurrado para baixo do tapete pelo vídeo.
Arbitragem não pode ser muleta para atuação ruim, mas omissão diante da regra clara é inaceitável. O lance sobre Rony se soma ao apito desastroso da rodada anterior contra o Palmeiras, escancarando um momento preocupante de interferência externa nos resultados do Santos. O torcedor tem todo o direito de se indignar quando a tecnologia, que existe para corrigir o erro humano de campo, prefere se omitir em lances de interpretação zero.
O que disseram alguns personagens chave:
Na zona mista e na coletiva de imprensa, o clima era de forte indignação com a arbitragem, mas também de projeção para os quatro jogos finais do campeonato.
Cuca (Técnico do Santos): “Conversei com o Rodinei para entender o gol contra. Ele disse que foi atrapalhado pela iluminação mais baixa e não viu a bola. Mas não foi um jogo para perder. Tivemos mais de 60% de posse, 17 finalizações. Sobre a arbitragem: não costumo falar de lance interpretativo, mas hoje não era. O Rony levou um trança-pé. Me espanta o lance não ser chamado pelo VAR. Faltou ajuda da tecnologia. No mais, essa derrota não nos impede de lutar pela Libertadores. Temos quatro jogos e faremos o possível para somar o máximo de pontos. A Data Fifa vem em boa hora para descansar quem precisa e recuperar peças importantes com o departamento médico.”
Gabigol (Atacante do Santos): “Foi pênalti ou não foi pênalti? Foi pênalti contra o Palmeiras e foi pênalti aqui de novo. Foi ou não foi?“
Alexandre Mattos (Executivo de Futebol): “O Santos não vai ficar mais calado. O Santos já entrou em contato com a CBF, já falei com o pessoal da CBF agora mesmo. Vamos fazer o que a gente pode fazer, que é a reclamação formal, e obviamente no pessoal. Pedir uma postura diferente com o Santos, que o Santos exige“
Rodinei (Lateral-direito do Santos): “A gente que é lateral está sujeito a essas bolas na área. Deu uma atrapalhada o refletor, eu já tinha tirado uma bola antes para a lateral, mas aí o refletor me atrapalhou. Mas não é desculpa. Eu, como um lateral de alto nível, tenho que tirar essa bola, mas acontece. Não é a primeira vez que eu errei, não vai ser a última”
A pausa que precisa servir de divisor de águas
A Data Fifa chega no momento exato para o Santos estancar a sangria.
Se prender somente na narrativa de que o time “jogou bem e dominou a posse” é um erro perigoso que esconde feridas abertas: a vulnerabilidade na bola aérea, a passividade dos laterais e a falta de agressividade para transformar volume de jogo em chances reais de gol.
Cuca precisará usar esse período sem jogos não apenas para colocar a cabeça do elenco no lugar e reaproveitar os atletas entregues ao departamento médico, mas para corrigir defeitos táticos que custaram pontos preciosos. Faltando quatro rodadas para o fim do Brasileirão, o Santos ainda depende de si para buscar a vaga na Libertadores, mas o futebol de posse inofensiva e vacilos defensivos não será suficiente para o sprint final.
