Em tarde de polêmicas, Vasco perde para o Palmeiras e decidirá vaga da final em São Januário
O Vasco não resistiu à pressão do Palmeiras e foi derrotado por 1 a 0, no Nubank Parque, neste primeiro jogo da semifinal da Copa do Brasil. A partida foi marcada por gols perdidos de lado a lado, amplo domínio palmeirense e, como de costume, polêmicas de arbitragem e com direito a uma cena no mínimo curiosa: o presidente Pedrinho indo conversar com o árbitro após o apito final.
O momento cruzmaltino é negativo. A equipe acumula a goleada sofrida para o Flamengo e agora esta nova derrota contra o Palmeiras. Um cenário duro para quem, até duas semanas atrás, comemorou uma vitória histórica sobre o Boca Juniors na Argentina. O tempo tem se mostrado cruel com o torcedor, que ainda amarga a derrota por 4 a 1 para o maior rival, partida na qual os titulares foram poupados justamente para chegar inteiros a esta decisão contra os paulistas.
O placar mínimo de 1 a 0 poderia despertar esperança na torcida para a volta no Rio de Janeiro, mas o futebol apresentado pelo Vasco resgatou alguns questionamentos de eliminações recentes. Trata-se de um dilema: Pedro Emanuel costuma elogiar nas coletivas a capacidade de reação do time nos momentos de instabilidade, mas o enredo é repetitivo: o Vasco sofre pressão, equilibra as ações, cria chances, desperdiça oportunidades e, por fim, perde o jogo. A vitória contra o Corinthians foi a exceção; contra Boca Juniors, São Paulo e Flamengo, o padrão é o mesmo. É evidente que se deve considerar o trabalho de meses do técnico português, mas essa oscilação precisa ser encarada pela comissão técnica não apenas como um traço emocional, mas como uma falha no plano de jogo.
Em campo, a partida começou e terminou da mesma forma: o Palmeiras com linhas altas, pesando a grande área, e o Vasco resistindo como podia. A ausência do colombiano Andrés Gómez (a melhor válvula de escape do time) pesou bastante. Diante da linha de três defensores palmeirenses (Gustavo Gómez, Murilo e Barboza), a defesa mais sólida do campeonato, o Cruzmaltino se viu com poucas opções de contra-ataque. A principal alternativa no primeiro tempo foram os lançamentos longos para Bruno Duarte, que tentava arrastar Gustavo Gómez para abrir espaços aos argentinos Colídio ou Lescano, com apoio esporádico de Adson no corredor direito. Em contrapartida, o Palmeiras gastou todo o seu repertório ofensivo: escanteios, cruzamentos rasteiros e no alto, tabelas por dentro, bolas cavadas e chutes de longa distância, especialmente com Piquerez.

A jogada do gol, contudo, nasceu com um lance habilidoso de Arias. Próximo à linha lateral, o atacante fingiu o passe para trás e cortou o lateral Paulo Henrique, encarando mais dois defensores em velocidade como um autêntico jogador de futsal, com a bola colada ao pé. Ainda cercado por quatro vascaínos, sofre a falta, mas antes conseguiu servir Marlon Freitas, que percebeu a defesa desarrumada e achou Mauricio livre na área para finalizar de esquerda, no canto do goleiro. Há quem diga que goleiro profissional não pode tomar gol no seu próprio canto, mas o chute não deu para o Léo Jardim. O 1 a 0 no intervalo ficou barato para um Vasco frágil defensivamente e sem repertório para incomodar o adversário.
Na segunda etapa, o Vasco voltou com mais paciência e coragem. A equipe equilibrou a posse de bola, ganhou volume e conseguiu se recuperar nas transições rápidas do Palmeiras. Sabemos bem que os times de Abel Ferreira são letais em cenários onde o adversário se expõe. Saldívia, que havia sofrido bastante no primeiro tempo, virou a principal proteção contra os ataques em velocidade. Enquanto Thiago Mendes, Lescano e Colídio tentavam encontrar caminhos no setor ofensivo, a dupla de zaga vascaína se comportou bem contra Flaco López e Mauricio.
Veio então o lance polêmico: em um drible de Lescano dentro da área, a bola explodiu no braço de Barboza. O árbitro interpretou o movimento como involuntário, a checagem do VAR manteve a decisão de campo e o bate-boca tomou conta do gramado. Pouco depois, veio o balde de água fria. Com a linha alta, Arias recebeu de costas para Saldívia e, em um giro rápido, superou o zagueiro uruguaio, que cometeu a falta, recebeu o segundo amarelo e foi expulso. O cartão vermelho interrompeu justamente o momento em que o Vasco crescia e se aproximava do empate.

“Sabíamos que iríamos jogar também com a melhor defesa do campeonato e que, nas oportunidade que tivéssemos, precisávamos marcar” – pontuou Pedro Emanuel na entrevista coletiva.
Agora, o Vasco aposta as suas fichas na força de São Januário para reverter a desvantagem e buscar a vaga na final da Copa do Brasil pelo segundo ano consecutivo. A bola rola no domingo, às 17h. Para avançar direto, o Cruzmaltino precisa vencer por dois ou mais gols de diferença. Uma vitória vascaína por um gol leva a decisão para as cobranças de pênalti.
