O Santos goleia e reacende esperança: postura muda, Neymar volta e Gabigol assume protagonismo
O futebol brasileiro mostrou nesse domingo, que ainda pode ser respeitada uma regra antiga: quando a arquibancada cobra de verdade, a camisa pesada tem que responder. A goleada do Santos por 6 a 0 sobre o Velo Clube não começou no apito inicial, começou no portão da Vila Belmiro, com protesto direto contra diretoria e elenco. E, por incrível que pareça, desta vez, a resposta veio como o torcedor exige: com intensidade, vergonha na cara e futebol.
O Santos jogou como se a temporada tivesse começado naquele domingo. E a torcida espera que o time mantenha assim.
Com Gabigol decisivo e o retorno de Neymar, o time mostrou algo que faltava desde janeiro: postura competitiva. O placar elástico não foi apenas fragilidade do adversário, foi reflexo de um time que pressionou, ocupou espaços e jogou com fome.
A torcida organizada fez o papel histórico da arquibancada brasileira: lembrar que o Santos não é clube para atuações medíocres. A ameaça de eliminação precoce no Paulistão era real e o time vinha flertando perigosamente com o vexame. Até duas rodadas atrás, corria risco de rebaixamento.
A goleada, portanto, não apaga os problemas, mas mostra que havia, sim, uma dívida de atitude.
As mudanças de Vovjoda surtiram efeito imediato. Willian Arão trouxe equilíbrio defensivo, enquanto Gabigol transformou o ataque em algo funcional e agressivo. Mostrando que o treinador havia ido realmente muito mal, em jogos passados.
Com 22 minutos, o jogo já estava 3 a 0. Algo impensável para um Santos que vinha sofrendo até para criar chances.
Gabigol marcou, deu assistência e liderou o ataque. Moisés estreiou como titular e desencantou. Thaciano apareceu bem. Gabriel Menino fez um golaço que simboliza a noite: confiança pura. Até Rollheiser, antes apagado e muito criticado, aproveitou o embalo.
O retorno de Neymar não foi pura perfeição e nem precisava ser. Em cerca de 50 minutos, o craque mostrou mobilidade, visão e capacidade de acelerar o jogo com um toque.
Ele errou um gol claro? Sim. Mas a leitura correta é outra: aparenta estar fisicamente inteiro e com vontade de jogar e ganhar.
E vamos ser sinceros? O Neymar com vontade muda o teto do Santos. E muda muito.
Vojvoda foi direto ao avaliar o camisa 10: destacou sua ambição diária e o classificou como jogador de classe mundial , para o argentino Neymar é alguém que o futebol, o clube e até a Seleção precisam.
Notas do Setorista Fernando do Portal da Liga
Alguns Destaques foram:
Gabigol – 7,5
Dois gols, assistência e liderança ofensiva. Movimentação inteligente e presença constante na área. Foi o símbolo da mudança de postura.
Neymar – 6,0
Entrou no intervalo e mudou o ritmo. Ainda sem explosão total, mas com visão e técnica que reorganizam o ataque.
Gabriel Menino – 7,0
Golaço no ângulo e personalidade. O meio-campo finalmente teve imposição.
Moisés – 7,0
Atacante com fome de gol e boa leitura de espaços. Mostra que pode brigar por titularidade.
Willian Arão – 6,5
Equilíbrio defensivo e organização. O time ficou menos exposto — algo que vinha faltando.
Em geral o Santos teve uma defesa segura, um meio-campo funcional e um ataque letal.
Pode parecer básico, mas fazia tempo que o Santos não entregava os três pilares ao mesmo tempo.
Após a classificação às quartas de final, Vojvoda afirmou que o Santos tem condições de brigar pelo título paulista. Em mata-mata, tradição pesa, talento decide e Neymar pode virar fator crucial
Mas o próprio treinador pediu equilíbrio, palavra-chave para um time que ainda oscila demais nesse início do ano.
O técnico deixou claro que a pressão é natural em um clube do tamanho do Santos. E isso é positivo. Clubes gigantes não sobrevivem sem cobrança.
A goleada mostrou que o elenco responde quando é exigido.
A pergunta que fica: precisava chegar a esse ponto para o time acordar?
O Peixe não virou favorito ao título por causa de um 6 a 0. Seria ingenuidade. Mas voltou a parecer um time que entende o peso da própria camisa.
