Faxina necessária na Vila Belmiro: saídas de Lautaro Díaz e Zé Ivaldo expõem erros de avaliação santista
Quem olha os números descontextualizados pode enxergar na rescisão de Lautaro Díaz e no empréstimo de Zé Ivaldo apenas movimentações burocráticas de meio de temporada. Mas a verdade vista de perto, com o olhar de quem vive da arquibancada, entrega uma leitura muito mais nítida: o Santos está promovendo uma faxina que já passava da hora.
Ambos os jogadores provaram, em momentos distintos, que nunca foram feitos para vestir o peso da camisa santista.
A urgência de Cuca em reformular o plantel para o segundo semestre resultou na saída antecipada do atacante argentino para o Racing e no despacho do zagueiro rumo ao Remo. A diretoria agiu rápido para estancar o sangramento técnico e financeiro.
A ilusão da segurança e o preço das falhas crônicas
Comecemos pela retaguarda. A ida de Zé Ivaldo para o futebol paraense encerra uma trajetória curta e irritante para o torcedor que acompanha o dia a dia na Vila Belmiro. Contratado em definitivo para a temporada de 2026, o defensor somou apenas 12 partidas neste ano. Seria injusto dizer que ele não teve lampejos ou boas atuações isoladas no Campeonato Paulista e no início do Brasileirão. O grande problema de Zé Ivaldo nunca foi a falta de preparo físico ou a ausência de flashes de qualidade, mas sim a sua alarmante falta de constância e cabeça.
Não havia uma única partida sequer em que o torcedor santista se sentisse verdadeiramente seguro com ele em campo. Zé Ivaldo carregava o estigma da falha iminente. Era o passe forçado na fogueira, a perda de tempo de bola aérea ou o posicionamento equivocado que desestruturava a linha de quatro. Em um clube do tamanho do Santos, estabilidade e solidez são pré-requisitos básicos para quem quer ser dono da área. Cuca percebeu isso a tempo, afastou o atleta e deu o aval para a saída. O Remo ganha um reforço com experiência, mas o Peixe se livra de uma bomba-relógio.
Voluntarismo não substitui a bola no barbante
Se na defesa o sentimento é de fim de um ciclo inseguro, no ataque o término do empréstimo de Lautaro Díaz é motivo de pura celebração. O argentino de 28 anos deixa o clube de forma antecipada para retornar ao seu país natal e trabalhar novamente com Juan Pablo Vojvoda, agora no Racing. Os números finais de sua passagem traduzem o tamanho do desperdício: 34 jogos e míseros 4 gols anotados. Uma média baixíssima e indefensável para um atacante que veste as cores de uma das camisas mais pesadas do planeta.
É preciso ser justo em um ponto: Lautaro Díaz nunca se omitiu. Era um atleta voluntarioso, que corria o campo inteiro, brigava com os zagueiros e demonstrava entrega tática. Mas dedicação sem bola na rede, para quem joga no terço final, é o mesmo que nada. Tecnicamente, Lautaro se mostrou extremamente fraco. Perdeu gols decisivos cara a cara com o goleiro, falhou em fundamentos básicos de pivô e faltou-lhe o faro de gol indispensável. O Santos faz perfeitamente bem em liberar uma peça que claramente não entregava o nível técnico exigido pelo tamanho do clube.
O perigo da lacuna e a urgência no mercado
Identificar o erro e afastar quem não produz é apenas metade do trabalho de uma gestão responsável. A outra metade consiste em repor com critério, e é aí que mora o perigo atual do planejamento do Santos. Com a saída de Zé Ivaldo, o setor defensivo fica exposto. O técnico Cuca tem optado por improvisar ou fixar João Ananias na lateral esquerda, o que consequentemente retira uma opção da zaga central. Diante desse cenário, a permanência de Adonis Frias vira uma necessidade preocupante, mas longe de ser a solução ideal.
O Santos precisa, em caráter de urgência máxima, ir ao mercado buscar mais peças, sendo uma delas incontestável para a zaga.
A janela extraordinária aberta pela CBF fecha no dia 17 de julho para transferências nacionais, restando pouco tempo para mapear o mercado interno. Confiar apenas nas peças remanescentes e no remendo da lateral é flertar com o perigo no segundo semestre.
A diretoria acertou em cheio ao limpar o elenco e encerrar os ciclos de Lautaro e Zé Ivaldo; agora, precisa mostrar a mesma agilidade para dar a Cuca a sustentação que o Santos necessita para brigar na parte de cima da tabela.

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