Estreia em risco? Fisioterapeuta analisa lesão de Neymar e chances de recuperação para a Copa
A poucos dias da estreia na Copa do Mundo, o treinador Carlo Ancelotti tem um problema. A lesão de Neymar, inicialmente anunciada como um edema pelo Santos, era algo mais grave e, ao chegar à Granja Comary para se reunir com os outros convocados, o atleta passou por novos exames onde se constatou que não era algo tão simples, o que levantou a dúvida se o clube omitiu a gravidade da situação. Mas, para entender melhor sobre o assunto, conversamos com o fisioterapeuta Dr. Avelino Buongermino, especialista esportivo, com passagem por clubes no Brasil e no Japão, que explicou sobre a lesão de grau 2 na panturrilha.
O primeiro questionamento foi sobre a diferença entre edema e lesão de grau 2. Segundo o Dr. Avelino, a lesão de grau 2 (panturrilha) ”é uma ruptura parcial das fibras musculares, afetando entre 5% e 50% da área do músculo” e pode levar de 3 a 6 semanas para a recuperação. Já o edema muscular “refere-se apenas ao acúmulo de líquido nas fibras musculares após sobrecarga, trauma ou ‘pancada’, sem que ocorra o rompimento (ruptura) das fibras”, com um tempo menor para se recuperar. Caso o atleta sinta dores durante uma contração muscular e ao tentar o alongamento, isso indica que o processo de cicatrização das fibras musculares não está completo.
No caso do Neymar, em que o tempo para a estreia é menor do que o tempo mais adequado para a recuperação total da lesão, o Dr. Avelino destaca que o jogador tem uma ampla estrutura de profissionais ao seu lado, incluindo equipe médica, de preparação física, fisiologia, fisioterapia e nutrição, mas “é fundamental respeitar o período de regeneração das fibras musculares e a formação do tecido cicatricial para evitar colocar o atleta em risco”. E, sobre a presença do atleta na estreia do Brasil na Copa do Mundo, Avelino ressalta: “Devido à vontade do jogador e à sua capacidade histórica de superar situações que pareciam inviáveis, não ficaria surpreso se Neymar participasse da estreia”.
É inevitável a preocupação de Neymar retornar e sentir a lesão novamente. “Na fisioterapia esportiva, frequentemente se trabalha sob pressão de tempo para acelerar o retorno do atleta, o que traz o risco de uma recidiva (ter a lesão novamente)”, explica Avelino. O ideal é trabalhar força, potência e resistência muscular, seguindo um cronograma estabelecido para que o atleta consiga entrar em campo sem voltar a sentir a lesão na musculatura. E sobre ter protocolos dentro da fisioterapia para acelerar a recuperação, ele diz: “Não existe ‘receita de bolo’. A fisioterapia não segue um protocolo único para todos, pois a resposta fisiológica de cada atleta ao tratamento varia”. Embora não seja um protocolo padrão, o uso de fisioterapia moderna, aparelhos de última geração (eletro, termo e fototerapia) e recursos da medicina esportiva, como substâncias que estimulam fatores de crescimento, podem ajudar a promover uma cicatrização mais rápida e controlar a inflamação, conclui Avelino.
Agora é aguardar os próximos dias para saber como o atleta estará na estreia no dia 13 de junho, contra o Marrocos, em Nova Jersey. O adversário é o mais forte do grupo e será um grande teste para Ancelotti e seus comandados
