Santos abre o placar, sofre virada e sai derrotado do Maracanã
O Santos conseguiu iludir o torcedor mais pessimista. Mas, como tantas vezes acontece com times que ainda não são maduros, não sustentou o placar. A derrota por 3 a 1 para o Flamengo, neste domingo, escancara um problema clássico, não basta ter plano, é preciso executá-lo até o fim sem errar nos momentos-chave e como sempre o Santos falhou.
Sem Neymar, suspenso, o time santista optou por um jogo reativo, apostando em transições rápidas. Funcionou por um tempo. Lautaro Díaz abriu o placar em um contra-ataque bem executado. Só que, em seis minutos de desatenção, o Santos entregou o jogo: sofreu o empate de Pedro e a virada em pênalti cometido por Barreal.
Depois disso, o roteiro ficou mais uma vez previsível. O Flamengo controlou, o Santos se desorganizou e o terceiro gol, de Paquetá, foi mais consequência do que acaso.
Primeiro tempo: plano correto, execução competitiva
O Santos entrou no jogo com uma ideia clara: baixar linhas, fechar espaços e atacar em velocidade. E, dentro dessa proposta, funcionou.
O Flamengo teve mais posse, tomou iniciativa e ocupou o campo ofensivo, mas esbarrou em uma defesa bem postada, com destaque para Lucas Veríssimo, que fez uma primeira etapa praticamente impecável.
Do outro lado, o Santos não foi passivo. Criou chances claras e mostrou que não estava no Maracanã só para se defender. Faltou capricho e qualidade na tomada de decisão.
O 0 a 0 no intervalo não refletia um domínio absoluto do Flamengo. Era um jogo aberto, com um Santos competitivo e organizado. O torcedor santista estava até que esperançoso.
Segundo tempo: seis minutos que definem tudo
O segundo tempo começou exatamente como o Santos queria: recuperação de bola, transição rápida e gol. Lautaro Díaz, em jogada individual, mostrou qualidade e frieza para fazer um golaço e colocar o Peixe na frente. Após um belo lançamento feito por Oliva.
Ali era o momento do jogo. O Santos deveria ter mudado a estratégia para tentar garantir a vitória.
Mas é aí que entra a diferença entre competir e saber ganhar jogo grande.
O Santos não soube administrar a vantagem.
O empate veio rápido, com Pedro subindo sozinho na área, mais uma vez erro claro de posicionamento defensivo, um erro bizonho de Zé Ivaldo.
Na sequência, Barreal comete um pênalti evitável em Arrascaeta. Em seis minutos, o jogo virou.
A partir daí, o Flamengo fez o que times mais maduros fazem: controlou ritmo, valorizou posse e matou o jogo no momento certo, com Paquetá finalizando com qualidade.
O Santos ainda tentou reagir, teve chances mas já estava emocionalmente abalado e taticamente exposto.
Atuações do Santos:
Lucas Veríssimo foi o melhor jogador do Santos. Seguro, dominante pelo alto e preciso nas coberturas. Fez jogo de zagueiro de alto nível, mesmo com o sistema desorganizando ao seu redor.
Lautaro Díaz foi o jogador mais perigoso. Brigou, correu, incomodou e ainda fez um golaço. Dentro da proposta do time, cumpriu exatamente o que se espera, e o torcedor espera muito pouco do jogador.
Oliva teve papel importante na dinâmica do jogo. Além da assistência no gol, ajudou na marcação e sustentou o meio enquanto o time estava equilibrado.
Zé Ivaldo, improvisado na lateral, comprometeu. No gol de Pedro, simplesmente perde o tempo de bola e permite a cabeçada limpa, até parece que ele que bate na bola e faz gol contra, mais uma vez prejudicando o time santista.
Barreal teve atuação contraditória. Participativo, ajudando na marcação e criando, mas comete um pênalti muito infantil que muda completamente o jogo.
Gabriel Bontempo oscilou. Começou bem, participativo, mas desapareceu no segundo tempo.
O técnico santista montou bem o plano inicial. O Santos competiu e teve chances. Mas faltou ajuste após o 1 a 0. O time não soube baixar o ritmo, não soube esfriar o jogo e se desorganizou rapidamente após sofrer o empate. Isso também é responsabilidade do comandante.
O que o resultado diz sobre o Santos
A tabela não mente: o Santos para nos 10 pontos e flerta perigosamente com a parte de baixo.
Mas mais importante que isso é o diagnóstico: o time tem ideia de jogo, tem competitividade, mas ainda não tem consistência e muito menos qualidade.
Porque o padrão é claro, o Santos até entra bem nos jogos, mas não sustenta e muitas vezes sai derrotado.
Se não corrigir isso rapidamente, vai continuar “competindo bem” e perdendo jogo. Os 45 pontos vão cada vez se tornando mais distante.
Ficha do jogo
Flamengo 3 x 1 Santos
Maracanã
Público: 68.615 presentes
Anderson Daronco foi o árbitro da partida
Escalação do Flamengo: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira, Ayrton Lucas; Jorginho, De La Cruz (Arrascaeta), Evertton Araújo (Paquetá); Carrascal (Plata), Samuel Lino (Bruno Henrique), Pedro (Luiz Araújo)
Escalação do Santos: Gabriel Brazão; Zé Ivaldo (Gabriel), Lucas Veríssimo, Luan Peres, Escobar; Oliva (Willian Arão), Gustavo Henrique, Gabriel Bontempo (Zé Rafael); Barreal (Rollheiser), Thaciano (Moisés), Lautaro Díaz
Gols: Lautaro Díaz (02 do 2ºT), Pedro (18 do 2ºT), Jorginho (de pênalti – 25 do 2ºT ) e Lucas Paquetá (43 do 2ºT)
Cartões Amarelo: Barreal e Gabriel Bontempo
