FIA endurece regras e proíbe artifício usado por Mercedes e Red Bull Racing
A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) mudou o regulamento após a Mercedes e a Red Bull Racing utilizarem uma brecha para obter vantagem nas classificações.
A medida não foi anunciada em um comunicado formal pelos canais oficiais da FIA, mas foi confirmado que houve ajustes internos no regulamento e na interpretação das regras, revelados pelo site The Race nesta terça-feira (14).
Esse truque utilizado pelas equipes dava uma vantagem de centésimos em relação aos outros oponentes, que, na corrida em si, não faz tanta diferença. Porém, quando utilizado na classificação, faz toda a diferença ao se brigar por uma colocação melhor, e a equipe conquista centésimos preciosos contra seus adversários.
Como funciona o regulamento
Sendo claro, nenhuma das equipes estava burlando o regulamento. O ganho de potência não representava uma infração. Entretanto, atuava na chamada área “cinzenta” do texto, ou seja, algo que não havia sido mencionado, mas também não era proibido.
O atual regulamento exige que os carros reduzam a potência das baterias durante o consumo nas retas. As regras estipulam a diminuição gradual da carga em 50 kW por segundo, com o objetivo de evitar uma queda repentina, como, por exemplo, o carro parar por não ter energia alguma.

No entanto, as fornecedoras de motores da Mercedes-AMG Petronas e a Red Bull Powertrains, em parceria com a Ford, teriam achado uma forma eficaz de contornar essa redução gradual. Assim, mantinham o consumo da bateria no máximo enquanto fosse possível.
Isso significa, na prática, um aumento de potência que varia entre 50 kW e 100 kW por alguns instantes.
Como funcionava o “Truque”
Na prática, o truque, quando utilizado na classificação, consiste em explorar o MGU-K (Motor Generator Unit — Kinetic), ou seja, um sistema de recuperação de energia cinética: quando o carro freia, ele capta a energia que seria perdida. Em determinadas situações, o sistema deixa de funcionar por motivos técnicos e é desativado.
As equipes encontraram uma forma de cortar a energia do MGU-K de uma vez, simulando um problema técnico, para obter vantagem.
A FIA chegou a implementar medidas para impedir que o sistema de emergência fosse utilizado para esse fim. Durante os treinos livres, a equipe da Williams do piloto Alexander Albon acabou sendo afetada, e o tailandês chegou a parar completamente na pista devido ao problema, o que seria extremamente perigoso.
A Ferrari foi quem solicitou um esclarecimento por parte da FIA sobre o tema. Embora não fosse uma tática ilegal do ponto de vista do regulamento, foram necessárias mudanças nas regras para maior segurança.
