Dorival trata goleada como “armadilha” e expõe medo de calendário insano
Dorival Júnior vê Corinthians consistente na estreia, mas utilizou a coletiva pós-jogo para apagar o incêndio da euforia antes que ele comece. A vitória por 3 a 0 sobre a Ponte Preta, embora tecnicamente convincente, serve apenas como “gordura” para o que o treinador classifica como um campeonato “traiçoeiro”. O alerta de Dorival não é pessimismo, é matemática: com apenas oito jogos na fase de grupos e três clássicos (São Paulo, Santos e Bragantino) encadeados com a estreia na Série A e a decisão da Supercopa contra o Flamengo, o risco de o time oscilar e flertar com a zona de perigo do estadual é real se o foco for perdido.
O dilema da comissão técnica é físico. Dorival precisa rodar o elenco para evitar lesões em um grupo que ainda não conta com Yuri Alberto e Memphis Depay 100%, mas a tabela não permite laboratórios. Enfrentar rivais de Série A em sequência exige força máxima, criando um paradoxo onde o sucesso no Paulistão pode custar a integridade física para a Supercopa Rei. A gestão de minutos nas próximas duas semanas será mais decisiva do que a tática apresentada contra a Ponte.
Fora de campo, o discurso alinha-se à nova realidade financeira imposta por Marcelo Paz. A menção ao “respiro financeiro” e ao cumprimento de obrigações com fornecedores sinaliza que o Corinthians de 2026 tenta ser mais austero e previsível. A despedida respeitosa, mas pragmática, de Romero reforça esse novo ciclo: gratidão pelo passado, mas foco em peças que entreguem a intensidade que o calendário brutal de janeiro exige.
