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Virada no fim encerra sonho da RD Congo, mas campanha entra para sempre na história do país

A campanha da República Democrática do Congo chegou ao fim nesta quarta-feira (1º), mas de cabeça erguida. Em Atlanta, os Leopardos saíram na frente da Inglaterra logo no início da partida, suportaram a pressão durante 75 minutos e estiveram muito perto de protagonizar a maior zebra desta Copa do Mundo. No entanto, dois gols de Harry Kane na reta final decretaram a vitória inglesa por 2 a 1 e encerraram o sonho africano.

Mais do que a eliminação, o jogo mostrou novamente a identidade construída por Sébastien Desabre ao longo do torneio. Mesmo diante de uma das favoritas ao título, a RD Congo jogou com coragem, organização e personalidade, vendendo muito caro a derrota.

Uma seleção que encontrou sua identidade

A campanha congolesa foi marcada por uma evolução constante. Na estreia, a equipe arrancou um empate histórico diante de Portugal, conquistando seu primeiro ponto e marcando seu primeiro gol em Copas do Mundo. Depois, fez um jogo competitivo contra a Colômbia, mas acabou derrotada. Na rodada decisiva da fase de grupos, mostrou força mental para buscar a virada sobre o Uzbequistão por 3 a 1 e garantir, pela primeira vez, uma classificação ao mata-mata do Mundial.

Ao longo da competição, os Leopardos apresentaram um estilo de jogo muito bem definido. A equipe priorizou intensidade sem a bola, forte compactação defensiva e transições rápidas pelos lados do campo. Mesmo enfrentando seleções tecnicamente superiores, conseguiu competir praticamente em todos os momentos da Copa.

Contra a Inglaterra, esse plano voltou a funcionar. A seleção africana abriu o placar logo aos sete minutos com Brian Cipenga, após uma boa construção ofensiva, e depois mostrou enorme capacidade de organização para suportar a pressão inglesa durante grande parte da partida. O goleiro Lionel Mpasi voltou a ser um dos destaques, acumulando grandes defesas antes da reação comandada por Harry Kane.

Wissa liderou uma geração histórica

Se o coletivo foi o grande trunfo da RD Congo, Yoane Wissa terminou a competição como o principal símbolo desta campanha.

O atacante encerrou o Mundial com três gols, sendo decisivo principalmente na vitória histórica sobre o Uzbequistão, quando marcou duas vezes e comandou a reação que colocou os Leopardos no mata-mata. Além dos gols, foi a principal referência ofensiva da equipe durante toda a competição, oferecendo mobilidade, velocidade e muita intensidade na pressão sobre a saída de bola adversária.

Ao seu lado, jogadores como Chancel Mbemba, Lionel Mpasi, Moutoussamy e Bongonda também tiveram papel importante para consolidar uma seleção extremamente competitiva.

O fim de uma campanha inesquecível

A eliminação da forma como aconteceu certamente dói. Depois de segurar uma das favoritas ao título durante boa parte da partida, a sensação é de que a classificação esteve muito perto. Ainda assim, o sentimento predominante deve ser de orgulho.

A República Democrática do Congo deixa a Copa do Mundo com marcas históricas: conquistou seu primeiro ponto, marcou seu primeiro gol, venceu pela primeira vez em um Mundial e alcançou, pela primeira vez, uma fase eliminatória da competição.

Mais importante do que os números, os Leopardos mostraram ao mundo um futebol competitivo, organizado e corajoso. A campanha de 2026 ficará marcada como o torneio que mudou o patamar da seleção congolesa e provou que o país pode sonhar com voos ainda maiores nas próximas Copas do Mundo.

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