O Galo perdeu a alma?
O Atlético Mineiro passa por “turbulências” há 3 anos, coincidentemente desde que a SAF começou. Será que realmente é coincidência? Será que essa diretoria, esses donos, os grandes 4 R’s, salvaram o Galo? Fundaram o clube há 5 anos? Porque, pelo jeito que falam, parece que antes deles o Atlético nem existia.
Piada.
O maior presidente da história do Galo, o mais vencedor, veio antes deles. E esse eu posso dizer com convicção que sabia o que é ser atleticano. Sofria, se doava pelo clube, se revirava para fazer o time campeão e respeitado. Era perfeito? Não. Errou, e errou bastante. Mas acertou mais do que errou.
E, principalmente, tinha algo que hoje parece estar faltando: alma.
Ele fazia a torcida se sentir parte, fazia o torcedor ter prazer em ir aos jogos, em estar perto, em acompanhar. A torcida se sentia respeitada e representada dentro de campo.
Hoje, o sentimento é outro.
O que estão fazendo com o Atlético é digno de afastar o seu maior patrimônio: a torcida. O clube vai perdendo sua identidade, seu tamanho, pouco a pouco. E o que mais revolta é a sensação de que quem está no comando não sente o que o torcedor sente. Não sofre, não vive o clube da mesma forma.
O discurso parece cada vez mais distante da realidade do campo e da arquibancada. Fala-se muito em números, em gestão, em retorno, mas pouco se vê da essência que sempre moveu o Atlético.
E não dá para isentar os jogadores. Mas quem contrata, quem mantém e quem banca esse elenco são os donos. Jogadores sem identificação, sem entrega e sem respeito ao peso da camisa não aparecem por acaso.
O clube caminha para campanhas preocupantes. Em todas as competições, o rendimento está abaixo do esperado. Até mesmo no Campeonato Mineiro, algo que há pouco tempo parecia impensável.
E o pior não é só o desempenho.
É a falta de reação. Falta indignação, falta resposta, falta atitude. Os erros se repetem, e nada muda.
O sentimento de raiva já passou.
Hoje, o que fica é medo, tristeza e desânimo.
Assistir ao jogo, que antes era prazer, virou quase obrigação. O torcedor já não sente a mesma vontade, a mesma conexão.
E isso é grave.
Porque o Atlético sempre foi diferente exatamente por causa da sua torcida, da sua intensidade, da sua alma.
Ainda dá tempo de mudar. Ainda dá tempo de salvar o rumo da história.
Mas, do jeito que está, a sensação é de que o clube vai se afastando cada vez mais daquilo que sempre foi.
Às vésperas de um clássico, a diferença atual preocupa. Não só tecnicamente, mas emocionalmente.
E isso, para o torcedor atleticano, talvez seja o mais difícil de aceitar.
Porque o Galo nunca foi só futebol.
Sempre foi alma.
