Copa do Mundo: Ainda há tempo para salvação?
A quase centenária Copa do Mundo entra hoje em uma edição que possuía elementos suficientes para se tornar uma das mais memoráveis. Três sedes, a volta do Brasil ao palco do tetra e a primeira edição com 48 participantes. Porém, a postura de Estados Unidos e da FIFA podem ter manchado o nosso entretenimento.
Antes de desenrolar sobre bastidores, vale mencionar quem se classificou e ficou para trás. A Itália conseguiu a terceira eliminação prévia seguida, deixando uma geração nascida em 2015 apenas com as histórias do passado glorioso da Azzurra. E teremos estreantes carismáticos como Curaçao, Cabo Verde, Jordânia e Uzbequistão.
Outro país que retorna ao evento é o Iraque, cujo principal atacante, Aymen Hussein, permaneceu 7 horas em um interrogatório no aeroporto estadunidense. E problemas com entradas não faltam. Diversos países terão entrada limitada de torcedores, prejudicando o espetáculo e o ímpeto destas seleções. E ainda vimos o árbitro somali Omar Artan, um dos maiores árbitros do continente africano, ser banido sem justificativas convincentes.
Para complementar o tópico, o atacante suiço Breel Embolo teve o visto negado, deixando a entrada do jogador em stand by por dias. As delegações de Senegal e Uzbequistão também enfrentaram revistas intensas durante a chegada. Mas fugindo do tema aeroporto, também teve o episódio curioso do Haiti e seu uniforme censurado. A acusação era referente a associação imagética à sua independência. A FIFA identificou como motivação política e pediu a do mesmo.
Contudo, a maior novela foi a relação com o Irã. O país asiático escolheu abandonar o torneio, mas foi convencido pela FIFA que estaria seguro. A delegação aceitou, mas a tensão permaneceu. Membros da delegação tiveram os vistos negados, o que culminou na seleção iraniana sendo realocada para o México.
Com este cenário em vista, a preocupação é uma só: as polêmicas de uma das sedes tem deixado o torneio em segundo plano. Este fato em si é inconcebível com a própria história do torneio e temos outros 22 edições anteriores para comprovar isto. É um escárnio a um evento tão importante para a cultura futebolística e esportiva.
A nossa torcida segue pelo sucesso do evento e que a negligência da FIFA não tenha poluído a festa de forma irreversível, pois a Copa do Mundo merece muito mais que isso.
