O Santos volta pior após Copa do Mundo? Saiba o que aconteceu com o Peixe nesse período
A teoria de que a pausa para a Copa do Mundo serve para ajustar a casa e recuperar as forças, infelizmente, não se aplica à Vila Belmiro.
Enquanto os olhos do planeta estavam voltados para os gramados do Mundial, os bastidores do Santos pegavam fogo, e não foi por um bom motivo. O torcedor alvinegro que esperava um respiro após 21 dias de recesso recebeu, na verdade, um choque de realidade: salários atrasados, um transfer ban punitivo da FIFA por dívidas antigas e um futebol sofrível nos testes em campo.
Dizer que o Santos “se preparou” neste período é um eufemismo dos grandes. O que se viu foi a gestão de danos de um clube que acumula mais de R$ 1 bilhão em dívidas e que tenta se equilibrar na corda bamba antes que o segundo semestre vire um pesadelo definitivo.
O colapso financeiro e a barca que foi embora
A realidade financeira do Santos bateu à porta de forma cruel. A punição da FIFA pelo não pagamento de Jean Lucas ao Monaco amarra as mãos do técnico Cuca por três janelas de transferências. Sem dinheiro e proibido de contratar, a solução da diretoria foi abrir mão de peças para aliviar a folha salarial.
As saídas de Tomás Rincón, Zé Ivaldo e Lautaro Díaz fazem sentido do ponto de vista contábil e técnico. O “alívio” financeiro, porém, sequer deu conta de manter o básico em dia: o clube atrasou os vencimentos de junho e deve direitos de imagem.
Outros dois jogadores estão da saída: Mayke e Zé Rafael ainda seguem com o futuro indefinido, mas não devem permanecer na equipe santista.
Jogos-treino: o que os olhos dos setoristas viram de perto
A frustração da viagem cancelada para Portugal forçou o Santos a testar suas forças contra União São João e Osasco Sporting. Nossos setoristas acompanharam os trabalhos in loco e o diagnóstico é idêntico, embora o placar tente mascarar a realidade.
Nosso setorista Fernando esteve presente no triunfo por 3 a 0 diante do União São João.
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Quem olha o placar imagina facilidade, mas a leitura do jogo entregou uma equipe lenta, sem transição ofensiva inteligente e burocrática. Para piorar, o preço físico foi alto: as lesões de Moisés e Pepê Fermino ligaram o sinal de alerta no departamento médico.

Na sequência,nosso setorista Eduardo acompanhou o empate sem gols contra o Osasco. O desempenho foi classificado como desastroso. Diante de um adversário frágil, o Santos de Cuca sofreu para criar uma linha de passe limpa. A ausência de Gabriel Bontempo, com dores no púbis, escancarou a total falta de criatividade do meio-campo. Ficou nítido que o time atual não tem repertório coletivo; depende exclusivamente de lampejos individuais que, no momento, não existem.

A sombra do camisa 10 e o fantasma da aposentadoria
No meio do caos, há a imensa sala de espera chamada Neymar. Eliminado precocemente com a Seleção Brasileira diante da Noruega, o craque de 34 anos tem reapresentação marcada para sexta-feira.
O contrato vai até o fim do ano, mas a verdade precisa ser dita de forma direta: o Santos se transformou em um clube refém da vontade de seu maior astro moderno. Nos bastidores da Vila, o silêncio do jogador alimenta o temor de que a queda na Copa tenha minado seu desejo de continuar competindo em alto nível, levantando até a hipótese de aposentadoria. Contar com Neymar para salvar o ano financeiro e técnico do clube é uma aposta de altíssimo risco para uma diretoria que não tem margem de erro.

O teste de fogo no Engenhão
Sem tempo para lamentações, o Santos será o primeiro clube paulista a reestrear no cenário nacional. Na próxima quinta-feira (16/07), às 19h30, o Peixe enfrenta o Botafogo, no Nilton Santos, pela 19ª rodada do Brasileirão.
Enfrentar o Botafogo no Rio de Janeiro com um time remendado e sem ritmo competitivo é o pior cenário possível para Cuca. Sem os lesionados do período de pausa e lidando com desfalques crônicos, o provável time que vai a campo reflete perfeitamente as improvisações forçadas pela crise:
- Provável escalação: Gabriel Brazão; Gabriel Menino, Lucas Verissimo, Luan Peres e Escobar; João Schmidt, Gustavinho, Miguelito e Rollheiser ; Barreal e Rony.
A leitura crítica é clara: O Santos entra no segundo semestre jogando a sobrevivência política e esportiva. Se o torcedor esperava que a Copa trouxesse respostas, saiu do período com ainda mais perguntas e a certeza de que o sofrimento no Brasileirão está apenas recomeçando.
