Copa do mundo

Escócia perde para Marrocos e rumor de eliminação ganha força antes de jogo contra o Brasil

O clima de festa que tomou conta de Massachusetts nos últimos dias evaporou em exatos 71 segundos sob o calor escaldante do Boston Stadium. A derrota por 1 a 0 para o Marrocos doeu, não apenas pelo placar magro que mascara a superioridade técnica do adversário, mas porque nos empurra para a beira do abismo.

Agora, para alcançar a imortalidade e passar de fase pela primeira vez na história, o “Worry” (Preocupação) é a palavra de ordem para os escoceses: tem que sobreviver ao Brasil, em Miami.

O apagão inicial e o infeliz recorde negativo

Steve Clarke tentou surpreender. Adiantou Kieran Tierney para a linha de meio-campo pela esquerda, tentando criar uma barreira contra o temido Achraf Hakimi. Não deu tempo nem de entender o encaixe. Logo na primeira jogada, aos 71 segundos de jogo, Brahim Díaz descolou um lançamento milimétrico. Grant Hanley vacilou na linha de impedimento e Ismael Saibari teve tempo de dominar e desferir um míssil no ângulo de Angus Gunn. Foi o gol mais rápido que a Escócia já tomou na história das Copas do Mundo.

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Durante os 40 minutos seguintes, o que se viu foi um verdadeiro massacre tático. O Marrocos parecia jogar em outra rotação. Os jogadores da Escócia pareciam assustados toda vez que eram pressionados, correndo atrás de sombras.

A estatística humilhante do primeiro tempo traduziu o desespero: o time europeu completou míseros 12 passes no terço final do campo nos primeiros 30 minutos de jogo. Se não fosse o desperdício dos marroquinos e algumas boas defesas de Gunn, o jogo teria ido para o intervalo com três ou quatro gols de desvantagem.

O que a mídia escocesa está falando sobre o jogo:

O sentimento de frustração e a iminência do desastre tomaram conta das manchetes britânicas após o apito final.

The Sun: “Os escoceses voltaram a cair na terra de forma brutal e agora enfrentam um confronto de terror contra o Brasil para progredir na Copa do Mundo.” O jornal ainda destacou que, matematicamente, três pontos e um saldo de -3 dão cerca de 55% de chance de classificação em terceiro, ironizando que a seleção terá que se apegar a isso repetidamente nos próximos dias.

The Guardian: Destacou que Saibari “perfurou a festa da Escócia” e apontou que, embora Marrocos tenha sido amplamente superior, faltou crueza para golear, o que de certa forma manteve os escoceses vivos na partida.

The Scotsman: O foco foi a experiência que não se pagou e as decisões do juiz: “A classe venceu – por pouco – uma Escócia experiente. As esperanças da Escócia na Copa estão no limite, em meio a pontos de interrogação sobre a arbitragem.”

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Arbitragem sob holofotes e o fator Gannon-Doak

Se a atuação técnica foi pobre, a Escócia tem motivos legítimos para reclamar do árbitro uzbeque Ilgiz Tantashev. No segundo tempo, o time voltou com muito mais vontade de jogar.

John McGinn foi atropelado por Neil El Aynaoui dentro da área. O juiz ignorou e o VAR sequer chamou. Mais tarde, o mesmo El Aynaoui calçou Scott McTominay na área. Nada marcado. Para completar, Issa Diop puxou Che Adams quando o atacante saía na cara do gol. Era caso claro de cartão vermelho, mas o defensor do Fulham recebeu apenas o amarelo, gerando revolta no banco escocês.

A dinâmica do jogo só mudou de verdade por volta dos 15 minutos da etapa final. Kieran Tierney saiu machucado e deu lugar ao jovem Ben Gannon-Doak. A entrada do atacante do Bournemouth deu a agressividade que faltava. O time passou a jogar de forma mais direta, assustando o goleiro Yassine Bounou na base do abafa e das bolas paradas. McTominay quase empatou nos minutos finais, mas a bola desviada foi para a rede pelo lado de fora.

Fazer história ou voltar para casa

Apesar do futebol pobre apresentado na maior parte do tempo, o prejuízo no saldo de gols foi mínimo.

O time de Steve Clarke continua dependendo apenas de si, mas a missão agora tem contornos dramáticos.

Crédito da Foto: SNS

O próximo compromisso é na quarta-feira, em Miami, contra a poderosa seleção brasileira.

Arrancar um ponto contra o Brasil garantirá a vaga direta.

Se perder, a calculadora terá que entrar em campo para ver se os três pontos conquistados contra o Haiti serão suficientes para colocar os escoceses entre os oito melhores terceiros colocados.

A Tartan Army promete invadir a Flórida, mas o otimismo deu lugar à pura tensão.

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