Vasco sofre mais uma goleada no clássico dos milhões
O Rio de Janeiro amanheceu com tempo nublado e terminou com clima chuvoso. Mas, enquanto alguns aprendem a dançar na chuva, outros sofrem com ela. No estádio Nilton Santos, o Vasco perdeu por 4 a 1 para o Flamengo em um clássico que marcou a redenção de Pedro com a torcida rubro-negra (autor de dois gols) na vitória que garantiu a liderança na tabela. O Vasco não vence o Flamengo pelo Brasileirão desde 2015. Enquanto isso, o barco cruzmaltino tenta juntar os pedaços para manter o foco no jogo de domingo, contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil.
O clima pré-jogo era, acredite se quiser, muito semelhante para as duas torcidas. No meio da semana, Vasco e Flamengo haviam sido eliminados por clubes argentinos no Maracanã. Por conta disso, a zoeira ficou temporariamente proibida no Rio. No fim de semana seguinte, o cenário voltou a se igualar: o Vasco venceu o Corinthians em São Januário num jogo histórico com uma no apagar das luzes e o Flamengo, por sua vez, bateu o Atlético-MG num 3 a 2 também decidido nos minutos finais.
Nesse contexto, o Flamengo precisava da vitória para se consolidar no topo, especialmente após o empate sem gols entre Santos e Palmeiras. Já o Vasco necessitava dos três pontos para se afastar do Z-4 e embarcar para São Paulo com moral para a semifinal da Copa do Brasil, no próximo domingo (1º).
Em campo, o jogo foi movimentado desde o início. Logo aos 10 minutos, Pedro abriu o placar de cabeça, mas a resposta vascaína foi rápida: aos 15, Lescano deixou tudo igual. Muito se falou sobre o equilíbrio do primeiro tempo e, de fato, os clássicos regionais costumam carregar essa impressão pela dedicação e vontade dos atletas, independentemente da fase das equipes. No entanto, os números mostram uma desvantagem do Vasco na etapa inicial, apesar da sensação de um confronto mais parelho no gramado.

O Flamengo encerrou o primeiro tempo com dez finalizações contra apenas duas do Vasco, o dobro de escanteios e um XG (expectativa de gols) de 1.29 contra 0.59 do rival. Aos 40 minutos, a superioridade rubro-negra foi premiada: Pedro balançou as redes novamente e fez o Engenhão explodir antes do intervalo.
Na etapa final, a entrada de Paquetá no lugar de Plata (teve atuação discreta) deu mais dinâmica ao Flamengo, que ampliou para 3 a 1 logo nos primeiros minutos em um contra-ataque concluído por Samuel Lino. Em resposta, o técnico Pedro Emanuel promoveu três mudanças para ganhar volume ofensivo, mobilidade e presença na área: mandou a campo Piton, Tchê Tchê e Bruno Duarte.
A estratégia funcionou e o Vasco registrou 13 finalizações contra quatro do Flamengo no segundo tempo e aplicou um 4 a 0 em escanteios, mas falhou na pontaria. Essa falta de precisão na hora de definir tem custado caro ao time este ano. Vale notar que as alterações também atendem ao planejamento físico de equilibrar os minutos dos atletas para a decisão contra o Palmeiras. O Cruzmaltino pressionou até o fim, finalizou mal, não conseguiu o empate e ainda sofreu o quarto gol, novamente marcado por Samuel Lino, definido a goleada.
Olhando para a torcida, o dia no Rio foi agitado com provocações nas ruas, nas bandeiras ao redor do estádio e, principalmente, nas arquibancadas. A torcida do Vasco, por sua vez, saiu antes do jogo acabar por causa de mais um placar elástico a favor do rival.

