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Santos domina, mas peca na precisão e tropeça contra o Mirassol em noite de frustração na Vila

Os 14.751 torcedores que foram à Vila Belmiro na noite deste domingo assistiram a um filme repetido do Santos de Cuca: um time que impõe ritmo, encurrala o adversário, cria volume, mas tropeça na própria falta de pontaria e precisão.

O empate por 1 a 1 contra o Mirassol, pela 24ª rodada do Brasileirão, deixou uma incômoda sensação de derrota. Mesmo jogando com um homem a mais na reta final, o Peixe esbarrou na afobação ofensiva e desperdiçou a chance de se afastar em definitivo da parte de baixo da tabela, estagnando na 14ª posição, com 26 pontos.

Imposição sem pontaria e a punição no erro

Desde o apito inicial, o Santos ditou as cartas. O plano do técnico Cuca funcionou no papel: a marcação alta sufocou a saída de bola do Mirassol, forçando erros e garantindo o domínio do meio-campo. Sob o comando de Neymar, livre para armar e ditar o ritmo como maestro, o Peixe criou oportunidades claras. O astro distribuiu bons passes e deixou tanto Gustavo Henrique quanto Barreal na cara do gol, mas as finalizações ruins custaram caro.

A máxima do futebol não perdoou. Em uma das poucas escapadas do Mirassol, nascida de uma falha grave do lateral Escobar no campo de ataque, o visitante não perdoou: Eduardo arriscou de fora da área e superou Gabriel Brazão, abrindo o placar para o time do interior. O golpe deu uma dose de drama a um jogo em que o Santos era francamente superior.

Foto: Jota Erre/Agif

Brilho individual, empate e vantagem desperdiçada

Na etapa final, o Santos manteve a pressão e encontrou a igualdade na persistência de seus melhores nomes em campo. Mais uma vez, a genialidade de Neymar fez a diferença: o camisa 10 achou Barreal com precisão, e o argentino, com calma, estufou as redes para empatar.

Foto: Jota Erre/AGIF

O cenário ficou ainda mais favorável quando Wallisson cometeu falta dura em Neymar e foi expulso, deixando o Mirassol com dez jogadores a 25 minutos do fim. Cuca tentou oxigenar o ataque promovendo entradas como a de Thaciano, além de sacar Gabriel, que deixou o gramado visivelmente irritado após uma atuação apagada e sem sintonia com a armação.

Porém, a superioridade numérica resultou em ansiedade, e não em clareza tática. O Peixe chuveirou na área, arriscou sem o devido capricho e viu o relógio correr sem conseguir furar o bloqueio visitante.

O diagnóstico final: volume não ganha jogo sem eficiência

Cuca definiu o sentimento da noite ao declarar que a equipe fez uma “grande partida”, mas sai com “gostinho de quero mais”. O treinador tem razão ao elogiar a postura tática e o ímpeto ofensivo, mas não pode encarar a ineficiência com naturalidade. Domínio e posse de bola sem bola na rede são dados estatísticos que não somam três pontos na tabela.

Para o torcedor, fica a certeza de que o Santos encontrou uma espinha dorsal competitiva liderada por Neymar, mas que carece urgentemente de refino na hora de definir. Perder pontos em casa contra um Mirassol fechado e com um jogador a menos não é apenas um percalço; é uma sinalização de alerta para o restante da temporada.

O Santos agora precisa virar a chave rapidamente. Na próxima quarta-feira, o desafio sobe de nível nas quartas de final da Copa do Brasil contra o Palmeiras, fora de casa. Já pelo Brasileirão, o compromisso seguinte é o clássico diante do Corinthians na Neo Química Arena , duelo para o qual o técnico Cuca não poderá contar com o volante João Schmidt, suspenso após levar o terceiro cartão amarelo.

Será uma semana inteira cheia de emoção para a torcida santista que pelo menos não dorme na Zona do rebaixamento.

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