Blazers desafiam caos nos Bastidores com retorno de Lillard e aposta em Morant
Hoje (dia 20/10) começa a NBA, e para encerrar as minhas análises de times pré-temporada (Fernando Silveira – setorista de NBA), terei que ser clubista e falar do time que torço, o Portland Trail Blazers.
E antes mesmo de a bola subir, o Portland Trail Blazers já é uma franquia em chamas.
Como já analisamos exaustivamente aqui no Portal da Liga (leia sobre o caos administrativo do time aqui e aqui), o cenário fora das quatro linhas é nebuloso e tenso. O novo dono, o bilionário Tim Dundon, implementou cortes drásticos, entrou em conflito com o poder público na renovação do aluguel do Moda Center e usa a ameaça de realocação da franquia (com o fantasma da expansão para Las Vegas e Seattle rondando) como manobra de pressão.
Em meio a esse campo minado organizacional, a equipe tenta focar no que importa: a bola laranja e a continuação de um projeto esportivo que, no ano passado, finalmente deu sinais de vida.
Como foi a útima tempoarada e as novas peças
Na temporada 2025/26, os Blazers superaram as turbulências da prisão de Chauncey Billups graças ao excelente trabalho de recuperação do brasileiro Tiago Splitter. Com uma defesa sufocante que pressionava a quadra inteira, a equipe alcançou 42 vitórias, terminou em 7º lugar no Oeste, derrubou o Phoenix Suns no play-in e só caiu na primeira rodada dos playoffs diante do forte San Antonio Spurs (4 a 1).

Para tentar manter a curva de ascensão, o elenco sofreu mudanças significativas.

- Quem saiu: Jerami Grant (Memphis), Kris Murray (Memphis), Matisse Thybulle (Lakers) e Blake Wesley (Clippers).
- Quem chegou: A grande aposta de risco Ja Morant (Memphis), Jeremy Sochan (Knicks), John Tonje (Celtics), Micah Potter (Pacers) e Branden Carlson (Thunder).
O provável quinteto titular deve ser formado por Damian Lillard, Jrue Holiday, Toumani Camara, Deni Avdija e Donovan Clingan. – É meus amigos, Ja Morant, seria reserva, e ele disse que tá tudo bem desde que possa ajudar o time.
O Cara da Franquia e o que ainda falta nesse elenco
Apesar dos grandes nomes (como Ja e Dame), o verdadeiro dono do time hoje atende por Deni Avdija. O ala assumiu a responsabilidade ofensiva no ano passado e foi recompensado com o status de All-Star. Ele liderou a equipe com médias de 24,2 pontos, 6,9 rebotes e 6,7 assistências. Seu aproveitamento do perímetro caiu para 32%, mas há contexto nisso: com a bola mais tempo nas mãos para criar jogadas e enfrentando defesas muito mais focadas em pará-lo, a eficiência fatalmente sofre. Se Lillard e Morant dividirem essa responsabilidade de armação, Avdija terá arremessos mais limpos e seu teto de produção pode subir ainda mais.

O que ainda falta nesse time? Essencialmente, estabilidade mental e definição de papéis. Colocar veteranos como Lillard e estrelas imprevisíveis e em baixa, como Ja Morant (que aceitou sair do banco, mas vem de seguidos problemas físicos e extracampo), no mesmo sistema exige um controle de vestiário que será testado ao limite sob o comando do novato Micah Nori.
Expectativas do Setorista e Torcedor
Olha, vou ser bem sincero com vocês: estou com uma expectativa muito otimista. Analisando o encaixe no papel, acho que o Blazers pode perfeitamente ir a uma semifinal de Conferência ou, num cenário perfeito onde todas as peças colaborem e se mantenham saudáveis, sonhar com uma Final de Conferência.
Porém, como torcedor, estou um pouco chateado com a saída do Tiago Splitter do comando técnico. O novo dono da franquia (que é um verdadeiro mané) justificou a mudança dizendo que não queria um “estagiário” no cargo para o momento de win-now, mas foi lá e contratou o Micah Nori, que na prática assumirá o papel principal pela primeira vez, agindo exatamente como um estagiário na função principal. Espero que o novo treinador dê certo na equipe, mas desejo do fundo do coração as melhores oportunidades para o Tiago agora no Chicago Bulls.
Em quadra, estou extremamente ansioso para ver o trio formado por Damian Lillard, Scoot Henderson e Deni Avdija. Para quem não me conhece, eu morei por dois anos em Seattle e pude ir a alguns jogos em Portland em 2019, justamente naquela temporada brilhante do Lillard. Foi ali que me apaixonei pela NBA e fiquei encantado pelo Dame tanto que coloquei ele na minha lista pessoal de melhor time da história. Estou empolgado com essa “Última Dança” dele. Aos 36 anos, muitos canais americanos cravam que esta será sua última temporada, e eu só espero que ele continue encantando com jogadas sinistras, como aquela sensacional contra o OKC.
A grande dúvida tática é o encaixe com Ja Morant. Sou meio bobo também, porque gosto muito do basquete dele, mas, analisando friamente, acho que ele não vai render absurdos como estrela primária aqui. Ainda assim, pode ser um jogador super útil na rotação, ditando o ritmo da segunda unidade.
No garrafão, Donovan Clingan já provou que é muito bom, mas para este ano, creio fortemente que o Yang Hansen possa ter mais minutos e se torne uma peça fundamental de rotação para o time. Enfim, estou esperançoso, mas inegavelmente preocupado com as questões externas do Dundon. Pode ser a temporada de brilho máximo do gigante do Oregon, ou o estopim triste para vermos o time sair da cidade.
Os Primeiros 5 Jogos
Se você é como eu, um torcedor do Portland, esses são os 5 primeiros jogos da Franquia na NBA, preparados para dormir depois das 01h?
- 21/10/26 (23:00): Phoenix Suns @ Trail Blazers
- 23/10/26 (23:00): Trail Blazers @ Sacramento Kings
- 28/10/26 (00:00): Trail Blazers @ Los Angeles Lakers
- 29/10/26 (23:00): Memphis Grizzlies @ Trail Blazers (O reencontro de Ja Morant)
- 31/10/26 (16:00): Trail Blazers @ Utah Jazz
Será que dá para o time de Portland?
A diretoria de Portland tenta vender a ideia de uma reconstrução acelerada apostando no talento nostálgico de veteranos em detrimento de uma comissão técnica que já havia se provado capaz de extrair suor e defesa deste elenco.
O basquete moderno não perdoa franquias disfuncionais. Se Micah Nori não conseguir estabelecer uma hierarquia clara nos primeiros meses ,lidando com a gestão de minutos de armadores dominantes e com o declínio físico natural de Lillard e Morant, a equipe colapsará.
Não há meio-termo para os Blazers de 2026/27: ou o talento de quadra funciona imediatamente para blindar o vestiário, ou o projeto afundará justificando as terríveis decisões executivas de sua nova gestão.
