Se a NBA é definida por quem executa melhor sob pressão, o Portland Trail Blazers provou que está pronto para esse território. A vitória por 114 a 110 sobre o Phoenix Suns, no play-in, não foi apenas um resultado. Foi um teste de maturidade que o time de Tiago Splitter passou no limite.
Mais do que sobreviver, Portland soube competir
O jogo foi um retrato claro de duas narrativas: talento individual contra organização coletiva. E, no fim, a segunda venceu.
O Portland teve momentos de controle, abriu vantagem, viu o adversário crescer, perdeu a liderança no pior momento possível e, ainda assim, encontrou respostas. Isso é o que separa um time apenas empolgado de um time realmente competitivo. Em jogo eliminatório, não basta jogar bem por 30 minutos. É preciso sobreviver aos próprios erros, ao ambiente hostil e à pressão emocional do quarto período. Os Blazers fizeram isso.
Avdija foi o protagonista de verdade
Deni Avdija terminou a noite com 41 pontos, 12 assistências e 7 rebotes, números que por si só já colocam sua atuação em outro patamar.
Quando Portland parecia desorganizado e o Phoenix dava sinais de que tomaria o controle definitivo da partida, Avdija foi o jogador que estabilizou tudo. Ele pontuou, acelerou quando era preciso, controlou posses e apareceu na reta final com a jogada decisiva de três pontos. Não foi uma atuação vazia, inflada por volume. Foi uma performance de comando, de jogador que entendeu o tamanho do momento.
O último quarto expôs o melhor e o pior dos dois times
O quarto período mostrou por que esse jogo foi tão valioso para Portland. Os Suns conseguiram uma arrancada forte, viraram o placar e abriram 11 pontos, aproveitando o momento de instabilidade dos Blazers.
Mas Phoenix também mostrou sua limitação. O time teve talento para incendiar o jogo, mas não teve estrutura para fechar. Jalen Green, com 35 pontos, e Devin Booker, com 22, produziram bastante, só que o time não sustentou o nível coletivo quando a partida pediu mais frieza do que explosão.
Portland, por outro lado, não entrou em pânico. E isso talvez seja o dado mais importante da noite.
Tiago Splitter aparece na identidade do time
É aí que o trabalho de Tiago Splitter precisa ser valorizado com mais cuidado. Seria fácil transformar tudo em uma história apenas simbólica por ele ser brasileiro. Mas isso reduziria o principal: há um trabalho técnico evidente.
Os Blazers venceram porque mantiveram alguma organização mesmo no caos. O time voltou a defender melhor nos minutos finais, controlou melhor as posses e encontrou soluções fora do óbvio. Jrue Holiday fez 21 pontos, ajudando a dar equilíbrio à armação, enquanto Donovan Clingan pegou 11 rebotes e foi importante para segurar o garrafão. Grant e Sharpe também apareceram em momentos pontuais, o que mostra um time menos dependente de uma única saída.
Isso não acontece sem comando. Splitter não venceu apenas um jogo de play-in. Ele ajudou a construir uma equipe que responde mentalmente em cenário de alta pressão.
A classificação encerra um jejum, mas abre um teste maior
A vitória recoloca o Portland Trail Blazers nos playoffs depois de cinco anos, o que por si só já muda a percepção sobre a temporada. Só que a classificação não pode virar ponto de acomodação. O próximo adversário será o San Antonio Spurs, uma equipe muito mais sólida e muito menos permissiva do que esse Phoenix Suns. Reecontro histórico para o comandante brasileiro que vestiu, e foi campeão, com a camisa do Spurs.
Se Portland repetir as oscilações defensivas e os apagões do último quarto, a série pode escapar rapidamente. Contra um time mais disciplinado, não haverá tanto espaço para recuperação como aconteceu no Play-in.
Ao mesmo tempo, a atuação contra os Suns deixa um recado relevante: esse Portland aprendeu a competir de verdade. Pode até não ser favorito, mas já não entra grande jogo com postura de coadjuvante.
O recado que fica para os playoffs
Como torcedor dos Blazers, faz tempo que não dava para olhar um jogo grande sem esperar o colapso inevitável. E talvez esse seja o ponto mais animador dessa vitória. O time sofreu, errou, perdeu controle por alguns minutos e mesmo assim encontrou força para vencer.
Portland não chega aos playoffs como uma história bonita apenas porque tem um técnico brasileiro fazendo história. Chega porque, pela primeira vez em muito tempo, parece um time que entende o que está fazendo quando o jogo aperta. E na NBA, quase tudo começa por aí.