Corinthians sobrevive ao Majestoso, mas segue sem convencer na luta contra o rebaixamento
O Corinthians saiu da Vila Belmiro com um empate por 0 a 0 diante do São Paulo, em um Majestoso que carregava um peso enorme para as pretensões da equipe no Campeonato Brasileiro. Mais do que um clássico, o confronto representava uma oportunidade importante para o Timão respirar na luta contra o rebaixamento. A vitória seria fundamental, mas a derrota poderia tornar o cenário ainda mais dramático.
No fim das contas, o empate acabou sendo um resultado para comemorar diante das circunstâncias da partida. Mas é preciso deixar algo claro: o Corinthians não fez uma grande apresentação e, em determinados momentos, deu motivos de sobra para preocupação.
Na primeira etapa, o Timão conseguiu ser superior ao São Paulo em alguns momentos, teve mais iniciativa e encontrou espaços para construir suas jogadas. O problema foi a falta de efetividade.
Ter posse de bola e ocupar o campo ofensivo não significa, necessariamente, jogar bem. O Corinthians teve dificuldades para transformar seu volume de jogo em oportunidades realmente perigosas e, principalmente, em gols.
Em uma situação tão delicada na tabela, não existe espaço para desperdiçar oportunidades. O time precisa encontrar maneiras de vencer, mesmo quando não consegue apresentar um futebol brilhante.
A necessidade de pontuar é urgente, e o desempenho apresentado ainda está muito distante do que se espera de uma equipe que precisa reagir na reta final do campeonato.
E na segunda etapa, se o Corinthians já apresentava dificuldades, o cenário ficou ainda pior depois das substituições não conseguiram melhorar o desempenho da equipe. Pelo contrário: a impressão era de que o Corinthians ficava ainda mais limitado a cada mudança realizada.
Um dos pontos mais preocupantes da partida foi a atuação de Memphis Depay. A entrada do atacante, que deveria representar um ganho técnico para o Corinthians, acabou sendo frustrante.
A indignação com o desempenho do holandês foi enorme. Faltou participação, intensidade e capacidade de contribuir com a equipe em um momento no qual cada jogador precisa assumir sua responsabilidade. A atuação ficou muito abaixo do que se espera de um atleta do seu nível.
Outro episódio determinante no segundo tempo foi a expulsão de Yuri Alberto. É inegável que o atacante demonstra entrega e vontade de representar o Corinthians. Entretanto, vontade sozinha não resolve os problemas da equipe.
O excesso de intensidade e a ansiedade também podem prejudicar. Yuri perdeu oportunidades importantes durante a partida e, com a expulsão, deixou o time em uma situação ainda mais complicada.
O próximo compromisso contra o Botafogo já seria difícil por si só. Agora, a ausência do atacante torna o desafio ainda maior. Em um momento tão decisivo, o Corinthians não pode se dar ao luxo de perder jogadores por atitudes que poderiam ser evitadas…
Enquanto isso, o São Paulo cresceu na partida e passou a controlar boa parte das ações no segundo tempo. As alterações da equipe tricolor deram mais força ao time, enquanto as mudanças corintianas não produziram o efeito esperado.
Foi nesse momento que o empate começou a ganhar contornos de resultado positivo para o Timão.
Hugo Souza apareceu em momentos importantes, realizando defesas fundamentais, inclusive em uma oportunidade de grande perigo de Ferreirinha. André Ramalho também conseguiu afastar bolas que poderiam ter terminado em gol.
Mas não dá para ignorar o erro de Hugo na saída do gol, em um lance que poderia ter custado muito caro, mas graças a Angileri que teve participação decisiva ao afastar em cima da linha uma bola que tinha endereço certo para o gol.
Além disso, o Corinthians também contou com a falta de precisão do adversário, especialmente em uma oportunidade desperdiçada por Luciano cara a cara com Hugo Souza. Na oportunidade o atacante do São Paulo cavou por cima do goleiro, mas a finalização acabou tendo mais força do que jeito e bola passou por cima do travessão.
No conjunto da partida, foram muitos os momentos em que o Corinthians esteve perto de sofrer uma derrota que poderia ter consequências ainda mais graves. O resultado ainda mantém o Corinthians na zona de rebaixamento e deixa a equipe em uma situação que exige uma reação imediata, mas poderia ter sido muito pior.
Com apenas quatro rodadas restantes, o time precisa buscar pelo menos três vitórias para alcançar uma pontuação mais segura, tomando os 45 pontos como referência. Não basta pensar apenas no próximo adversário: é necessário construir uma sequência de resultados positivos.
E é justamente aí que mora a preocupação.
Como olhar para o futebol apresentado diante do São Paulo e acreditar, com tranquilidade, que o Corinthians conseguirá vencer três dos quatro compromissos restantes? Ainda mais considerando os desfalques e as dificuldades que a equipe vem apresentando.
O empate no Majestoso foi quase uma vitória pelas circunstâncias. Uma derrota poderia ter deixado o Corinthians em uma situação muito mais desesperadora. Mas sobreviver a uma partida não significa ter resolvido o problema.
Agora, a responsabilidade é dos jogadores. A torcida já demonstrou seu apoio inúmeras vezes. Continua acreditando, continua acompanhando e continua fazendo sua parte. Mas chega um momento em que a responsabilidade precisa ser assumida por quem está dentro de campo.
Os jogadores precisam entender o tamanho do que está em jogo.
Um eventual rebaixamento não representa apenas um problema institucional para o Corinthians. Também ficará marcado na trajetória profissional de cada atleta que fizer parte desse elenco.
Muitos terão oportunidades de seguir suas carreiras em outros clubes, mas carregarão a marca de terem participado de um rebaixamento histórico para o Corinthians.
Não existe mais espaço para discursos, promessas ou justificativas. É hora de entregar resultado.
O torcedor continuará apoiando, mas os jogadores precisam corresponder dentro de campo. O Corinthians ainda está vivo, mas precisa transformar essa sobrevida em reação.
O empate contra o São Paulo evitou um desastre maior. Agora, resta saber se o elenco terá capacidade de fazer esse ponto valer alguma coisa nas quatro decisões que ainda estão por vir.
