Corinthians e Palmeiras se enfrentaram neste domingo (12), pela 11ª rodada do Brasileirão, e ficaram no empate por 0 a 0. No entanto, o resultado acabou ficando em segundo plano. O clássico foi marcado por uma série de episódios lamentáveis dentro e fora de campo, que roubaram a cena e mancharam o espetáculo.
Desde os primeiros minutos, a partida apresentou um nível de agressividade acima do habitual, com entradas duras e discussões constantes.
O lateral-direito Matheuzinho foi um dos protagonistas negativos do jogo. Logo no início, deu uma entrada muito forte em Flaco López e não recebeu sequer cartão amarelo. Na sequência, voltou a atingir um adversário com o braço no rosto, novamente sem punição.
A falta de controle disciplinar contribuiu para que o jogo escalasse em tensão. Em um lance no meio-campo, o volante André, do Corinthians, perdeu a cabeça e fez um gesto obsceno em direção a um jogador palmeirense. Após revisão do VAR, acabou sendo expulso.
Já na segunda etapa, o clima voltou a explodir. Após um desentendimento, Matheuzinho desferiu um soco em Flaco López e recebeu cartão vermelho direto. O atacante do Palmeiras, por sua vez, acabou advertido com cartão amarelo no mesmo lance.
Arbitragem contestada
Apesar das expulsões corretas, a atuação da arbitragem gerou muitas críticas de ambos os lados.
Pelo lado do Palmeiras, ficou a reclamação de um possível pênalti em Ramón Sosa, que teria sido atingido dentro da área por Gabriel Paulista após se antecipar na jogada. O lance não foi marcado, e a decisão de campo foi mantida.
Já o Corinthians questionou um possível cartão vermelho para Flaco López, em lance de braço alto no rosto de Breno Bidon — situação que sequer foi revisada.
No geral, a condução da partida foi ruim. A falta de critério e de controle nos momentos iniciais contribuiu diretamente para o aumento da tensão e para os episódios mais graves ao longo do jogo.
Confusão após o apito final
Nem mesmo o encerramento da partida foi suficiente para acalmar os ânimos. Na saída de campo, o atacante Luighi, do Palmeiras, se dirigia para o exame antidoping quando foi agredido por um funcionário do Corinthians, o que gerou uma nova confusão.
Em nota oficial, o clube alviverde informou que tomará medidas legais para que os responsáveis sejam identificados e punidos.
Racismo: o episódio mais grave da noite
O momento mais revoltante da partida, no entanto, aconteceu nas arquibancadas. O goleiro Carlos Miguel, do Palmeiras, foi alvo de ofensas racistas por parte de torcedores, após realizar uma grande defesa.
Imagens registraram os insultos, e o caso rapidamente ganhou repercussão. Corinthians e Palmeiras se manifestaram oficialmente, repudiando o ocorrido e reforçando o compromisso em colaborar com a identificação dos envolvidos.
É lamentável que um dos maiores clássicos do futebol brasileiro seja lembrado por cenas de violência, descontrole e preconceito, e não pela qualidade do jogo.
Vale ressaltar que o racismo é crime e não pode ser tolerado em nenhuma circunstância.