Rebelião interna? Botafogo se estrutura para derrubar Textor
Além das tentativas de frear John Textor e suas operações consideradas obscuras no Botafogo — que, segundo apuração, teriam drenado cerca de 138 milhões de dólares para outros clubes do grupo — o clube associativo avança nos bastidores em busca de um novo investidor.
A estratégia é clara: retirar o americano do comando da SAF por vias judiciais, já com um comprador engatilhado para assumir o controle. O movimento vem sendo estruturado há meses, desde a descoberta das primeiras manobras, e conta com o apoio do BTG Pactual, responsável por buscar interessados no mercado.
engatilhado para assumir o controle. O movimento vem sendo estruturado há meses, desde a descoberta das primeiras manobras, e conta com o apoio do BTG Pactual, responsável por buscar interessados no mercado.
Mesmo com a possível entrada de novos investidores, a avaliação interna é de que a recuperação judicial deve ser inevitável para reorganizar as finanças. Até que haja uma definição, a orientação da diretoria é manter discrição, evitando ruídos que possam atrapalhar as negociações, a gestão do futebol e o desempenho da equipe dentro de campo. Outro ponto sensível é não gerar confusão ou desgaste com a torcida.
Batalha jurídica se intensifica
O caso caminha para um novo capítulo decisivo. O tribunal arbitral da Fundação Getulio Vargas já está sendo instaurado e deve definir o futuro da SAF.
O objetivo do Botafogo é retirar Textor do comando da Eagle Football Holdings, abrindo caminho para a venda a novos investidores. Paralelamente, a própria Eagle também trava disputa, acionando a Ares Management, que participou da estrutura financeira do grupo — no qual Textor é (ou foi) sócio majoritário do Lyon. Atualmente, o empresário já não tem mais poder no clube francês.
Decisões judiciais e irregularidades
Em 2024, a Justiça do Rio de Janeiro anulou as reuniões realizadas em 17 de julho que haviam alterado a composição da diretoria e do conselho da SAF do Botafogo. As decisões, conduzidas sob a presidência de Textor, foram consideradas irregulares pela 2ª Vara Empresarial.
Na ocasião, o juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima determinou que o empresário permanecesse no comando da SAF até nova avaliação do tribunal arbitral da FGV.
No processo, a Eagle alegou que as reuniões ocorreram sem sua representação válida e sob conflito de interesses. Entre as medidas aprovadas estavam um possível aumento de capital de até R$ 650 milhões e um empréstimo de 100 milhões de euros — operações que poderiam diluir a participação da empresa e transferir ativos do Botafogo para companhias ligadas a Textor, algo que, segundo as investigações, acabou se confirmando.
Restrição de poderes e tensão em curso
Em janeiro deste ano, a Justiça do Rio proibiu Textor de negociar jogadores da SAF do Botafogo, após pedido do clube associativo, devido ao uso de recursos para quitar dívidas do Lyon.
A decisão impede novas transações sem autorização judicial. O empresário chegou a tentar negociar atletas como Danilo e Montoro, mas foi barrado.
Apesar da restrição, Textor ainda mantém poderes relevantes: pode assinar compromissos financeiros, documentos e movimentar recursos da SAF. Por isso, a disputa entre o clube social e o controlador ainda está longe de um desfecho — e a guerra, nos bastidores, segue em curso.
