Botafogo

Balanço do Botafogo aponta dívida de R$ 2 bi e faturamento de R$ 1,4 bi; auditoria se abstém de opinião.

A SAF do Botafogo publicou o balanço financeiro referente ao ano de 2025 em um cenário de instabilidade administrativa, marcado por disputa societária e pela tentativa de ingresso em um processo de Recuperação Judicial. O documento revela números expressivos tanto em faturamento quanto em endividamento, além de apontar pontos de atenção destacados pela auditoria independente.

Receita recorde impulsionada por vendas de jogadores

O clube registrou faturamento bruto recorde de R$ 1,4 bilhão em 2025. Desse total, R$ 733 milhões vieram da venda de atletas, o que representa um crescimento de 661% em relação a 2024.

No balanço patrimonial, o ativo total da SAF é estimado em R$ 1,5 bilhão.

Endividamento supera R$ 2 bilhões

O passivo total divulgado chega a R$ 2 bilhões, aumento de quase R$ 500 milhões em comparação ao fim de 2024. A própria SAF, no entanto, afirma que o valor real seria de R$ 1,8 bilhão, considerando cerca de R$ 260 milhões em receitas antecipadas (valores diferidos) não incluídos no cálculo inicial.

Do total do passivo:

  • Aproximadamente R$ 662 milhões são de longo prazo
  • Mais de R$ 1,3 bilhão corresponde a obrigações de curto prazo (até um ano)

Dívidas com contratações e empréstimos

O balanço aponta R$ 1,1 bilhão em contas a pagar relacionadas a transferências de jogadores, incluindo direitos econômicos, intermediações, luvas, direitos de imagem e mecanismos de solidariedade.

Esses valores envolvem contratações como Montoro, Arthur Cabral, Artur, Danilo, Jair, Barrera, Nathan Fernandes, Rwan Cruz e Santi Rodríguez.

Além disso, em 2025 a SAF realizou nove operações de empréstimos e financiamentos com sete instituições diferentes:

  • R$ 88,3 milhões com vencimento no curto prazo
  • R$ 50,6 milhões no longo prazo

Falta de assinatura e ressalvas da auditoria

O balanço não foi assinado por representantes da SAF do Botafogo. Diferente dos anos anteriores, quando documentos eram assinados por dirigentes como CEO, CFO e contador, o relatório atual não conta com essas validações formais.

A auditoria independente BDO também se absteve de emitir opinião sobre as demonstrações financeiras, citando diversos fatores críticos.

Pontos de alerta apontados pela auditoria

Entre os principais motivos da abstenção, a BDO destacou:

  • Incerteza sobre a continuidade operacional da SAF, devido ao alto nível de endividamento de curto prazo
  • Falta de respostas completas a confirmações externas de bancos e fornecedores
  • Ausência de acompanhamento físico de estoques
  • Não recebimento de extratos bancários completos de instituições financeiras

Situação fiscal e impacto da recuperação judicial

O relatório também menciona que a SAF deixou de pagar parcelas do programa federal PERSE, o que resultou na exclusão do clube e na reativação integral da dívida com a União.

Outro ponto citado pela auditoria é a medida cautelar relacionada ao processo de recuperação judicial, além da disputa societária envolvendo o controle da SAF e a relação com o grupo Eagle Football, ligado ao Lyon.

Dívidas do clube social

O documento informa ainda que cerca de R$ 80 milhões em dívidas do clube social foram quitadas em 2025, reduzindo o passivo para aproximadamente R$ 547,9 milhões nessa esfera.

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