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Santos expõe feridas crônicas em noite que tinha tudo para consolidar o Peixe no topo

Se você assistiu ao confronto entre Atlético-MG e Santos na Arena MRV no domingo ( e depois passou o feriado curtindo e não pensando no Peixe), o sentimento ao apito final não foi apenas de frustração, mas de absoluta confirmação: o torcedor santista já sabia o que estava prestes a acontecer. Quem acompanha a rotina do Peixe percebe de longe que a conta de um elenco desequilibrado uma hora chega, e desse vez chegou da forma mais dolorosa possível.

A derrota por 2 a 1, construída em um apagão inacreditável nos instantes finais, colocou fim à sequência de oito jogos de invencibilidade e interrompeu a caminhada rumo ao que seria a sexta vitória seguida como visitante. O Santos teve o jogo nas mãos. Teve a vitória desenhada pelo talento de quem decide. Mas entregou três pontos de bandeja porque seu sistema defensivo simplesmente não suporta a pressão quando o nível de exigência sobe.

A genialidade de Coutinho e a eficiência de Gabigol

Do meio-campo para a frente, o Santos atua como postulante a grandes conquistas. A entrada de Philippe Coutinho na reta final da partida foi a prova viva de que classe não se perde. Mesmo caçado em campo, com o sistema defensivo do Atlético-MG se revezando em uma marcação implacável para fechar seus espaços até atrás da linha central, bastou um único lampejo de gênio para mudar o rumo do jogo.

Coutinho costurou a marcação na entrada da área em tabelas curtas e entregou a bola limpa para Gabigol assinar seu 24º gol na temporada aos 42 minutos da etapa final. Era o enredo perfeito para mais uma exibição cirúrgica fora de casa. Contudo, essa força ofensiva e o repertório técnico no banco de reservas escondem uma realidade perigosa: o ataque precisa produzir em dobro para compensar as fragilidades que habitam a própria área.

O colapso defensivo: improvisação e atuações indefensáveis

O problema do Peixe não é um erro fortuito de percurso; é estrutural. A defesa santista é hoje um castelo de cartas. E quando a tempestade chega, as fragilidades ficam expostas.

Willian Arão firmou-se como o melhor zagueiro da equipe. Isso diz muito mais sobre a escassez do setor do que sobre a qualidade do atleta. Ao seu lado, nomes com peso e bagagem como Lucas Veríssimo e Luan Peres que estão vivendo de memórias passadas. Em termos de futebol jogado no presente, entregam inconsistência. Os dois gols do Galo nos minutos finais passaram diretamente por falhas individuais e de posicionamento da dupla. Para Luan Peres, inclusive, a Arena MRV vai se tornando um pesadelo recorrente, revivendo os fantasmas da eliminação na Copa Sul-Americana.

Sobrou até para o goleiro Diógenes, que pecou na leitura dos lances decisivos: foi omisso no primeiro gol e demonstrou reação nula no tento da virada mineira. Na lateral esquerda, a situação beira o amadorismo de planejamento: Escobar jogou visivelmente no sacrifício muscular por falta de opções viáveis, já que os garotos da base não passam confiança à comissão técnica e a alternativa imediata no banco era o próprio Luan Peres improvisado.

Cuca terá que fazer milagre no malabarismo até o fim do ano

Não há mágica disponível no mercado até o fim do campeonato. O desequilíbrio no elenco do Santos é uma ferida exposta que só será cicatrizada no planejamento da próxima temporada. Até lá, caberá a Cuca equilibrar os pratos e conviver com lesões e desfalques alarmantes.

O Santos volta a campo contra o Fluminense, no Maracanã. Terá uma semana inteira de treinos. Se quiser brigar por algo grande e não transformar a reta final do Brasileirão em uma montanha-russa de apreensão, Cuca precisará fechar a cozinha com urgência. Porque contar apenas com o brilho individual de Coutinho e a estrela de Gabigol não será suficiente toda semana quando a defesa insistir em deixar a porta aberta.

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