Athletico visita o Grêmio com desfalques, dúvidas e a missão de pontuar na briga pela Libertadores
Nesta quinta-feira, dia 29, o Athletico Paranaense visita o Grêmio, em Porto Alegre, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Furacão chega para o confronto após iniciar uma sequência de dois jogos consecutivos fora de casa. No último sábado, a equipe esteve em Salvador, onde empatou em 1 a 1 com o Vitória.
Atualmente na quarta colocação, o Athletico perdeu a terceira posição para o Cruzeiro na última rodada. As duas equipes estão empatadas em pontos, mas o time mineiro leva vantagem no número de vitórias.
Apesar da perda de uma posição, os demais resultados da rodada foram favoráveis ao Furacão. As derrotas de Fluminense para a Chapecoense e do Atlético-MG para o Flamengo, além do empate entre Santos e Bahia, permitiram que o Athletico garantisse mais uma rodada dentro do G5, até mesmo em caso de derrota diante do Grêmio.
Ainda assim, o objetivo da equipe é pontuar em Porto Alegre e seguir firme na disputa por uma vaga na Copa Libertadores da América de 2027.
Departamento médico cheio e problemas para Odair Hellmann
As lesões voltaram a ser uma dor de cabeça frequente para o técnico Odair Hellmann. Com o departamento médico cheio e suspensões importantes, o treinador terá dificuldades para montar a equipe que enfrentará o Grêmio.
Um dos casos é o do zagueiro Carlos Terán, que convive com problemas físicos. Entretanto, sua ausência também envolve uma questão contratual. Após não chegar a um acordo com a diretoria para a renovação de seu vínculo para a próxima temporada, o defensor não atuará mais com a camisa rubro-negra.
Outro desfalque importante é Claudinho. O ala-esquerdo, que estreou profissionalmente nesta temporada e vinha acumulando boas atuações, rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) no confronto contra o Palmeiras. A previsão é de que fique afastado dos gramados por pelo menos oito meses.
Além deles, Gilberto e Jadson estão fora por suspensão, após receberem o terceiro cartão amarelo.
Viveros é dúvida, e retornos ainda exigem cautela
A principal preocupação fica por conta de Kevin Viveros, artilheiro do Campeonato Brasileiro com 21 gols. O atacante virou dúvida após um lance na partida contra o Vitória, quando torceu o joelho e deixou o campo sentindo muitas dores.
Viveros ficou de fora dos primeiros treinamentos da semana e será avaliado até o momento da partida. Caso tenha condições de jogo, a tendência é que seus minutos sejam controlados. A principal dúvida é se começará como titular ou se ficará como opção para o segundo tempo.
O Athletico também terá o retorno de alguns jogadores que estão em fase final de recuperação, mas ainda sem condições físicas ideais para atuar durante os 90 minutos.
É o caso do lateral-direito Gastón Benavídez, que não joga desde o clássico Atletiba, disputado em 11 de setembro. Na ocasião, sofreu uma pancada na panturrilha em um lance com Lavega, do Coritiba, e desde então está afastado.
Benavídez voltou a ficar à disposição, mas, ainda sem ritmo de jogo e longe de estar 100%, deve começar no banco de reservas.
A mesma situação vale para Dantas e Vargas. O primeiro sentiu a coxa durante um treinamento há cerca de duas semanas, enquanto Vargas sofreu dores no ombro na partida contra o Atlético-MG, comprometendo sua articulação e mobilidade.
Os dois vêm treinando, mas com cautela, e a expectativa é de que possam receber alguns minutos durante a segunda etapa.
Provável escalação do Athletico
Diante dos desfalques, das suspensões e das limitações físicas de alguns atletas, o provável Athletico para enfrentar o Grêmio é formado por:
Mycael; Arthur Dias, Felipe Aguirre e Lucas Esquivel; Mendoza, Portilla, Luiz Gustavo, Léo Derik e Leozinho; João Cruz e Kevin Viveros.
A escalação, entretanto, ainda depende da condição física de alguns jogadores e das decisões de Odair Hellmann.
Caso Viveros não reúna condições para iniciar a partida ou tenha sua minutagem limitada, Jorge Rivaldo aparece como uma das alternativas para ocupar a função ofensiva.
Outra mudança importante envolve Mendoza. Com os desfalques de Gilberto e Benavídez, o jogador deve atuar pelo lado direito, enquanto Léo Derik aparece como opção para ocupar a ala esquerda.
A possível utilização de Léo Derik também chama a atenção pelo contexto extracampo. O jogador foi condenado em dois casos de estupro e ainda pode recorrer da decisão judicial. Sua eventual presença na equipe é um dos pontos que geram questionamentos na montagem do time.
Como o Athletico pode se comportar taticamente?
Com tantas mudanças e improvisações, a principal dúvida fica por conta da maneira como o Athletico vai se comportar em campo.
Uma das características mais marcantes da equipe é a busca pela transição rápida, explorando os contra-ataques e utilizando Kevin Viveros como principal referência ofensiva. Com força física, imposição e velocidade, o colombiano consegue levar vantagem sobre os defensores, atacar os espaços e criar oportunidades claras de gol.
Não por acaso, Viveros participa diretamente de 24 dos 50 gols marcados pelo Athletico no Campeonato Brasileiro, números que demonstram a importância do atacante para o funcionamento ofensivo da equipe.
Sem ele em plenas condições, o treinador precisará encontrar alternativas para manter essa característica de jogo.
Uma possibilidade seria utilizar Kerwin Vargas como um falso nove, função que o jogador já desempenhou no confronto contra o Bahia, na Arena da Baixada. Apesar de apresentar características diferentes das de Viveros, Vargas pode atacar os espaços e explorar as entrelinhas, oferecendo profundidade ao setor ofensivo.
Entretanto, caso também tenha sua minutagem limitada, a alternativa pode ser Jorge Rivaldo. O colombiano não apresenta, ao menos pelas características conhecidas, o mesmo perfil de jogador de transição de Viveros. Ainda assim, existe a expectativa de observar como poderia desempenhar essa função caso receba a oportunidade.
Bola parada é um dos principais pontos de atenção
Se o setor ofensivo gera dúvidas, o sistema defensivo também exige muita atenção.
A tendência é que o Athletico encontre um Grêmio pressionando desde os primeiros minutos, especialmente por jogar em casa, diante de sua torcida. Nesse cenário, será fundamental que o Furacão saiba suportar a pressão sem recuar excessivamente e permitir que o adversário explore as jogadas aéreas.
Uma postura muito baixa, com o Grêmio tendo liberdade para trabalhar a bola e cruzar para a área, pode ser perigosa para a defesa rubro-negra. O time gaúcho conta com Carlos Vinícius como referência no ataque, um jogador que pode se impor pelo alto e criar dificuldades para os defensores.
O retrospecto do Athletico nas bolas paradas também preocupa. A equipe sofreu 17 gols nesse tipo de jogada ao longo do campeonato, dividindo a liderança negativa da estatística com a Chapecoense, lanterna da competição.
É um dado bastante preocupante para o Furacão, principalmente diante de um adversário que pode explorar essa fragilidade. Por isso, a concentração defensiva, o posicionamento e a disputa pelo alto serão fundamentais para evitar que o Grêmio encontre caminhos para marcar.
A grande curiosidade será observar como Odair Hellmann organizará uma equipe tão modificada para enfrentar um adversário que precisa do resultado e deve começar a partida pressionando.
Resultado não pode ser o único fator de avaliação
É verdade que o Athletico precisa pontuar em Porto Alegre para continuar se aproximando de seu principal objetivo na temporada: conquistar uma vaga na Copa Libertadores da América de 2027.
Entretanto, diante de tantos desfalques e problemas físicos, uma eventual derrota não deve ser encarada como uma tragédia. O momento também exige inteligência no planejamento, principalmente pensando na sequência do campeonato.
Preservar jogadores que ainda não estão em plenas condições físicas pode ser importante para evitar novas lesões e permitir que o elenco esteja mais preparado para os próximos compromissos. O confronto seguinte, contra o Vasco, na Arena da Baixada, também exigirá atenção da comissão técnica na administração do elenco.
A estratégia pode passar por utilizar os jogadores disponíveis, mesmo que isso represente uma queda de qualidade técnica em determinados setores, e buscar um resultado positivo sem comprometer a recuperação dos atletas que estão voltando de lesão.
A pressão do Grêmio pode abrir espaços para o Furacão
Apesar das dificuldades, o Athletico pode encontrar oportunidades justamente na pressão que estará do lado gremista.
O Grêmio vem de uma vitória sobre o Coritiba na última rodada, mas continua pressionado pela situação na tabela e pela necessidade de conquistar resultados. Jogando diante de sua torcida, a equipe pode assumir o protagonismo desde o início, aumentando a intensidade e buscando o gol rapidamente.
Se souber administrar esse cenário, o Furacão poderá transformar a pressão da arquibancada em uma aliada. Quanto maior a ansiedade do adversário, maiores podem ser as chances de erros, espaços entre as linhas e oportunidades para explorar os contra-ataques.
Para isso, porém, será fundamental que o Athletico consiga ser efetivo nas conclusões. A equipe precisa aproveitar as oportunidades que criar, algo que conseguiu fazer recentemente diante da Chapecoense, mas que deixou a desejar contra o Red Bull Bragantino, na Arena da Baixada, quando desperdiçou diversas chances de gol.
Em uma partida que promete ser complicada, especialmente pelas limitações do elenco, desperdiçar oportunidades pode custar caro.
Pontuar em Porto Alegre é fundamental
O Athletico chega para enfrentar o Grêmio em um cenário de desafios físicos, desfalques importantes e dúvidas na formação titular. Ao mesmo tempo, segue em uma posição favorável na tabela e depende de bons resultados para consolidar sua presença entre os primeiros colocados.
Mais do que apresentar um futebol de alto nível durante os 90 minutos, o Furacão precisará demonstrar organização, concentração defensiva e eficiência nas oportunidades criadas.
A comissão técnica também terá de encontrar soluções para minimizar a ausência de Viveros, equilibrar a utilização dos jogadores que retornam de lesão e evitar que as fragilidades nas bolas paradas voltem a comprometer o resultado.
O desafio é grande, mas o objetivo está claro: aproveitar as oportunidades, saber lidar com a pressão em Porto Alegre e voltar para casa com pontos importantes na luta por uma vaga na Copa Libertadores da América de 2027.
