RD Congo faz campanha histórica e chega ao mata-mata da Copa do Mundo
Poucos imaginavam que a República Democrática do Congo chegaria à fase eliminatória da Copa do Mundo de 2026. Colocada em um grupo com Portugal, Colômbia e Uzbequistão, a seleção africana entrou no torneio como azarã. No entanto, terminou a fase de grupos escrevendo um dos capítulos mais importantes de sua história ao conquistar uma classificação inédita para o mata-mata. A vaga foi confirmada neste sábado (27), após a vitória por 3 a 1 sobre o Uzbequistão, resultado que colocou os Leopardos entre os melhores terceiros colocados da competição.
Mais do que a classificação, chama atenção a maneira como ela foi construída. A RD Congo cresceu durante o torneio, evoluiu taticamente a cada partida e mostrou personalidade mesmo diante de adversários tecnicamente superiores.
Evolução durante a fase de grupos foi o maior trunfo
A campanha congolesa pode ser dividida em três momentos distintos.
Na estreia, a equipe empatou com Portugal e mostrou que tinha capacidade para competir em alto nível. Mesmo enfrentando uma das favoritas do grupo, conseguiu neutralizar boa parte das ações ofensivas portuguesas, defendendo com intensidade e explorando bem os contra-ataques.
Na segunda rodada veio a derrota por 1 a 0 para a Colômbia. Apesar do resultado negativo, a atuação novamente foi competitiva. A seleção africana dificultou bastante o jogo colombiano, manteve a organização defensiva e perdeu por detalhes.
A recompensa veio na última rodada. Precisando vencer para seguir viva, a RD Congo mostrou maturidade para reagir após sair atrás do placar contra o Uzbequistão e buscou uma vitória por 3 a 1, conquistada com autoridade e grande atuação ofensiva, liderada por Yoane Wissa.
Organização coletiva foi o principal destaque
Se existe um aspecto que explica a campanha congolesa é a força coletiva. A equipe conseguiu competir durante praticamente todos os minutos da fase de grupos. Mesmo quando teve menos posse de bola, permaneceu organizada, compacta e extremamente intensa na marcação.
Defensivamente, Chancel Mbemba liderou uma linha sólida ao lado de Axel Tuanzebe e Aaron Wan-Bissaka, enquanto o goleiro Lionel Mpasi transmitiu segurança nos momentos de maior pressão.
No setor ofensivo, Yoane Wissa foi o grande destaque da equipe. O atacante foi decisivo na classificação ao participar diretamente dos gols da vitória sobre o Uzbequistão e se consolidou como o principal artilheiro da seleção com três gols.
Outro ponto positivo foi a capacidade do time em atacar em velocidade. Sempre que recuperava a bola, a RD Congo buscava acelerar as transições, aproveitando a força física e a velocidade de seus atacantes.
Ainda há pontos que precisam evoluir
Apesar da classificação histórica, a seleção ainda apresenta limitações importantes. Em alguns momentos, a equipe sofre para controlar o ritmo das partidas quando precisa propor o jogo. Contra a Colômbia e em parte do duelo diante do Uzbequistão, por exemplo, faltou maior qualidade na circulação da bola e mais eficiência nas finalizações.
Além disso, alguns espaços entre os volantes e a defesa ainda aparecem quando o adversário consegue acelerar as jogadas pelo corredor central.
São detalhes que precisarão ser corrigidos rapidamente, principalmente diante do nível do próximo adversário.
Inglaterra é o próximo desafio
O próximo desafio será contra a Inglaterra, uma das seleções mais fortes da competição e favorita ao confronto.
No entanto, a Copa do Mundo já mostrou que organização tática pode equilibrar forças. A própria Inglaterra encontrou muitas dificuldades diante de Gana na fase de grupos, ficando no empate sem gols após enfrentar uma seleção africana extremamente intensa na marcação e disciplinada defensivamente.
A RD Congo possui características semelhantes. É um time forte fisicamente, compacto sem a bola e muito perigoso nas transições rápidas.
Naturalmente, os ingleses entram como favoritos pela qualidade individual e profundidade do elenco. Mas se os Leopardos repetirem o nível de organização apresentado diante de Portugal e Colômbia, além da intensidade mostrada contra o Uzbequistão, têm condições de transformar o confronto em um dos mais complicados desta fase eliminatória.
Independentemente do que acontecer no mata-mata, a campanha já representa um marco para o futebol congolês. A seleção deixou de ser apenas uma participante da Copa para se tornar uma equipe respeitada pela competitividade apresentada e chega embalada pela confiança de quem provou que pode enfrentar qualquer adversário.
