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Equador cresce na hora certa, supera dificuldades e chega fortalecido para enfrentar o México

Quando o sorteio colocou Alemanha, Costa do Marfim e Curaçao no caminho do Equador, a expectativa era de uma campanha segura rumo ao mata-mata. Na prática, porém, a seleção precisou superar muito mais dificuldades do que o esperado para conquistar a classificação.

A estreia terminou com derrota por 1 a 0 para a Costa do Marfim, em um jogo equilibrado decidido nos minutos finais. Na segunda rodada, o Equador dominou Curaçao, criou inúmeras oportunidades, mas parou em uma atuação histórica do goleiro Eloy Room e ficou apenas no empate sem gols. A situação obrigava a equipe a vencer a Alemanha na última rodada para seguir sonhando com a vaga.

E foi justamente no momento de maior pressão que apareceu a melhor versão da equipe. Mesmo saindo atrás do placar, o Equador mostrou personalidade para virar sobre os alemães por 2 a 1, com gols de Nilson Angulo e Gonzalo Plata, garantindo a classificação como uma das melhores terceiras colocadas da competição.

Uma equipe que evoluiu durante a competição

Se existe uma palavra para definir a campanha equatoriana, ela é evolução.

O primeiro jogo mostrou uma equipe intensa, mas pouco eficiente. Contra Curaçao, o volume ofensivo aumentou ainda mais, porém a falta de precisão nas finalizações voltou a custar caro. Já diante da Alemanha, o Equador conseguiu reunir tudo o que havia apresentado de positivo nas partidas anteriores: intensidade, pressão na saída de bola, organização defensiva e, principalmente, eficiência nas oportunidades criadas.

Sebastián Beccacece conseguiu manter a identidade construída durante todo o ciclo para a Copa do Mundo. O Equador continuou sendo uma equipe agressiva sem a bola, capaz de recuperar a posse em zonas altas do campo e acelerar rapidamente as transições ofensivas.

Coletivamente, talvez tenha sido uma das seleções mais organizadas da fase de grupos.

A força esteve no coletivo

Diferentemente de outras seleções que dependem de uma ou duas estrelas, o Equador chegou ao mata-mata sustentado pelo desempenho coletivo.

Moisés Caicedo comandou o meio-campo com enorme regularidade. Gonzalo Plata cresceu na reta final da fase de grupos e decidiu a classificação contra a Alemanha. Nilson Angulo aproveitou a oportunidade quando entrou na equipe e respondeu com um gol fundamental. Alan Franco, Alan Minda e Piero Hincapié também mantiveram um nível elevado durante praticamente toda a competição.

Ainda assim, seria injusto apontar apenas um grande destaque individual. O principal mérito da campanha foi justamente o funcionamento coletivo. O Equador mostrou intensidade, organização e um padrão de jogo muito claro independentemente do adversário.

Enner Valencia ficou devendo

Se o coletivo funcionou, o mesmo não pode ser dito sobre Enner Valencia. Principal referência ofensiva da seleção e um dos jogadores mais experientes do elenco, o atacante vive uma Copa do Mundo muito abaixo do esperado.

Contra a Costa do Marfim desperdiçou oportunidades importantes. Diante de Curaçao voltou a perder chances claras que poderiam ter evitado toda a pressão da última rodada. Mesmo contra a Alemanha, quando a equipe conseguiu a classificação, novamente deixou escapar boas oportunidades.

A sensação é que o Equador poderia ter chegado ao mata-mata de forma muito mais tranquila se seu principal atacante tivesse aproveitado parte das chances criadas.

Ainda assim, sua movimentação continua sendo importante para abrir espaços aos companheiros. O desafio agora é transformar esse trabalho sem a bola em gols nos jogos eliminatórios.

México será um grande desafio

Agora o desafio será contra o México, em um confronto que promete ser bastante equilibrado. A seleção mexicana avançou como primeira colocada de seu grupo e chega embalada para o mata-mata.

O estilo do adversário é diferente dos enfrentados até aqui. Enquanto Alemanha e Costa do Marfim ofereceram mais espaços para transições, o México costuma ser uma equipe mais organizada defensivamente e que também gosta de disputar o controle do meio-campo.

Por isso, o Equador precisará manter a intensidade apresentada contra a Alemanha, mas aumentar sua eficiência nas finalizações. Em partidas eliminatórias, criar muito já não basta. Será necessário transformar as oportunidades em gols.

A boa notícia é que a seleção chega ao mata-mata no seu melhor momento dentro da competição. Depois de uma campanha de crescimento constante, o Equador recuperou a confiança e mostrou que pode competir contra qualquer adversário. Se repetir o desempenho coletivo apresentado na última rodada e a equipe tem condições reais de seguir escrevendo uma bela história nesta Copa do Mundo.

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