Após quatro décadas de ausência, o Iraque retorna à Copa do Mundo em 2026, marcando um dos momentos mais emocionantes da história recente do futebol asiático. A classificação veio de forma dramática, na repescagem intercontinental contra a Bolívia, com gols de Ali Al-Hamadi e Aymen Hussein — este último o herói nacional que selou a vaga. O vídeo “Como joga o Iraque? (Grupo I – Copa do Mundo 2026)”, do canal Rafael Oliveira, oferece uma análise profunda sobre o estilo de jogo da equipe comandada por Graham Arnold, o contexto histórico, o grupo extremamente desafiador e as perspectivas da seleção. Com base nessa análise, podemos entender como os iraquianos chegam ao torneio: cheios de garra, organização tática e ambição de surpreender.
O retorno após 40 anos é carregado de simbolismo. A última participação foi em 1986, no México, em meio à Guerra Irã-Iraque. Desde então, guerras, sanções, instabilidade política e desafios logísticos marcaram o futebol iraquiano. A qualificação para 2026 representou não apenas um feito esportivo, mas uma catarse nacional. Milhões de iraquianos celebraram nas ruas de Bagdá, unindo o país em uma rara onda de alegria coletiva.
O técnico Graham Arnold, ex-treinador da Austrália, assumiu em momento crítico e trouxe estabilidade. Ele implementou disciplina, proibiu redes sociais durante as concentrações para focar no coletivo e enfatizou a mentalidade de lutadores. “Somos fighters”, repetem jogadores e comissão técnica. Ao longo do ciclo, o time evoluiu significativamente. Arnold encontrou um equilíbrio entre talento local e a diáspora (jogadores formados na Europa). A equipe ganhou em disciplina tática, intensidade física e mentalidade vencedora. Contra a Bolívia, mostrou resiliência em condições adversas (viagens longas e jet lag). Recentemente, empatou com a Espanha, campeã europeia, demonstrando progresso.
O Grupo I é considerado um dos mais difíceis da Copa: França, Senegal, Noruega e Iraque. Os franceses são favoritos absolutos, com talento de sobra liderado por Kylian Mbappé. O Senegal traz força física africana e experiência recente em Copas. A Noruega conta com Erling Haaland, um dos melhores atacantes do mundo. Para o Iraque, cada jogo será uma batalha. Como destacado no vídeo, o grupo é “muito difícil”, exigindo pragmatismo e contra-ataques eficientes. O Iraque enfrentará a Noruega na estreia (16 de junho), depois a França e o Senegal — uma sequência que testa limites físicos e mentais.
Taticamente, o Iraque de Arnold adota uma abordagem equilibrada, frequentemente em 4-4-2 ou variações compactas. O time base prioriza solidez defensiva, transições rápidas e cruzamentos para os atacantes. O goleiro Jalal Hassan (capitão) ou Fahad Talib oferece segurança. Na defesa, nomes como Merchas Doski (Viktoria Plzen), Rebin Sulaka, Manaf Younis e Hussein Ali trazem experiência europeia. O meio-campo é o coração da equipe: Zidane Iqbal (Utrecht), Kevin Yakob, Amir Al-Ammari e Ibrahim Bayesh controlam o jogo, combinando técnica e vigor. No ataque, Aymen Hussein é a referência, apoiado por Ali Al-Hamadi (Ipswich) e Ali Jasim. O vídeo detalha variações, como o uso de alas para explorar espaços e ajustes em jogos contra seleções mais fortes, priorizando compactação para explorar erros adversários.
Pontos fortes incluem o espírito coletivo, contra-ataques letais e a capacidade de sofrer pressão sem desmoronar. As fraquezas são a menor experiência em alto nível, a dependência de poucos craques e desafios logísticos persistentes. Ainda assim, o Iraque não vai ao torneio para passear. Com mentalidade de “chocar o mundo”, como diz Arnold, eles buscam pontos contra qualquer adversário. Um empate ou vitória heroica contra Noruega ou Senegal poderia abrir as portas para as oitavas de final — feito inédito para o país.
O futebol iraquiano sempre teve paixão: em 2007, venceram a Copa Asiática em meio ao caos interno. Essa resiliência histórica é o grande trunfo. Jogadores-chave como Aymen Hussein, Zidane Iqbal e o capitão Jalal Hassan carregam o sonho de uma nação. A preparação incluiu camp na Espanha e amistosos exigentes. Apesar de ser azarão (com odds altíssimas), o Iraque representa o romantismo da Copa: times que superam adversidades fora de campo para brilhar dentro dele.
Em resumo, o Iraque chega à Copa 2026 como um underdog motivado, organizado e unido. Não se espera título, mas sim atuações dignas que inspirem 46 milhões de iraquianos. Os Leões da Mesopotâmia rugirão em solo americano (e canadense/mexicano), provando que o futebol transcende guerras e fronteiras. Seja qual for o resultado, a participação já é uma grande vitória. Que venha a Copa! O mundo assistirá com respeito a essa história de superação.