“Se houver uma camisa preta e branca pendurada no varal, o atleticano torce contra o vento”.
Em jogo válido pela 6ª rodada da Copa Sul-Americana, Atlético e Puerto Cabello se enfrentaram na Arena MRV, na noite de quarta-feira, em um duelo que valia a classificação direta para as oitavas de final da competição.
Na Copa Sul-Americana, o desempenho fora de casa do Galo foi irrisório, contando com um empate com gosto de derrota frente ao Juventud-URU, por 2 a 2. As derrotas ocorreram para o próprio Puerto Cabello, na Venezuela, e para o Cienciano-PER. Em casa, o cenário foi bem diferente. O Galo mantinha 100% de aproveitamento até o confronto decisivo contra o Puerto Cabello.
Como foi a partida
O Galo entrou em campo muito pressionado, pois apenas a vitória resolveria o seu problema. Um empate deixaria o Atlético fora da próxima fase devido aos critérios de desempate nos confrontos diretos, tanto contra o Juventud quanto contra o Cienciano e o Puerto Cabello. Com isso, a partida ganhou em dramaticidade, e o nervosismo, não apenas dos jogadores, mas também da torcida, pôde ser percebido logo de início.
A escalação do Galo foi aquela a que a torcida já está acostumada, algo que, antes da partida, trouxe um certo alívio, pois repetir a escalação no futebol brasileiro é raridade.
A primeira etapa foi marcada pela ansiedade e pelo nervosismo de querer resolver logo o placar e construir a vantagem. Porém, do outro lado, havia uma equipe muito forte fisicamente, o que colocou o Galo em dificuldades, já que a marcação dos venezuelanos estava bem encaixada. A primeira grande chance da partida foi justamente do time adversário, exigindo uma boa defesa do goleiro Éverson.
Após este momento de perigo, o Galo passou a dominar as ações, mas continuou pecando no último terço do campo. O primeiro tempo também foi marcado por muita cera, principalmente do goleiro adversário, que ganhava todo o tempo que podia em cada tiro de meta.
A etapa complementar começou da mesma forma, com muita marcação por parte do Puerto Cabello e insistência do Galo em armar as jogadas ofensivas. Na volta para a segunda etapa, o técnico Domínguez tirou Alan Minda, que estava bem marcado, e colocou Dudu, gerando uma certa apreensão na torcida, já que o atleta não vinha rendendo o esperado.
Mas, neste jogo, foi diferente. Com a entrada de Dudu, o Galo se tornou mais perigoso, e o meia-atacante foi peça fundamental na construção das jogadas, levando muito perigo seja em situações criadas por ele mesmo — como em um chute em que o goleiro adversário apareceu bem — ou em passes importantes, principalmente um que encontrou Bernard, que finalizou para outra ótima defesa do arqueiro.
De tanto pressionar e criar chances, o Atlético chegou ao seu gol através de Bernard, aos 17 minutos. No lance, ele mesmo tentou a jogada individual e contou com sua própria insistência ao recuperar a bola que havia perdido ao tentar um passe, finalizando de perna esquerda no canto do goleiro.
Aqui o golaço de Bernard, o gol do alívio:
https://www.youtube.com/watch?v=WsUUCB1ILUw
Bernard extravasando após seu gol;

Com o resultado positivo, Domínguez tirou Bernard e colocou Alexsander no lugar de Maycon para dar mais gás ao meio-campo, além de promover a entrada de Cissé na vaga de Vitor Hugo. Com isso, o Galo ganhou velocidade pelas pontas e cansou o Puerto Cabello. O principal detalhe é que a equipe não sofreu com as bolas aéreas, mantendo o placar de 1 a 0 e garantindo a liderança do Grupo B.
Classificação final do Grupo B:
- Atlético — 10 pontos
- Cienciano-PER — 8 pontos
- Juventud-URU — 7 pontos
- Puerto Cabello-VEN — 7 pontos
Com a vitória, o Galo, além de avançar na liderança, alcançou uma marca expressiva em competições internacionais, somando Sul-Americana e Libertadores:
- 15 jogos
- 13 vitórias
- 1 empate
- 1 derrota
- 30 gols marcados
- 9 gols sofridos
- Um aproveitamento de 88,89%.
Na zona mista após o jogo, Bernard comentou sobre a sua reviravolta após a polêmica em que colocou a mão na orelha. O fato é que o meia reencontrou o bom futebol e, nos últimos cinco jogos, vem participando diretamente com gols ou assistências.
https://www.instagram.com/reels/DY3ZOBayZaH
Minha opinião
O Atlético superou adversidades, desconfianças e muita pressão por parte da torcida sobre o técnico e alguns jogadores. O fato é que, desde a vitória contra o eterno rival, o Galo começou a se encaixar neste esquema de jogo, mesmo com dois resultados adversos contra Botafogo e Corinthians.