Verstappen admite que esteve perto de se aposentar
Após renovar com a Red Bull até 2030, Max Verstappen revelou que chegou a considerar deixar a Fórmula 1 antes de assinar o novo contrato.
Segundo o tetracampeão mundial, a possibilidade de aposentadoria ganhou força por causa das mudanças técnicas implementadas pela categoria em 2026.
Além disso, Verstappen afirmou que esteve mais próximo de abandonar a F1 do que de trocar de equipe. A declaração ocorreu antes do GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
Durante meses, rumores apontaram uma possível transferência para outras equipes. McLaren e Mercedes, principalmente, apareceram entre os destinos especulados para o holandês.
No entanto, o piloto explicou que sua principal dúvida não envolvia necessariamente a Red Bull. Na realidade, ele questionava se ainda queria continuar na categoria diante do novo regulamento.
“Eu estava mais perto de me aposentar do que de trocar de equipe”, afirmou Verstappen à imprensa em Zandvoort.
“Depois das primeiras corridas, falei para Laurent [Mekies]: ‘Não venha com perguntas sobre o futuro, porque nem sei se quero ficar’.”
Apesar das dúvidas iniciais, Verstappen mudou gradualmente de posição. Para isso, conversas com a própria F1 e com a FIA ajudaram a diminuir suas preocupações.
“Adoro correr. Tive muitas conversas muito boas com a F1, mas também com a FIA sobre os regulamentos”, explicou.
“Estamos caminhando aos poucos em direção a algo que fica cada vez melhor. Então, da minha parte, também me adaptei e aceitei a situação.”
Mudanças nos motores influenciaram decisão
A principal insatisfação de Verstappen envolve as novas unidades de potência adotadas pela F1 em 2026. O regulamento aproximou a participação dos motores de combustão e da energia elétrica.
Consequentemente, o gerenciamento da bateria ganhou importância durante as corridas. Além disso, os pilotos precisaram lidar com novas estratégias para administrar a energia disponível.
Verstappen criticou diversas vezes esse formato. Entretanto, a perspectiva de mudanças futuras ajudou a alterar sua visão sobre a permanência na categoria.
A FIA já trabalha para introduzir motores V8 na próxima geração de regulamentos. Atualmente, a entidade prevê a mudança para 2031, mas busca antecipá-la para 2030.
Esse cenário também aparece como um possível fator de motivação para Verstappen continuar na F1. O holandês admitiu que o retorno dos V8 pode influenciar suas decisões no futuro.
“Com o prazo do novo contrato, abrem-se as portas para quando os V8 vierem. Possivelmente, analisaremos isso novamente”, afirmou.
Além disso, Verstappen destacou seu desejo de encerrar a carreira na própria Red Bull. O piloto compete pela equipe desde 2016 e conquistou seus quatro títulos mundiais com a estrutura austríaca.
“Sempre disse isso, inclusive quando Dietrich [Mateschitz] ainda estava vivo: meu objetivo é encerrar minha carreira nesta equipe”, declarou.
“É claro que ainda há muitos anos pela frente, mas esse continua sendo o objetivo. Por isso, estou muito orgulhoso de renovar e tentar voltar ao topo.”
Novo contrato inclui acordos de desempenho
Embora Verstappen tenha confirmado sua permanência até 2030, o novo contrato não elimina todas as condições relacionadas ao desempenho da Red Bull.
Jos Verstappen, pai do tetracampeão, confirmou que existem acordos específicos sobre a competitividade da equipe. Entretanto, ele não revelou quais são os critérios estabelecidos entre as partes.
“Existe confiança de que teremos novamente um carro vencedor na Red Bull. Mas até que ponto conseguirão fazer isso ainda precisa ser visto”, afirmou Jos ao Formule1.
“Naturalmente, foram feitos acordos sobre isso no contrato. Nós sabemos quais são esses acordos, a Red Bull sabe, e não vamos divulgá-los.”
Dessa forma, a renovação representa uma aposta de Verstappen na recuperação da equipe. Ao mesmo tempo, as condições contratuais preservam determinados mecanismos relacionados ao desempenho.
Para Jos, porém, a confiança entre as partes teve papel fundamental durante as negociações. Além disso, o novo acordo traz estabilidade para o projeto da Red Bull.
“Max quer um carro com o qual possa vencer. Essa confiança existe. O mais importante agora é que a tranquilidade volte nesse aspecto”, afirmou.

Jos também elogiou Raymond Vermeulen, empresário de Verstappen, e Oliver Mintzlaff, diretor-executivo da Red Bull.
“Raymond fez um bom trabalho junto com Oliver Mintzlaff. O argumento mais importante é que existe confiança mútua”, declarou.
“Caso contrário, obviamente não teríamos assinado o contrato.”
Verstappen mantém futuro aberto além da F1
Apesar da renovação até 2030, Verstappen continua planejando atividades fora da Fórmula 1. O novo acordo também oferece espaço para que o piloto explore outros projetos no automobilismo.
Além disso, o holandês já demonstrou interesse em competir em outras categorias. Portanto, a extensão com a Red Bull não significa necessariamente exclusividade absoluta com a F1.
Por enquanto, contudo, Verstappen escolheu permanecer na principal categoria do automobilismo. Assim, o tetracampeão terá mais quatro temporadas garantidas com a Red Bull.
A decisão encerra meses de especulações sobre seu futuro. Além disso, permite que o piloto concentre esforços na tentativa de recuperar a equipe e voltar à disputa pelo título mundial.
Agora, Verstappen volta suas atenções para o GP dos Países Baixos. A etapa acontece entre sexta-feira (21) e domingo (23), em Zandvoort, pela temporada 2026 da Fórmula 1.
