Santos busca empate heroico contra o Bahia em jogo manchado por irresponsabilidade de Neymar
Quem esteve na Vila Belmiro ou acompanhou pela televisão(como foi o meu caso) o jogo: Santos 1 x 1 Bahia sentiu exatamente a mesma coisa: o Peixe sobrou em campo no primeiro tempo antes da chuva , mas quase colocou tudo a perder por pura falta de cabeça. Em uma noite em que o gramado encharcado transformou o futebol em uma verdadeira batalha física, o torcedor santista experimentou a mistura exata de orgulho pelo espírito de luta da equipe e extrema revolta com o comportamento imaturo de seu principal jogador.
Do futebol fluído ao caos das poças d’água
O início de jogo mostrou exatamente a proposta ousada de Cuca. Com uma formação leve e ofensiva, tendo Gustavinho na sustentação do meio e nomes como Coutinho, Cebolinha e Neymar flutuando, o Santos atropelou os baianos nos primeiros 20 minutos. A bola rodava com velocidade, as chances surgiam ao natural e o gol parecia questão de tempo inclusive com gol anulado e bola na trave.
Muitos torcedores reclamaram desse gol anulado, e para você querido leitor, o que acha?
A partir dos 23 minutos, no entanto, a tempestade que desabou sobre a Baixada Santista mudou completamente o cenário. A péssima drenagem do gramado da Vila Belmiro transformou o campo em um lamaçal, anulando o jogo aproximado e técnico. O Bahia se aproveitou do momento e abriu o placar em uma bola que parou caprichosamente em uma poça para Luciano Juba bater. O Santos se irritou, perdeu o controle das ações e passou a lutar mais contra a água do que contra o adversário.
A irresponsabilidade de Neymar e a postura de capitão que faltou

Se o campo encharcado já era um obstáculo colossal, Neymar fez o favor de deixar a missão praticamente impossível. O camisa 10 vinha fazendo um bom primeiro tempo com a bola nos pés, mas desmoronou no aspecto mental. Bateu boca repetidamente com Rodrigo Nestor, perdeu a cabeça ao ser advertido e ainda arrumou confusão até com o técnico adversário, Rogério Ceni.
O ápice do absurdo veio no intervalo. Sem sequer esperar a bola rolar no segundo tempo, o atacante reabriu a discussão no meio-campo, cobriu a boca ao direcionar palavras ao adversário e acabou expulso após revisão do VAR com base no protocolo que combate condutas antidesportivas e ofensas mascaradas.
É inacreditável que um atleta com a bagagem, o tamanho e a braçadeira de capitão do Santos caia em uma provocação tão barata. Neymar prejudicou diretamente o planejamento do time para a etapa final, desfalcará a equipe no clássico contra o Palmeiras e no duelo diante do Bragantino (acumulando absurdos 13 cartões contra apenas 10 gols no ano), e deixou os companheiros na mão em uma reta final decisiva de Brasileirão. Independentemente das acusações pós-jogo sobre a atitude de Nestor, um jogador da estatura de Neymar não pode dar essa margem em um confronto crucial.
Gustavinho e Luan Peres: a espinha dorsal da valentia santista
Se a irresponsabilidade do capitão revoltou, a postura de quem ficou em campo honrou a camisa santista. Em um segundo tempo onde a tática deu lugar à alma, dois nomes se destacaram imensamente e merecem todos os aplausos da arquibancada: Gustavinho e Luan Peres.

Gustavinho foi gigantesco. Deixado como único volante de origem no esquema inicial, o jovem desdobrou-se para cobrir os espaços, venceu duelos físicos contra o meio-campo baiano, combateu sem parar debaixo do temporal e ainda teve a capacidade de fechar o jogo improvisado na lateral-direita sem deixar o nível cair. Uma atuação madura, incansável e de quem entende o tamanho do clube.
Já Luan Peres personificou o verdadeiro espírito de libertadores na Vila. Impecável pelo alto para conter as investidas do Bahia, o zagueiro foi a voz de liderança que o time precisava quando ficou com dez em campo. No momento da pressão final, na base do abafa e da vontade puramente na raça, Luan se projetou ao ataque para fazer justiça ao placar e testar para as redes aos 47 minutos da etapa final.
O veredito do jogo
O empate em 1 a 1 mantém o Santos vivo e com moral na briga por uma vaga na Conmebol Libertadores de 2027. O ponto somado, diante das circunstâncias do dilúvio e da expulsão ridícula de seu camisa 10, precisa ser comemorado pelo empenho e pela raça demonstrados pelo coletivo.
Contudo, fica a lição clara para a sequência do campeonato: o Santos tem futebol e entrega para brigar no topo, mas não pode continuar refém dos descontrolos emocionais de quem deveria liderar pelo exemplo. Contra o Palmeiras, na quarta-feira, a postura terá de ser a de Luan Peres e Gustavinho , com vontade de ganhar.
