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Santos tem interesse em Lima, jogador campeão da Libertadores com o Fluminense

O torcedor santista já conhece esse filme e o roteiro raramente tem final feliz. O Santos tem conversas com o meia Lima, de 30 anos, livre no mercado após rescindir com o América do México. À primeira vista, uma oportunidade de mercado interessante para qualificar o setor de criação.

O problema em si não está no nome, mas na prateleira em que o clube tenta fazer compras enquanto a energia da casa está prestes a ser cortada: o Peixe continua sob rígido transfer ban da Fifa devido a uma dívida de R$ 12 milhões com o Mônaco, referente à contratação de Jean Lucas.

A diretoria adota uma postura prudente, condicionando a quitação da dívida à consolidação de um reforço indiscutível para o time titular. O raciocínio dos cartolas é puramente de caixa: pagar R$ 12 milhões agora comprometeria a folha salarial e o fluxo operacional diário. No entanto, essa estratégia da “espera pelo reforço ideal” escancara, mais uma vez, a fragilidade do planejamento alvinegro.

Ainda temos que falar sobre a negociação frustrada por Martirena

A prova de como esse malabarismo financeiro mina a eficiência da gestão ficou evidente na tentativa recente de contratar o lateral-direito Gastón Martirena, do Racing. A transação estava praticamente selada em uma troca temporária pelo zagueiro Adonis Frías. Bastou uma investida do Atlas, do México, pelo defensor santista para que todo o arranjo ruisse.

Sem o pagamento prévio da punição na Fifa, o Santos fica de mãos atadas, refém de reviravoltas de última hora. O resultado prático? Frías caminha para ser vendido ao futebol mexicano, Martirena segue na Argentina e o Peixe continua com as mesmas carências no elenco. Trata-se da típica negociação de bastidor em que o clube gasta energia, expõe suas limitações e termina de mãos vazias.

Reprodução/SudamericanaBR

Mas quem é Lima? Um jogador útil e experiente, mas longe de ser um salvador da pátria

Polivalente e taticamente disciplinado, Lima surge como uma opção interessante para o meio-campo. Campeão da Copa Libertadores de 2023 pelo Fluminense, ele participou da decisão histórica contra o Boca Juniors , o atleta viveu no Tricolor das Laranjeiras o momento mais consistente e vitorioso de sua carreira.

Foto: Lucas Merçon/FFC

No entanto, a passagem recente pelo América do México acende o sinal de alerta. Indicado por André Jardine em fevereiro, o meia perdeu espaço com a troca do comando técnico e somou apenas quatro partidas no futebol mexicano antes de rescindir seu vínculo. É um jogador livre, cobiçado por equipes do Brasil e da Rússia, mas que exige do Santos um investimento imediato e sem garantias de ritmo de jogo instantâneo.

Os números de Lima (2023–2026)

(Dados retirados do Sofascore)

Ano / CompetiçãoJogos (MP)Minutos (MIN)Gols (GLS)Assistências (AST)
2026 — América-MEX / Fluminense
Liga MX (Clausura)46400
CONCACAF Champions Cup11100
Brasileirão Betano314800
Campeonato Carioca2056911
2025 — Fluminense
Brasileirão Betano28110121
CONMEBOL Sudamericana421500
Copa Betano do Brasil412502
FIFA Club World Cup510000
Campeonato Carioca631900
2024 — Fluminense
Brasileirão Betano30184741
CONMEBOL Libertadores1057420
Copa Betano do Brasil318011
Campeonato Carioca744700
CONMEBOL Recopa12100
2023 — Fluminense
Brasileirão Betano35253562
CONMEBOL Libertadores (Campeão)1159401
Copa Betano do Brasil434801
Campeonato Carioca1464411

E afinal vale a pena?

Futebol profissional não tolera improvisos operacionais. Tratar o transfer ban como uma “trava operacional temporária” é inverter a lógica básica de gestão esportiva. O Santos precisa de um elenco mais encorpado, mas negociar com atletas com a corda no pescoço perante a Fifa reduz o poder de barganha do clube e transmite insegurança ao mercado.

Lima pode vir a somar se desembarcar na Vila Belmiro, mas sua chegada não resolve a questão estrutural. Enquanto a diretoria alvinegra continuar tratando sanções financeiras como meros detalhes contratuais de última hora, o torcedor continuará assistindo ao mesmo roteiro: alvos perdidos, elencos incompletos e o campo cobrando o preço da desorganização fora dele.

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