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Santos aposta em Rodinei para a lateral direita

O Santos anunciou a contratação do lateral-direito Rodinei, que estava no Olympiacos, da Grécia.

O jogador assinou um contrato válido até o final de 2027, selando seu retorno ao futebol brasileiro após uma passagem marcante e vitoriosa pela Europa. Para além da festa do anúncio institucional e das declarações de praxe sobre o orgulho de vestir o “Manto Sagrado”, é preciso encarar a movimentação com a sobriedade que o momento do Peixe exige: trata-se de um reforço útil para suprir uma deficiência crônica do elenco, mas com moldes contratuais que escancaram mais um risco desnecessário assumido pela diretoria santista.

O peso da experiência e o reforço em um setor fragilizado

Olhando exclusivamente para as necessidades do campo, a chegada de Rodinei faz sentido direto. O Santos sofria em um setor onde Igor Vinícius não vinha entregando o desempenho esperado e Gabriel Menino seguia em busca do seu melhor futebol. Rodinei não chega para compor elenco; chega para brigar diretamente pela titularidade.

O torcedor que acompanhou as temporadas vitoriosas do Flamengo sabe bem o que o lateral entrega. Ele é um jogador de forte apoio ofensivo, boa capacidade de cruzamento e presença constante no último terço do campo. Mais do que isso, traz na bagagem a experiência de quem já decidiu títulos importantes.

Além do aspecto tático, há dois fatores extracampo que pesam a favor: a rápida adaptação e o vestiário. Rodinei reencontra no Santos pilares como Gabigol e Willian Arão, companheiros com quem conquistou praticamente tudo no Rio de Janeiro. A sintonia entre eles já existe e pode encurtar caminhos. Somado a isso, a famosa “resenha” e o perfil bem-humorado do atleta tendem a ser um ativo valioso para oxigenar o ambiente do Peixe em momentos de pressão.

As sombras defensivas e o risco de um contrato longo

Por outro lado, não dá para ignorar as fragilidades que acompanham o futebol de Rodinei ao longo de toda a sua carreira. A recomposição defensiva e a leitura de cobertura sempre foram seus pontos fracos. No futebol brasileiro atual, marcado por transições cada vez mais rápidas e pontas agressivos, essas lacunas cobram um preço alto se o sistema não estiver muito bem ajustado para protegê-lo.

Existe também o fator físico e o nível de competitividade recente. Aos 34 anos e vindo do futebol grego , resta saber em que condições físicas ele desembarca para suportar a maratona de jogos no Brasil. A perda natural de explosão muscular é uma realidade para jogadores da posição nessa faixa etária.

É justamente aí que reside a maior crítica à gestão santista: a duração do contrato. Estipular um vínculo de até o fim de 2027 para um atleta de 34 anos é uma aposta desproporcional. O modelo ideal para o momento do clube seria um contrato curto, de meio ano, com gatilhos e cláusulas de produtividade atrelados a metas de desempenho. Oferecer estabilidade longa a um jogador em fase final de carreira é repetir vícios de planejamento que há tempos custam caro ao clube.

O desenho tático: como Cuca pode extrair o melhor do ala

Diante das peças recém-chegadas e das características do elenco, cabe ao técnico Cuca estruturar um sistema que potencialize as virtudes de Rodinei e proteja suas deficiências. O caminho mais racional (para mim) aponta para uma formação no 3-5-2.

Com uma linha de três zagueiros bem consolidada, aproveitando Willian Arão recuado para qualificar a saída de bola ao lado de Lucas Veríssimo e Luan Peres , a equipe ganha a sustentação defensiva necessária pelas rabiolas do campo. Essa estrutura libera os alas para agredirem o adversário sem a obrigação constante de recomporem até a própria área. Nesse cenário: Rodinei ganha liberdade total para ocupar o corredor direito e utilizar seu bom cruzamento, enquanto Barreal atua pela esquerda. Na volância: Um trio sustentado por Arthur, Gustavinho e Bontempo garante preenchimento de espaço e dinamismo no setor central. E no ataque: Na frente, a dupla se desenha de forma promissora com Neymar atuando em um papel de extrema mobilidade para criar e flutuar, deixando Gabigol como a referência letal dentro da área.

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Nota 6: uma solução funcional, mas longe do cenário ideal

Para mim no balanço geral, a contratação de Rodinei recebe uma nota 6. É uma movimentação longe de ser brilhante ou refinada (como seria, por exemplo, a busca por um nome do porte de Emerson Palmieri) mas longe de ser um desastre.

Trata-se de um movimento pragmático para um clube que precisava urgentemente de respostas para a lateral-direita. Se o departamento físico entregar o atleta em boas condições e o esquema tático souber compensar suas deficiências sem a bola, Rodinei tem tudo para ser um elemento útil e competitivo. O tempo dirá se o rendimento em campo justificará o longo compromisso assinado no papel.

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