MVP da NBA em 2017, Russell Westbrook anuncia aposentadoria após 18 temporadas
O lendário armador Russell Westbrook, que disputou a temporada 2025-26 da NBA pelo Sacramento Kings, anunciou ao mundo o fim de sua carreira no basquete na última quarta-feira (12), aos 37 anos. O jogador comunicou a decisão nas redes sociais em um vídeo emocionante narrado pelo ator de Hollywood Michael B. Jordan, onde visitou suas conquistas da carreira e fez o anúncio oficial.
Westbrook jogou 18 temporadas na NBA por sete times diferentes, incluindo o Los Angeles Lakers e o Denver Nuggets. Apesar de nunca ter conseguido conquistar um anel de campeão na maior liga de basquete do mundo, Russell foi eleito MVP da temporada regular de 2016-17, campeão olímpico pelos EUA nas Olimpíadas de Londres em 2012, e é o maior recordista de triple-doubles da NBA (jogos com 10 ou mais em três fundamentos, como pontos, assistências, rebotes, tocos ou roubos de bola), somando 209 ao todo. Westbrook também foi eleito pela NBA como um dos 75 maiores jogadores da história da liga, em lista divulgada em 2022.
Na última temporada, jogando pelos Kings, ele entrou em quadra em 64 jogos e fez médias de 15 pontos, 5 rebotes e 6 assistências por jogo. Segundo o insider Shams Charania, da ESPN norte-americana, Westbrook chegou a receber propostas de renovação nesta offseason tanto do próprio Sacramento Kings quanto do Washington Wizards, mas preferiu se afastar do basquete por vontade própria, encerrando uma das carreiras estatisticamente mais sólidas da história da NBA.
Westbrook se aposenta em 5º lugar na história da NBA em assistências na temporada regular com 10.351 no total, e em 14º na lista de maiores pontuadores da história da liga, com um total de 27.176 pontos. Os únicos três jogadores em atividade à sua frente são LeBron James, Kevin Durant e James Harden. Jogando os Playoffs, anotou um total de 3.035 pontos, totalizando 30.211 pontos na carreira. Russell foi selecionado para o All-Star Game nove vezes.
Kevin Durant endereçou carta aberta ao ex-companheiro
Kevin Durant, outra lenda da NBA, publicou uma carta emocionada no X (antigo Twitter) em homenagem a Russell Westbrook na tarde de quinta-feira (13), um dia após o ex-companheiro de equipe anunciar sua aposentadoria da NBA. No texto, o ala-pivô do Houston Rockets relembrou histórias dos anos em que os dois dividiam o vestiário do Oklahoma City Thunder, além de exaltar a ética de trabalho e o legado do armador.
Na carta, Durant deixa explícito que, quando as partidas começavam, a postura de Westbrook impactava pessoas de todos os âmbitos do time, sempre impulsionado por uma constância de 18 anos de carreira baseada em atitudes ao invés de palavras.
“Pra mim, ele era quieto e metódico. (Russell Westbrook) Liderava pelo exemplo e, quando as luzes se acendiam, soltava tudo e vivia uma liberdade pura”, declarou Durant na postagem, contando que Westbrook era o primeiro a se apresentar no centro de treinamento e que concluía seu trabalho matinal antes do time sequer chegar ao local.
Ao se despedir da antiga parceria, Durant fez questão de ressaltar a importância que Westbrook teve para o desenvolvimento e sucesso da liga. “Continue inspirando mais gerações nessa próxima fase da sua vida, campeão. Não importa o que aconteça, ninguém pode apagar a sua história”, concluiu.

Uma carreira de altos e baixos
Russell Westbrook foi selecionado na quarta escolha do draft da NBA de 2008 pelo antigo Seattle SuperSonics, mas não chegou a jogar uma partida sequer na cidade, já que a franquia se mudou para Oklahoma City no verão do mesmo ano. Lá, rapidamente o camisa número 0 se estabeleceu como um pilar do que logo se tornaria um dos times mais competitivos e temidos da liga.
Formando um big-3 ao lado de Kevin Durant e James Harden, Westbrook conduziu OKC à conquista do título da Conferência Oeste da temporada 2011-12 e chegou à NBA Finals pela primeira vez na história da nova franquia, apesar de terem sido derrotados pelo Miami Heat de LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh na ocasião. No jogo 4 daquela série, apesar da derrota por 104 a 98, Westbrook anotou impressionantes 43 pontos com apenas 23 anos de idade. Até hoje, ele ainda é o líder da história da equipe em pontos, assistências, rebotes e roubos de bola.
Apesar de não terem levado o troféu naquele ano, o legado de Westbrook em Oklahoma City acabou sendo bastante sólido no quesito cultural do basquete. É possível dizer que aquele time formado em 2008 ajudou a pavimentar o caminho que culminou no título inédito de OKC em 2025, liderado por Shai Gilgeous-Alexander. O sucesso esportivo meteórico de uma franquia relativamente jovem da NBA, em um mercado muito pequeno, é resultado direto de uma cultura e mentalidade vencedora que Westbrook construiu desde o começo de sua carreira por lá. Com as saídas de Harden e Durant, Westbrook manteve o Thunder relevante durante 11 anos de sua carreira e ajudou a atrair outros astros para a franquia, como Carmelo Anthony e Paul George.
Seu auge como jogador, sem dúvidas, foi na temporada 2016-17, quando ele tornou-se o primeiro jogador desde Oscar Robertson, em 1962, a ter uma média de triple-double em uma temporada completa, com 31.6 pontos, 10.7 rebotes e 10.4 assistências por jogo, números que merecidamente lhe renderam o prêmio de MVP. Naquele ano, ele também estabeleceu o recorde de jogador com mais triple-doubles em uma única temporada da NBA, com 42 ao todo, recorde que perdura até hoje.
Mas nem tudo são flores. A idade avançada e a falta de plenitude física no fim da carreira, bem como diversos fatores ligados à evolução do basquete e à transição de seu estilo de jogo, foram cruéis com Westbrook.
Não é nenhuma novidade que, na última década, o basquete passou a adotar um estilo mais focado em espaçamento e arremessos de três pontos, o que diminuiu o impacto de armadores que dependem excessivamente da infiltração e que possuem baixa eficiência em longa distância, como é o caso de Westbrook. Conforme foi envelhecendo, Russell perdeu grande parte do atleticismo e da velocidade explosiva que compensavam suas tomadas de decisão precipitadas e arremessos forçados.
Em suas últimas passagens como jogador, sobretudo no Los Angeles Lakers, ele encontrou uma dificuldade extrema para desempenhar saindo do banco ou jogando sem ter a bola nas mãos, o que lhe rendeu críticas pesadas e apelidos jocosos, como “Westbrick” (brick = tijolo em inglês, gíria usada no basquete para arremessos que erram feio a cesta e não se convertem em ponto). Além do desempenho ruim, a cobrança excessiva de uma das maiores torcidas da liga e a grande expectativa devido ao seu alto salário também foram fatores que tiraram a paz de Russell na fase final de sua carreira.

Em 2025, enquanto jogava pelos Kings em uma partida fora de casa contra o Miami Heat, o jogador chegou a trocar farpas em quadra com um torcedor que o chamou de “Westbrick” aos gritos. Westbrook teve uma atitude controversa na ocasião, ao se voltar para o torcedor e confrontá-lo: “O que você disse pra mim? Não banque o espertinho comigo. Não brinque com coisas que você não pode sustentar”, esbravejou o armador ao tentar revidar a crítica.
Mas episódios assim já eram comuns desde a temporada 2021, e Westbrook nunca escondeu como o apelido e as críticas pesadas o incomodavam. “Quando se trata de basquete, não me importo com as críticas por acertar ou errar arremessos. Mas no momento em que isso começa a manchar meu nome, aí sim se torna um problema. Eu meio que estava deixando isso passar (…), mas, outro dia, isso realmente me atingiu”, contou o jogador durante entrevista coletiva em 2022, após uma derrota de 117 a 110 para o San Antonio Spurs.
“Essa provocação de me chamar de ‘Westbrick’, para mim, é uma vergonha. É algo que envergonha meu nome, meu legado e meus filhos. É um nome que significa muito, não só para mim, mas para a minha esposa, para a minha mãe, para o meu pai, para aqueles que abriram o caminho para mim”, desabafou Russell na ocasião.
Fato é que o final da carreira de Westbrook não faz jus ao jogador singular que ele foi, se analisarmos sua carreira como um todo. Nos últimos cinco anos, nunca foi o jogador mais eficiente em quadra por suas equipes, e ele sabia bem disso. Mas foi o mais insistente e um dos mais dedicados. Foram 18 anos correndo em um ritmo que nenhum adversário exigia, sempre buscando atingir números que a liga havia parado de registrar. O recorde de triple-doubles que ele estabeleceu ainda vai permanecer por muito tempo, e quem quiser quebrá-lo não vai precisar somente de talento. Vai precisar de consistência, ética de trabalho, muita dedicação e uma pitada de teimosia.
