O cometa de Weverton ou a constelação de passes de Bernard?
O sábado, 7 de novembro, é a noite mais importante da temporada para dois clubes que chegam à Arena MRV por caminhos diferentes, mas que vão ao encontro do mesmo destino: a final da Copa do Brasil. O Grêmio, que iniciou o ano com um técnico diferente, se reencontra com Renato Gaúcho para encerrar o ano e salvá-lo de um possível rebaixamento no Brasileirão, onde se encontra na 15ª colocação, a um ponto do Z-4. O Atlético-MG vive um ano melhor; afinal, está dividido em três competições, mas se encontra na pior sequência da era Domínguez, acumulando quatro derrotas seguidas, e ainda tem pela frente a final da Sul-Americana contra o Boca, em 21 de novembro.
A conta é simples e cruel com o time de Minas Gerais. O Tricolor venceu por 2 a 0 em Porto Alegre e avança ganhando, empatando ou perdendo por um gol. O Galo precisa vencer por três para ir direto à final, e por dois para levar a decisão aos pênaltis, para que, no fim do caminho, encontre a final em 6 de dezembro, contra Palmeiras ou Vasco. Para o Grêmio, é a chance de gritar que é hexa: cinco títulos até aqui, o último em 2016, justamente em cima do Galo. Para o Atlético, é a chance de ser tricampeão.
Na ida, os dois times entraram espelhados no 3-4-3, e o jogo foi bem mais físico, com bons embates e apostas em bolas longas pelo lado do Grêmio, do que técnico, com boas trocas de passe feitas pelo time atleticano. O Galo teve a bola nos pés, chegando a possuir mais de 70% da posse, mas não teve o que fazer com ela frente à muralha tricolor. O Imortal esperou, compactou as linhas e, quando teve as oportunidades, golpeou com força duas vezes contra o gol do Atlético. Aos 10 minutos, Weverton repôs a bola perfeitamente nos pés de Carlos Vinícius, que ganhou a posse, bateu o zagueiro e arrematou com força no canto do goleiro, com um tiro de fora da área indefensável.

Nos primeiros minutos do segundo tempo, João Pedro cruzou rasteiro e Noriega chegou batendo de primeira, quase na marca do pênalti. Esses gols não foram ao acaso: a jogada de tiro de meta é treinada, como o próprio Renato admitiu. Depois, o Tricolor se fechou e Weverton parou Cuello, Maycon e Renan Lodi. Ao final dos 90 minutos, Lodi, lateral-esquerdo da equipe do Atlético, reclamou que o jogo gremista se resumia a Weverton e Carlos Vinícius. É uma crítica que, no placar, vira elogio.
O Galo errou onde mais dói: caiu na velha história do amargo de Renato Gaúcho. Trocou passes demais, com pouca efetividade para romper as linhas defensivas do Grêmio, mas criou chances, embora não tenha conseguido superar Weverton. Viveu de bola parada e chute de longe. João Pedro tirou em cima da linha uma cabeçada de Cuello, e o zagueiro Vitor Hugo acertou o travessão aos 48 do segundo tempo. Faltou o último capricho. Atrás, Lyanco errou o tempo da bola no primeiro gol, e a defesa cochilou na volta do intervalo. Na frente, a aposta em Vitor Hugo como falso 9, posição carente que custa a engrenar no elenco, não funcionou. Encaixotado entre os zagueiros, ele não deu progressão ao ataque e saiu no intervalo.
O Galo perde o meia Vitor Hugo por lesão muscular, mas ganha com as voltas de Ruan Tressoldi, Fred, Borbas e Cassierra, que voltaram a treinar com bola. O time necessita de um camisa 9 natural para ser o ponto de apoio no ataque ou, quem sabe, de uma nova ideia, porque buscar três gols obriga a correr riscos. E correr risco contra um time que conta com uma bola lançada por Weverton direto para os pés do artilheiro Carlos Vinícius é brincar com fogo.
O Grêmio, por sua vez, perde o expulso Gustavo Martins, mas Kannemann volta a ficar disponível. Se Marlon não for a campo, Caio Paulista deve ocupar a lateral-esquerda. A receita não deve mudar: as apostas nas bolas longas, as jogadas ensaiadas de bola parada, a imposição física dos jogadores e o “saber sofrer”, provavelmente o dobro do que sofreu em casa, serão as armas do Tricolor.
No fim, a pergunta é uma só: o Galo encontrará em casa o último capricho que faltou em Porto Alegre para abrir e, quiçá, igualar o placar, ou o Grêmio repetirá o roteiro? Em 90 minutos, um tiro de meta de Weverton valeu mais do que toda a posse de bola atleticana. Resta saber se, no sábado, a história será outra.
